quando o sonho é uma extensão do que somos

a dream come true a dream come true a dream come true a dream come true

Imaginem dez anos. Agora imaginem quantos dias terão dez anos. 
Nesta última década, que passou num ápice, raros foram os dias em que não passei pelo blogue da Amanda. Deixei-me apaixonar, daqui de longe, acompanhando-a e muitas vezes procurando nela o alento e o conforto que me faltavam, sabendo que ela, se vivêssemos perto, seria uma amiga para a vida.
Quantas vezes imaginara uma tarde passada com ela, à conversa, depois de um dia de árduo trabalho na quinta. Era um sonho que eu alimentava (e que me alimentava a mim) mas que, aqui entre nós, nunca imaginei ser possível acontecer.
Pois bem. Esse sonho acordou. De um dia para o outro eu estava na estação de Cascais à espera da Amanda e da Stacy, sem flores e sem banda como a ocasião merecia, mas com o coração nas mãos, como se um verdadeiro amor viesse naquele comboio.
Fomos ao mercado, conversámos, almoçámos, visitámos a The Craft Company, passeámos, rimos muito, tentámos pôr dez anos em dia de uma só vez, provámos os gelados umas das outras e prometemos rever-nos do outro lado do Oceano, em breve.

O meu muitíssimo obrigada à Marta e à Sacha pelo apoio e companhia neste dia tão importante para mim!

E aqui estou. Ainda sem acreditar que tudo isto aconteceu de verdade. 


a vida, por aqui

being part of the craft company team teaching how to make a simple dress Amanda Soule in Lisbon


Segunda-feira. 
Pausa.
Sinto que passou um tornado por mim nas últimas semanas. Sei que fiz muito, corri de um lado para o outro, estive em todo o lado, esforcei-me ao máximo - e no entanto, só me lembro de duas ou três coisas.

Sei que tive a filha doente por mais de vinte dias em casa. Felizmente já está bem mas ficou em mim aquele alarme sempre pronto a disparar que a maioria das mães tão bem conhece.

Sei que por mim têm passado centenas de metros de tecido que nos vão fazendo chegar para transformarmos em vestidos para as meninas em África. Sei por isso que o mundo está cheio de boas pessoas e que é fácil fazermos algo em conjunto por um mundo melhor. Que dá trabalho, muito trabalho, mas que é possível. E que é muito gratificante. 

Sei que dei a primeira aula de costura em toda a minha vida e que correu bem! Ajudei a Cláudia e a Inês a fazer um vestido para o Dress a Girl  e que bom que foi vê-las tomar esse poder em mãos, o de saber fazer uma peça de roupa. 

Sei que o Amo-te Mil Milhões chamou por mim muitas vezes e que não lhe pude dar atenção, com muita pena minha. 

Sei que entrei para a equipa da The Craft Company, onde eu já me sentia em casa, e que lá estou aos fins de semana a tentar conhecer melhor todo aquele mundo de fios, tecidos, agulhas e tanto mais.

Sei que alcancei um dos meus maiores sonhos dos últimos dez anos, que julgava tão difícil de alcançar - conhecer a Amanda Soule e dar-lhe um grande abraço por tudo de bom que me tem dado ao longo desta década! Senti-me como uma criança a olhar para o seu ídolo, consciente do ridículo que é idolatrar alguém, mas felicíssima por a vida me ter dado aquela alegria! 
Graças à Rosa, que recebeu a Amanda na Retrosaria, à Sacha, que ficou na The Craft Company a segurar as pontas sem mim e à Marta que me fez companhia pude viver um momento que jamais esquecerei e que guardarei comigo para me lembrar de que nada, nada é impossível. De que se nos mantivermos no caminho que acreditamos ser o nosso, que tudo é possível. De que o esforço tem sempre a sua recompensa.

Olhando para trás, nestas últimas semanas, sinto que algo passou por mim a correr - talvez um alinhamento nos planetas, um antepassado a olhar por mim, um ciclo a fechar-se e outro a começar - quem sabe? E eu estive lá, presente, a correr mas a saborear o momento, grata por todos os seres humanos que estão, neste momento da minha vida, a meu lado. 

