quando as mãos se juntam por uma causa

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Há pouco mais de um mês pedi para me ajudarem a ajudar. É difícil acreditar que passou apenas um mês. Tanto eu, como a casa, como a minha família passámos a viver em torno de novas prioridades. Novas para eles, muito antigas para mim. Em tão pouco tempo, tanto aconteceu.
Na verdade, não gosto do termo "ajudar". Quando os meus avós ficaram comigo para me criar, não o fizeram para ajudar. Quando o meu marido larga tudo para me socorrer no que seja que for que está a acontecer, ele não o faz para ajudar. Quando eu estou a sofrer e telefono a um familiar mais próximo e essa pessoa aparece em minha casa em poucos minutos, ela não o faz para ajudar. Quando o meu filho me vem dar um abraço, ele não o faz para me ajudar a sentir melhor, ele fá-lo para se sentir melhor, para se cumprir, para estar de acordo com aquilo que vai dentro dele.
E é isso que eu sinto dentro de mim, que tenho que cumprir o que cá vai dentro. 
E enquanto houver crianças no mundo que não têm os mesmos direitos e oportunidades que os meus filhos, enquanto houver no mundo idosos que moram em miséria e solidão, enquanto houver no mundo mulheres sem liberdade e sem perspectiva de futuro eu não poderei alcançar a paz que tanto almejo. 

Nestes 9 Kgs de boa vontade foram:

  • 6 casaquinhos de lã para bebé feitos pela Sónia Valente (Trinca Tricot)
  • 12 bonecos de pano, 12 porta-moedas/telemóveis, 2 malas, 1 pequeno taleigo, 1 capa para caderno, 1 poncho, 1 gorro, 1 camisola de lã feitos pela Teresa Bray (Loja do Lagarto)
  • 30 gorros para criança feitos pela Alexandra Sarzedas (a Alexandra contribui também com muitas mantas polares que não aparecem nas fotos)
  • 5 gorros em lã para criança, 3 bonecos de pano e 1 manta para criança feitos pela Ana Paula Barata (B'arte)
  • 3 gorros em lã para criança, 1 par de luvas em lã, 2 pares de botinhas em lã para bebé feitos pela Sofia Amaral (Entre a Serra e o Mar)
  • 2 mantas de retalhos para criança (muito difíceis de fotografar) por mim própria
Esta nossa pequena mas calorosa contribuição já está a caminho do seu destino, Refugees Aid BCN, que a encaminhará para a Grécia. A quem queria colaborar mas não chegou a tempo, estes meus (queridos!) amigos em Barcelona precisam de ajuda para fazer chegar todos os donativos ao seu destino. Podem ler aqui (e contribuir, se quiserem fazer parte deste movimento verdadeiramente Humano):



Todas nós queríamos ter feito mais, muito mais. Mas em tão pouco tempo, acho que o que conseguimos foi uma grande prova de que todos, juntos, fazemos a diferença. Bons exemplos disso não faltam.
Tenho a certeza de que o que fizemos chegará às mãos de muitas crianças. O resto, só podemos imaginar. 

Quanto a mim, não vou parar. Aliás, ainda não parei. Mas isso fica para a próxima. :)



Olívia

lebre Olívia Olívia lebre Olívia lebre Olívia lebre Olívia

A lebre estava pronta em Agosto, à espera que Olívia nascesse. No dia em que embarcou (foi para muito longe), a bebé nasceu.
Que sejam companheiras para a vida! Um abraço à mãe, que conheço desde pequena :)

gansos coroados


Os dias não são suficientes para tudo aquilo que quero fazer.
Nasceram sete gansos, desta vez coroados (não me perguntem porquê!), o que lhes dá um ar ainda mais altivo. Agora, há que fazer uma loja on-line (confesso que essa é a parte que menos gosto no meu trabalho).
Tenho que acabar as peças que comecei para enviar para as famílias refugiadas e recolher todos os trabalhos daquelas que se juntaram a mim neste projecto até o final da semana. Daqui a poucos dias seguem para a Grécia.
O aniversário da senhorita Alecrim está aí não tarda e eu já sei o que lhe quero fazer.
Haja saúde para mãos irrequietas :)
Tenham uma boa semana!

