Vida

Vida Vida Vida Vida Vida Vida


Este foi um ano especial, muito especial. Um ano em que, infelizmente, não tive tanta disponibilidade para este meu Amo-te Mil Milhões que já conta quase uma década de vida mas que, graças ao Dress a Girl Around the World - Portugal, foi bastante preenchido. 
Como em todos os grandes acontecimentos da minha vida, sinto que este projecto chegou a mim através de uma força maior, como se a vida me ouvisse e me encontrando no momento certo, no lugar certo me presenteasse exactamente com aquilo que eu sonhava. Costumam ser presentes que me põem à prova e que exigem trabalho, estes que a vida traz -  e eu, que os espero desde miúda, não costumo recuar.

Hoje venho agradecer, não só ao Dress a Girl por ter caído do céu mesmo aqui ao meu lado, mas principalmente a quem, connosco, fez este projecto crescer. E como cresceu! 

Agradeço, do fundo do coração, a quem, ao ler uma ou duas palavras minhas sobre estar a fazer vestidos para dar, decidiu juntar-se a mim, de uma forma ou de outra, acreditando em mim e na minha palavra, mostrando-me que tenho muitos leitores atentos, interessados e acima de tudo, muito humanos! Foi maravilhoso ver nomes e rostos sair do anonimato, chegando-se a mim e estendendo-me a mão. Pessoas que lêem o que escrevo, que gostam do que faço, que procuram algo que transmito. No ano em que menos partilhei no blogue, em que tanto me afligi por não me conseguir organizar de forma a escrever mais - foi o ano em que mais me senti recompensada por todo o tempo aqui investido.

A vossa prontidão em participar neste movimento foi uma grande lição de vida. Aprendi o poder da palavra partilhada, a força que o ser humano tem quando trabalha em conjunto, o impulso que a vida dá a uma simples vontade quando essa vontade está em sintonia com ela, a vida.

Juntas conseguimos centenas e centenas de metros de tecido.
Juntas conseguimos mais de 800 vestidos feitos. 
Juntas conseguimos mais de 800 cuequinhas.
Juntas conseguimos fazer chegar o fruto do nosso trabalho às crianças necessitadas.
Juntas conseguimos fazer sair de casa muitas mulheres talentosas, criando grupos de costura e de verdadeiro convívio, trazendo às suas vidas um novo estímulo, mostrando-lhes o quão importante são para a sociedade, mostrando-lhes o quanto o mundo precisa das suas mãos.

Acreditem, juntas fizemos algo de Bom. E eu estou-vos eternamente grata.

E por tudo isto, era impossível deixar este ano passar sem fazer uma boneca especial, representando essas meninas que vivem cada vez menos longe de nós -  bem como todas as que, deste lado, embarcaram nesta viagem, mais uma vez, deixando as dúvidas de lado e acreditando que a vida pode ser melhor.

Vida foi o nome com que a baptizaram. 


Que 2017 seja um ano próspero para todas nós!




5

happy 5!

E de um dia para o outro, cinco. Cinco anos de família e casa cheia, graças à nossa Maria Alecrim. Sem ela a casa não seria a mesma, disso tenho a certeza. Sem ela, não seríamos os mesmos. E eu, que nunca me imaginei mãe de uma menina, aprendo com ela todos os dias.
Uma menina cheia de sonho, de energia, de histórias para contar e de canções para dançar. Nasceu para o palco, esta pequena força da natureza. Tão doce, tão forte. Sinto que veio ao mundo para o conquistar.

happy 5!

Que a vida seja sempre tua aliada, querida sagitariana. Estarei por perto.

quando o sonho é uma extensão do que somos

a dream come true a dream come true a dream come true a dream come true

Imaginem dez anos. Agora imaginem quantos dias terão dez anos. 
Nesta última década, que passou num ápice, raros foram os dias em que não passei pelo blogue da Amanda. Deixei-me apaixonar, daqui de longe, acompanhando-a e muitas vezes procurando nela o alento e o conforto que me faltavam, sabendo que ela, se vivêssemos perto, seria uma amiga para a vida.
Quantas vezes imaginara uma tarde passada com ela, à conversa, depois de um dia de árduo trabalho na quinta. Era um sonho que eu alimentava (e que me alimentava a mim) mas que, aqui entre nós, nunca imaginei ser possível acontecer.
Pois bem. Esse sonho acordou. De um dia para o outro eu estava na estação de Cascais à espera da Amanda e da Stacy, sem flores e sem banda como a ocasião merecia, mas com o coração nas mãos, como se um verdadeiro amor viesse naquele comboio.
Fomos ao mercado, conversámos, almoçámos, visitámos a The Craft Company, passeámos, rimos muito, tentámos pôr dez anos em dia de uma só vez, provámos os gelados umas das outras e prometemos rever-nos do outro lado do Oceano, em breve.