Hoje é segunda-feira, dia de pausa. E eu, sem pausa, não quero ser. É na pausa que me encontro. E que vivo tudo outra vez, mas devagar.

Uma boa semana a todas!

boneca Luísa

Luísa Luísa Luísa Luísa


Quando um avô faz questão de oferecer uma boneca feita pelas nossas mãos à sua neta querida, isso é... uma grande honra. 
A Luísa não foi uma boneca difícil para nascer e acredito que será uma grande companheira. Parece-me doce, delicada, aventureira e destemida. Assim que se pôs de pé, agradeceu-me por a ter trazido ao mundo, desejou-me as maiores felicidades e apanhou o primeiro avião para o Brasil. 

... Vai mandando notícias! Diverte-te muito!

Dress a Girl Around the World - Portugal

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dress a girl around the world portugal

Temos corrido muito nos bastidores do Dress a Girl Around the World. Mas fazêmo-lo com tanto amor e dedicação que quase não cansa! Com poucos meses de vida em Portugal, este projecto já conseguiu tanto que o facto de estar envolvida de corpo e alma me deixa imensamente feliz e orgulhosa. Orgulhosa de todas as pessoas que têm aparecido com matéria prima para dar, com o seu tempo e habilidade, com a sua vontade de participar. Orgulhosa também de organizações como a The Big Hand e a From Kibera With Love que trabalham arduamente para mudar a vida de tantas crianças e que entegaram pessoalmente vestidos feitos por nós a meninas em Moçambique e no Quénia, respectivamente.
Sentimos que estamos no caminho certo e nada nos fará parar. 
É incrível o poder que uma só pessoa tem em mãos - o que dizer de um grupo inteiro ao qual se juntam mais e mais mãos prontas a costurar? 


lebre de Setembro

nova lebre nova lebre nova lebre nova lebre

Os dias têm passado a correr. 
Sejamos sinceras, os dias não correm. Quem corre somos nós. 

Tenho passado os dias a correr. 
Também não é bem verdade. Só costumo correr ao fim do dia quando já estou atrasada para ir buscar a senhorita Alecrim. 

Recomeçando. 
Não tenho desperdiçado um minuto dos meus dias. Ultimamente tenho estado mais por aqui mas isso não quer dizer que o Amo-te Mil Milhões tenha sido posto de lado. 

Nasceu há poucos dias uma lebre. Admirou-se por estar tanto calor e precavida como é, pediu-me uma capa quentinha. Percebi e pisquei-lhe o olho. Gostamos de sol mas não há nada como um bom aconchego.

Dress a Girl Around the World - Portugal

Dress a Girl Around the World - Portugal

foto por The Craft Cmpany

Querido Diário,
tenho andado ocupada com a vida. Cheguei aos 40 com a sensação de que a partir de agora vou concretizar os meus sonhos mais ousados, aqueles que me perseguem desde pequena, tu deves lembrar-te deles. 
Andava eu a preparar-me para começar um projecto a solo, algo que não me saía da cabeça, que me mantinha acordada à noite por não saber bem como começar. Eu sabia que queria seguir o exemplo de Lillian Webber. Costurar um vestido por dia parecia-me algo perfeitamente possível e, sabendo fazê-lo, começava a não suportar a ideia de não o estar a fazer já. E como vem já sendo costume, a vida, ao apanhar-me na estação certa fez o comboio parar. 
De um dia para o outro, a The Craft Company anuncia que procura voluntárias para costurar para a Dress a Girl Around the World - Portugal. Nesse encontro conheço a Vanessa, embaixadora do projecto em Portugal e fico a saber que chegou há poucas semanas ao nosso país, trazendo este projecto consigo, recém nascido por cá.
O que quero dizer, Querido Diário, é que a vida me ouviu. Ou eu ouvi a vida. Talvez a vida só nos ouça quando a ouvimos a ela. E a vida ouviu a Vanessa também e disse-lhe para vir viver para Cascais, no prédio ao lado do meu. E desde então temos trabalhado neste projecto com muita paixão. E temos contado com a ajuda de muita gente boa que acredita que um vestido é importante, sim e que juntas fazemos a diferença, sim. 
Prometo dar notícias. Não serão tantas quanto as centenas de vestidos que nos passam pelas mãos, mas prometo dar voz a este movimento. Voz e mãos!