novos babetes

babetes babetes

Têm sido dias produtivos. As férias acabaram, os filhos regressaram à escola e eu volto, cheia de vontade, à minha mesa de trabalho. 
Babetes é das coisas que mais me pedem para fazer, sobretudo estes, com a cara das lebres. Aqui ficam pois os últimos que fiz, disponíveis. Não sei o que se passa, mas não consigo parar de os fazer.

lebre António

lebre António lebre António lebre António lebre António lebre António

Felicidade é acompanhar o crescimento de uma família com o trabalho das nossas mãos. 

por aqui






Por aqui, tenho passado os dias a fazer bonecos de pano e mantas de retalhos para dar a quem mais necessita. Pelo menos é assim que vejo o que estou a fazer. Fez-me muito feliz ter filhos, marido e tia a ajudar. São trabalhos simples, muito diferentes dos que costumo fazer, porque desta vez o meu objectivo é chegar ao maior número possível de pessoas. 

A casa está cheia de sacos de roupa que, juntamente com alguns membros da família consegui juntar. Só não estou a angariar mais porque não tenho onde guardar. Tenho passado muito (demasiado) tempo ao computador, a mandar e-mail para aqui e para ali, a tentar perceber o que devo fazer para ajudar de forma organizada. Constato que, neste momento, organização ainda não há muita. 

Neste momento parece-me que nenhuma instituição consiga dar respostas muito concretas às minhas perguntas: - onde entregar os bens materiais? - qual a sua capacidade logística? etc, etc. 

Apareceram grupos no facebook de ajuda aos refugiados, o que acho muito bem, mas quando lhes ponho as mesmas questões, a resposta é a mesma ou nenhuma. Continuo a aguardar, não sou muito paciente mas sou esperançosa. Percebo que a organização leve o seu tempo, mas sem ela a boa-vontade não chega a lado nenhum.

A verdade é que ainda não foi publicada a lista das instituições que irão receber refugiados em Portugal. Quem mo disse foi a própria Plataforma de Apoio aos Refugiados. O que a PAR tem estado a pedir a todos os que têm donativos em género é que os canalizem para essas instituições que, no entanto, ainda se estão a inscrever. Portanto, eu aguardo, cheia de vontade de fazer muito mais.

Dia 12, Dia Europeu de Acção pelos Refugiados, haverão por todo o país, acções de solidariedade para recolher donativos* em género como roupas, brinquedos, livros, artigos de higiene, roupa de cama, etc. Para saber mais, leiam aqui. Os donativos, diz a organizadora, serão entregues às associações e instituições que integram a Plataforma de Apoio aos Refugiados. A Plataforma de Apoio aos Refugiados, como já referi, disse-me que ainda não foi dado a conhecer a lista das instituições.

O que vos posso dizer com toda a certeza é que estou a fazer mantas de retalhos e bonecos de pano para dar a quem precisa. Seja quem for, de que cor for. Isto é algo que me está no sangue e não me deixa dormir à noite. Eu sei que um boneco não salva a vida a ninguém mas tenho a certeza que leva consigo uma mensagem de paz.

A quem tem mostrado vontade de ajudar, isto é o que vos posso dizer, por agora. As instituições (como a AMI, que tinha referido) ainda estão a trabalhar no sentido de poderem actuar organizadamente. 
A quem está, como eu, a fazer coisas à mão, o que digo é o mesmo. Vamos deixar passar mais uns dias e esperar que a tal lista seja publicada. Continuem que o vosso esforço é necessário e será bem vindo!

Quero ainda lembrar que os CTT criaram uma caixa solidária aquando das cheias na Madeira e que desde essa altura é possível enviar donativos em género para várias instituições de solidariedade sem pagar o envio.