O meu muitíssimo obrigada à Marta e à Sacha pelo apoio e companhia neste dia tão importante para mim!

E aqui estou. Ainda sem acreditar que tudo isto aconteceu de verdade. 


a vida, por aqui

being part of the craft company team teaching how to make a simple dress Amanda Soule in Lisbon


Segunda-feira. 
Pausa.
Sinto que passou um tornado por mim nas últimas semanas. Sei que fiz muito, corri de um lado para o outro, estive em todo o lado, esforcei-me ao máximo - e no entanto, só me lembro de duas ou três coisas.

Sei que tive a filha doente por mais de vinte dias em casa. Felizmente já está bem mas ficou em mim aquele alarme sempre pronto a disparar que a maioria das mães tão bem conhece.

Sei que por mim têm passado centenas de metros de tecido que nos vão fazendo chegar para transformarmos em vestidos para as meninas em África. Sei por isso que o mundo está cheio de boas pessoas e que é fácil fazermos algo em conjunto por um mundo melhor. Que dá trabalho, muito trabalho, mas que é possível. E que é muito gratificante. 

Sei que dei a primeira aula de costura em toda a minha vida e que correu bem! Ajudei a Cláudia e a Inês a fazer um vestido para o Dress a Girl  e que bom que foi vê-las tomar esse poder em mãos, o de saber fazer uma peça de roupa. 

Sei que o Amo-te Mil Milhões chamou por mim muitas vezes e que não lhe pude dar atenção, com muita pena minha. 

Sei que entrei para a equipa da The Craft Company, onde eu já me sentia em casa, e que lá estou aos fins de semana a tentar conhecer melhor todo aquele mundo de fios, tecidos, agulhas e tanto mais.

Sei que alcancei um dos meus maiores sonhos dos últimos dez anos, que julgava tão difícil de alcançar - conhecer a Amanda Soule e dar-lhe um grande abraço por tudo de bom que me tem dado ao longo desta década! Senti-me como uma criança a olhar para o seu ídolo, consciente do ridículo que é idolatrar alguém, mas felicíssima por a vida me ter dado aquela alegria! 
Graças à Rosa, que recebeu a Amanda na Retrosaria, à Sacha, que ficou na The Craft Company a segurar as pontas sem mim e à Marta que me fez companhia pude viver um momento que jamais esquecerei e que guardarei comigo para me lembrar de que nada, nada é impossível. De que se nos mantivermos no caminho que acreditamos ser o nosso, que tudo é possível. De que o esforço tem sempre a sua recompensa.

Olhando para trás, nestas últimas semanas, sinto que algo passou por mim a correr - talvez um alinhamento nos planetas, um antepassado a olhar por mim, um ciclo a fechar-se e outro a começar - quem sabe? E eu estive lá, presente, a correr mas a saborear o momento, grata por todos os seres humanos que estão, neste momento da minha vida, a meu lado. 

Hoje é segunda-feira, dia de pausa. E eu, sem pausa, não quero ser. É na pausa que me encontro. E que vivo tudo outra vez, mas devagar.

Uma boa semana a todas!

boneca Luísa

Luísa Luísa Luísa Luísa


Quando um avô faz questão de oferecer uma boneca feita pelas nossas mãos à sua neta querida, isso é... uma grande honra. 
A Luísa não foi uma boneca difícil para nascer e acredito que será uma grande companheira. Parece-me doce, delicada, aventureira e destemida. Assim que se pôs de pé, agradeceu-me por a ter trazido ao mundo, desejou-me as maiores felicidades e apanhou o primeiro avião para o Brasil. 

... Vai mandando notícias! Diverte-te muito!