um por todos, todos por um


Entre ontem e hoje, juntamente com familiares e amigos levámos mais de 800 garrafas de água e mais de 100 barritas de cereais à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Cascais

Entre ontem e hoje muitos amigos e conhecidos espalhados pelo país foram deixar o seu donativo no quartel de bombeiros da sua região. 

Entre ontem e hoje vi bombeiros genuinamente agradecidos e surpreendidos pelo movimento de cidadãos que decidiu aparecer no quartel, mostrando que não estão adormecidos, que não se limitam a comentar as notícias, que se lembraram que os bombeiros são pessoas como todos nós. Acredito que só entre ontem e hoje muita gente, eu incluída, parou para pensar no que significa ser bombeiro voluntário. Só entre ontem e hoje olhei um bombeiro nos olhos e lhe vi a fragilidade humana, coberta por um corpo forte e um fato incrivelmente quente para o calor que se faz sentir.

Entre ontem e hoje muitas foram as partilhas pelas redes sociais alertando para o facto de os bombeiros estarem a aceitar garrafas de água, barras de cereais, bolachas e fruta e isso, acredito, teve efeito imediato. Em pouco tempo, pelo país inteiro, os quartéis de bombeiros começaram a receber - e muito bem! - visitantes desejosos de ajudar. 

E se venho aqui mostrar o que fizemos é somente para que esta corrente continue, na esperança de inspirar alguém a fazer o mesmo. Porque - acreditem -  juntos somos muitos. E todos somos o país que temos.


terra casa filha mãe

terra

terra

Como é que se escreve a um amigo a quem não dizemos nada há muito? Assim, de coração nas mãos (como sempre faço), na esperança de recuperar aquilo que tínhamos e de continuar a caminhar perto um do outro.

Venho aqui dizer que não me fui embora e que pretendo ficar. Sou de ficar. Mas os dias, embora a meu ritmo, chamam-me para todo o lado e à noite, quando gosto de escrever, caio no sofá e as palavras adormecem junto comigo.

Há muito para fazer, para partilhar, para sentir e eu não sou de desistir! Até breve!

wwkpd 2016 em Cascais

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No passado sábado foi dia mundial de tricotar em público e a minha terra participou! Dezenas de pessoas apareceram para tricotar na rua, em frente à The Craft Company. As tricotadeiras de Oeiras, as Tricomania em Cascais, o Knitted by Macho Men e tantos outros apareceram de agulhas na mão! Foi uma festa, um exemplo de como podemos mudar tanto no mundo, de como a vida pode ser simples e descomplicada quando quebramos barreiras e fazemos aquilo de que gostamos. 
Ali, sentada à porta da loja, acompanhada por pessoas com um interesse em comum, mais que isso, com um amor comum, percebi o quanto a cidade foi retirando ao cidadão enquanto este se foi fechando em si e na sua correria diária. Porque é que já não nos sentamos à porta de casa ao fim do dia com os vizinhos? Será pelo mesmo motivo que os nossos filhos já não sabem o que é estar na rua com os amigos, mesmo sem nada para fazer? 
O que tenho aprendido é que basta dar o primeiro passo. No meu caso, descobri que Cascais tem gente muito interessante. E isso faz-me tão mais feliz que começo a tratá-la como sendo a minha terra!

Papoila

Papoila Papoila Papoila Papoila Papoila Papoila

Interpretar os sentimentos de quem quer dar algo único a alguém muito especial e dizê-lo assim, num silêncio puro, cheio de vida, cheio de sonho, cheio de Humanidade, eterno.