*Actualização:

Os organizadores da marcha de dia 12 decidiram NÃO receber donativos nesse dia pois não terão capacidade logística para tal. Tal como disse acima, a lista das instituições e organizações que irão acolher refugiados está quase pronta e só nessa altura saberemos a quem entregar os donativos.


ajudem-me a ajudar

“Women rock the cradles with their right hand and the world with their left.”

ditado Sírio


Olá a todas! Hoje venho pedir que se juntem a mim. Que se juntem umas às outras e que todas façamos algo de útil, neste momento em que a humanidade grita por socorro. O Inverno vem aí. Há milhares de pessoas a viver em campos de refugiados. Vão ser precisos muitos agasalhos, roupas quentes - e brinquedos, que aqueçam corpo e alma. Eu tenho duas mãos, tempo e matéria prima. E vocês?

Peguem em lãs e agulhas, em tecidos e tesouras e façam agasalhos, mantas, bonecos de pano. Quem assim entender, poderá enviar o seu trabalho para mim, que entregarei à AMI

Aproveitem o fim de semana, juntem a família e façam algo juntos. Se não souberem o que fazer, há muitos projectos de costura, crochet e tricot pela internet. Aqui ficam alguns exemplos simples que encontrei (com instruções e moldes):


http://www.purlbee.com/2014/10/25/super-easy-crib-blanket-in-super-soft-merinos-newest-colors/

http://www.purlbee.com/2014/02/02/lauras-loop-the-boyfriend-hat/

http://www.purlbee.com/2011/11/27/mollys-sketchbook-felted-wool-wrist-warmers/

http://www.purlbee.com/2008/04/04/mollys-sketchbook-a-trip-around-the-wool-1/

http://www.purlbee.com/2011/02/13/whits-knits-crocheted-striped-hand-warmers/

http://whileshenaps.com/2014/12/free-pattern-josephine-doll.html

http://whileshenaps.com/2013/05/free-teddy-bear-sewing-pattern-pete-the-bear.html

http://www.purlbee.com/2015/07/06/learn-to-crochet-a-granny-square-blanket-kit/

http://www.purlbee.com/2014/11/07/crocheted-super-easy-baby-blanket/

http://www.purlbee.com/2009/04/08/mimi-kirchners-hand-sewn-felt-doll/

http://www.purlbee.com/2012/03/04/lauras-loop-flannel-receiving-blankets/

http://www.purlbee.com/2013/05/30/mollys-sketchbook-wool-and-liberty-teddy-bear/

http://www.purlbee.com/2013/02/17/mollys-sketchbook-soft-woolen-bunny/

http://www.purlbee.com/2013/11/24/corinnes-thread-winter-baby-bonnet/

http://www.purlbee.com/2014/03/06/corinnes-thread-cozy-sewn-cowl/


Se estiverem em Espanha, a minha amiga Rita está a juntar roupas quentes e agasalhos para enviar para Kos:

https://www.facebook.com/refugeesaidbarcelona/info

Se quiserem ajudar de outra forma: 

http://www.independent.co.uk/news/world/europe/5-practical-ways-you-can-help-refugees-trying-to-find-safety-in-europe-10482902.html

Se preferirem enviar matéria prima, como lãs e agulhas, tenho a certeza de que serão bem recebidas:

http://childrenofsyria.info/2015/03/12/knitting-our-lives/?utm_content=buffer1513f&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

Os meus pensamentos estão, inevitavelmente, com as mulheres e crianças:

http://www.rescue.org/arewelistening


Por agora, a ideia é actuar o mais rapidamente possível, ainda em Setembro. 

Se tiverem dúvidas, contactem-me, deixando aqui um comentário ou se preferirem, por e-mail. 