Dress a Girl Around the World - Portugal

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dress a girl around the world portugal

Temos corrido muito nos bastidores do Dress a Girl Around the World. Mas fazêmo-lo com tanto amor e dedicação que quase não cansa! Com poucos meses de vida em Portugal, este projecto já conseguiu tanto que o facto de estar envolvida de corpo e alma me deixa imensamente feliz e orgulhosa. Orgulhosa de todas as pessoas que têm aparecido com matéria prima para dar, com o seu tempo e habilidade, com a sua vontade de participar. Orgulhosa também de organizações como a The Big Hand e a From Kibera With Love que trabalham arduamente para mudar a vida de tantas crianças e que entegaram pessoalmente vestidos feitos por nós a meninas em Moçambique e no Quénia, respectivamente.
Sentimos que estamos no caminho certo e nada nos fará parar. 
É incrível o poder que uma só pessoa tem em mãos - o que dizer de um grupo inteiro ao qual se juntam mais e mais mãos prontas a costurar? 


lebre de Setembro

nova lebre nova lebre nova lebre nova lebre

Os dias têm passado a correr. 
Sejamos sinceras, os dias não correm. Quem corre somos nós. 

Tenho passado os dias a correr. 
Também não é bem verdade. Só costumo correr ao fim do dia quando já estou atrasada para ir buscar a senhorita Alecrim. 

Recomeçando. 
Não tenho desperdiçado um minuto dos meus dias. Ultimamente tenho estado mais por aqui mas isso não quer dizer que o Amo-te Mil Milhões tenha sido posto de lado. 

Nasceu há poucos dias uma lebre. Admirou-se por estar tanto calor e precavida como é, pediu-me uma capa quentinha. Percebi e pisquei-lhe o olho. Gostamos de sol mas não há nada como um bom aconchego.

Dress a Girl Around the World - Portugal

Dress a Girl Around the World - Portugal

foto por The Craft Cmpany

Querido Diário,
tenho andado ocupada com a vida. Cheguei aos 40 com a sensação de que a partir de agora vou concretizar os meus sonhos mais ousados, aqueles que me perseguem desde pequena, tu deves lembrar-te deles. 
Andava eu a preparar-me para começar um projecto a solo, algo que não me saía da cabeça, que me mantinha acordada à noite por não saber bem como começar. Eu sabia que queria seguir o exemplo de Lillian Webber. Costurar um vestido por dia parecia-me algo perfeitamente possível e, sabendo fazê-lo, começava a não suportar a ideia de não o estar a fazer já. E como vem já sendo costume, a vida, ao apanhar-me na estação certa fez o comboio parar. 
De um dia para o outro, a The Craft Company anuncia que procura voluntárias para costurar para a Dress a Girl Around the World - Portugal. Nesse encontro conheço a Vanessa, embaixadora do projecto em Portugal e fico a saber que chegou há poucas semanas ao nosso país, trazendo este projecto consigo, recém nascido por cá.
O que quero dizer, Querido Diário, é que a vida me ouviu. Ou eu ouvi a vida. Talvez a vida só nos ouça quando a ouvimos a ela. E a vida ouviu a Vanessa também e disse-lhe para vir viver para Cascais, no prédio ao lado do meu. E desde então temos trabalhado neste projecto com muita paixão. E temos contado com a ajuda de muita gente boa que acredita que um vestido é importante, sim e que juntas fazemos a diferença, sim. 
Prometo dar notícias. Não serão tantas quanto as centenas de vestidos que nos passam pelas mãos, mas prometo dar voz a este movimento. Voz e mãos!

um por todos, todos por um


Entre ontem e hoje, juntamente com familiares e amigos levámos mais de 800 garrafas de água e mais de 100 barritas de cereais à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Cascais

Entre ontem e hoje muitos amigos e conhecidos espalhados pelo país foram deixar o seu donativo no quartel de bombeiros da sua região. 

Entre ontem e hoje vi bombeiros genuinamente agradecidos e surpreendidos pelo movimento de cidadãos que decidiu aparecer no quartel, mostrando que não estão adormecidos, que não se limitam a comentar as notícias, que se lembraram que os bombeiros são pessoas como todos nós. Acredito que só entre ontem e hoje muita gente, eu incluída, parou para pensar no que significa ser bombeiro voluntário. Só entre ontem e hoje olhei um bombeiro nos olhos e lhe vi a fragilidade humana, coberta por um corpo forte e um fato incrivelmente quente para o calor que se faz sentir.