Esta é a primeira de muitas bonecas que espero vir a fazer. Estava desejosa de poder experimentar expressões faciais e penteados, um novo desafio, um novo universo! Aqui usei lã Dona Maria para o cabelo, uma mistura de merino e seda, muito macia e bonita. Não podia estar mais satisfeita.

Feita com toda a minha atenção e tempo, boa vontade e exigência por um trabalho de excelência resta-me esperar que seja bem recebida e acarinhada e que dure, se possível, uma vida inteira pois é com essa intenção que é feita.


milagres na varanda

na varanda na varanda na varanda na varanda na varanda na varanda na varanda

A varanda não é grande, consigo dar quatro passos largos de uma parede à outra. Mas o que lá acontece, neste momento, é tanto que quem a vê fica de boca aberta. Principalmente aqueles que não estão habituados a ver crescer o seu alimento (ou qualquer alimento!) ficam verdadeiramente confusos. Como pode ser tão fácil? Então a comida cresce assim, num vaso, em poucos dias? Sim! É das coisas mais fáceis e básicas que o ser humano pode e deve fazer! E mesmo não tendo varanda, há sempre um parapeito de uma janela ou uns vasos dentro de casa onde a luz solar, água e vontade de melhorar a vida chegam. 
Na verdade, é tão fácil e básico que uma criança consegue tomar conta de grande parte do processo. Na verdade, é tão fácil e básico que torna o facto de existir fome no nosso país ainda mais intolerável. 
Temos comido alface todos os dias há quase dois meses. E só tenho seis pés de alface. Seis pés de alface tem chegado para alimentar uma família de quatro pessoas (que adoram alface!). Como? Vamos retirando uma ou duas folhas de cada uma e elas continuam a crescer, sempre bonitas! A natureza é assim!
Chamem-me ingénua mas eu acredito em milagres. Faço questão de acreditar neles e de os proporcionar. Por vezes dão trabalho mas os frutos são uma maravilha.

work in progress

wip wip wip

Há muito que queria embarcar numa nova aventura. Sonhava com cabeleiras fartas e traços humanos e as suas infinitas possibilidades. Infinitas possibilidades. 
Contar a história que cá vai dentro, a minha história, real e sonhada - porque todos somos realidade e sonho, um conto íntimo que ganha asas e voa.
Ainda estou a trabalhar nela mas aos poucos vejo-a ganhar forma. E ela olha-me e diz-me o mesmo. 

Entretanto, a LeCool diz que sou uma dos 100 lisboetas a conhecer. A verdade é que quem segue este blogue há 8 anos já me conhece razoavelmente bem ;)

da camisa do irmão

reciclar reciclar reciclar

Reciclar roupa é das minhas coisas preferidas de fazer. Porque não gosto de deitar fora algo que ainda tem muito para dar, porque gosto de puxar pelas ideias, porque adoro transformar. Porque, verdade seja dita, a sociedade em que vivemos é obcecada por deitar fora e eu, mais uma vez, discordo. Sabe bem e é necessário mas muitas vezes o deitar fora é um acto mecânico de quem deixou de saber fazer e se habituou a chamar lixo às coisas. A mim custa-me deitar fora um frasco de vidro, quanto mais uma camisa em bom estado.
Olhando para ela aqui assim, acho que é capaz de ter ficado com ar de bata. Mas que importa? Que se encha de terra, tinta e plasticina, que é tudo o que uma mãe pode desejar à sua filha de quatro anos, artista de alma e coração. 

-" Os artistas podem sujar-se, mãe!" 
-" Podem e devem, filha."



Monster High, por senhorita Alecrim

Monster High,
por senhorita Alecrim

(Não é desenho animado que passe cá por casa nem é nome que se consiga dizer em língua estrangeira aos quatro anos de idade mas a sua persistência foi tal que acabei por descobrir quem era afinal a musa de que tanto falava. Ela gosta é de monstros, de bruxas e de lobos maus. )