Peço que participem, que façam a vossa voz se ouvir e que deixem as vossas mãos cumprir a sua missão: ser útil!



algarve

Algarve Algarve Algarve Algarve

Voltámos ao mesmo Algarve do ano passado. De todos os Algarves que já visitámos, parece que este nos conquistou. De tão simples que é, serviu-nos como uma luva. Ou melhor, como um calção de banho. Decidimos os três (a quarta está sempre pronta a passear, votando sempre a favor) que sim, que queríamos voltar àquele mesmo lugar, onde as casas não são nada de especial, onde o parque infantil cai de podre, bem como a mesa de matraquilhos, onde nunca se sabe como serão as pessoas com quem teremos que conviver. Mas a piscina está lá, os animais da quinta estão lá, o parque infantil está lá e a mesa de matraquilhos está lá. E a verdade é que naquele espaço de terra se forma sempre uma pequena aldeia que se junta de manhã, à tarde e à noite, mais as crianças que os adultos, mais os homens que as mulheres. Ali faço o almoço à janela, os miúdos ouvem-se lá fora, estão bem. A bicharada lá mais longe espera as cascas e os restos de pão que lhe levamos com tanto gosto. Um ritual que nasce naturalmente, organicamente, inteligentemente. 
E dou por mim a dizer "quero tanto viver assim". 

Paris

Paris Paris Paris Paris



Em Julho fomos a Paris. Quisemos fazer uma surpresa aos filhos e conseguimos até ao último momento. Só em frente ao aeroporto, quando viram malas a sair da bagageira do carro é que perceberam que algo estava prestes a acontecer. Foi difícil aguentar tanto tempo calada, eu que dou as prendas de natal muito antes do natal chegar, fiz tudo como uma verdadeira profissional da surpresa. Tudo foi organizado em segredo, as malas feitas enquanto dormiam, uma mentirinha inofensiva de manhã para os arrancar da cama e lá fomos. Direitos à Disneyland Paris. Felizmente, um pequeno lapso levou-nos a Paris, antes de voltar a casa.
Sobre a máquina Disney, um dia ainda aqui falarei da minha experiência, de como as minhas fracas expectativas conseguiram ainda assim ser surpreendidas, pela negativa. Os miúdos gostaram, claro, e eu espero não ter sido muito chata.
Quanto a Paris, deve ser saboreado com tempo, com calma e já agora com um je ne sais quoi de elegância, ingredientes que não levávamos connosco, infelizmente. Ficámos a dormir num apartamento muito simpático (e muito quente) a meia hora da cidade, que é como quem diz a uma a duas horas de transportes públicos. Muito calor. O calor do dia mais quente do verão alentejano dentro de uma cidade cheia de gente, com chão de um pó branco que parece querer mandar todos aqueles milhares de turistas de volta para as suas terras. Estou a falar de um chão impróprio para pés de chinelo que caminham quilómetros desde o Louvre até à Torre Eiffel com duas crianças atrás, debaixo de um sol abrasador. Crianças essas que adoraram a Torre, e eu que não fazia ideia que também ia gostar tanto! É bonita, sim senhora!
Tivemos o prazer de ver Eric Van Osselaer tocar, genialidade e simpatia em pessoa. A senhorita Alecrim fez o seu retrato que eu acho tão genial quanto o original.
Gostei dos parisienses, atenciosos (eu sei, eu sei, mas connosco foram sempre!), charmosos, da sua elegância, da perfeição do minimalismo delas e da discreta extravagância deles, da cultura que sai pelos poros de cada parede. Vi uma cidade instruída, culta, apreciadora das coisas boas da vida. Mas também vi o que a maioria dos turistas não vê por não ficar num apartamento a meia hora da cidade, que é como quem diz uma a duas horas de transportes públicos. Vi os subúrbios. E esses, são tão sujos quanto os nossos.

Para mim, Paris deve ser sorvido aos poucos. Talvez lá volte um dia.

lebre Maria

lebre Maria


lebre Maria


lebre Maria


lebre Maria



A lebre Maria já está na sua nova casa. Espero que brinque muito e que seja uma excelente companheira. Foi feita com carinho, para durar muito e muito tempo!