Entre ontem e hoje muitas foram as partilhas pelas redes sociais alertando para o facto de os bombeiros estarem a aceitar garrafas de água, barras de cereais, bolachas e fruta e isso, acredito, teve efeito imediato. Em pouco tempo, pelo país inteiro, os quartéis de bombeiros começaram a receber - e muito bem! - visitantes desejosos de ajudar. 

E se venho aqui mostrar o que fizemos é somente para que esta corrente continue, na esperança de inspirar alguém a fazer o mesmo. Porque - acreditem -  juntos somos muitos. E todos somos o país que temos.


terra casa filha mãe

terra

terra

Como é que se escreve a um amigo a quem não dizemos nada há muito? Assim, de coração nas mãos (como sempre faço), na esperança de recuperar aquilo que tínhamos e de continuar a caminhar perto um do outro.

Venho aqui dizer que não me fui embora e que pretendo ficar. Sou de ficar. Mas os dias, embora a meu ritmo, chamam-me para todo o lado e à noite, quando gosto de escrever, caio no sofá e as palavras adormecem junto comigo.

Há muito para fazer, para partilhar, para sentir e eu não sou de desistir! Até breve!

wwkpd 2016 em Cascais

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No passado sábado foi dia mundial de tricotar em público e a minha terra participou! Dezenas de pessoas apareceram para tricotar na rua, em frente à The Craft Company. As tricotadeiras de Oeiras, as Tricomania em Cascais, o Knitted by Macho Men e tantos outros apareceram de agulhas na mão! Foi uma festa, um exemplo de como podemos mudar tanto no mundo, de como a vida pode ser simples e descomplicada quando quebramos barreiras e fazemos aquilo de que gostamos. 
Ali, sentada à porta da loja, acompanhada por pessoas com um interesse em comum, mais que isso, com um amor comum, percebi o quanto a cidade foi retirando ao cidadão enquanto este se foi fechando em si e na sua correria diária. Porque é que já não nos sentamos à porta de casa ao fim do dia com os vizinhos? Será pelo mesmo motivo que os nossos filhos já não sabem o que é estar na rua com os amigos, mesmo sem nada para fazer? 
O que tenho aprendido é que basta dar o primeiro passo. No meu caso, descobri que Cascais tem gente muito interessante. E isso faz-me tão mais feliz que começo a tratá-la como sendo a minha terra!

Papoila

Papoila Papoila Papoila Papoila Papoila Papoila

Interpretar os sentimentos de quem quer dar algo único a alguém muito especial e dizê-lo assim, num silêncio puro, cheio de vida, cheio de sonho, cheio de Humanidade, eterno.

Esta é a primeira de muitas bonecas que espero vir a fazer. Estava desejosa de poder experimentar expressões faciais e penteados, um novo desafio, um novo universo! Aqui usei lã Dona Maria para o cabelo, uma mistura de merino e seda, muito macia e bonita. Não podia estar mais satisfeita.

Feita com toda a minha atenção e tempo, boa vontade e exigência por um trabalho de excelência resta-me esperar que seja bem recebida e acarinhada e que dure, se possível, uma vida inteira pois é com essa intenção que é feita.


milagres na varanda

na varanda na varanda na varanda na varanda na varanda na varanda na varanda

A varanda não é grande, consigo dar quatro passos largos de uma parede à outra. Mas o que lá acontece, neste momento, é tanto que quem a vê fica de boca aberta. Principalmente aqueles que não estão habituados a ver crescer o seu alimento (ou qualquer alimento!) ficam verdadeiramente confusos. Como pode ser tão fácil? Então a comida cresce assim, num vaso, em poucos dias? Sim! É das coisas mais fáceis e básicas que o ser humano pode e deve fazer! E mesmo não tendo varanda, há sempre um parapeito de uma janela ou uns vasos dentro de casa onde a luz solar, água e vontade de melhorar a vida chegam. 
Na verdade, é tão fácil e básico que uma criança consegue tomar conta de grande parte do processo. Na verdade, é tão fácil e básico que torna o facto de existir fome no nosso país ainda mais intolerável. 
Temos comido alface todos os dias há quase dois meses. E só tenho seis pés de alface. Seis pés de alface tem chegado para alimentar uma família de quatro pessoas (que adoram alface!). Como? Vamos retirando uma ou duas folhas de cada uma e elas continuam a crescer, sempre bonitas! A natureza é assim!
Chamem-me ingénua mas eu acredito em milagres. Faço questão de acreditar neles e de os proporcionar. Por vezes dão trabalho mas os frutos são uma maravilha.