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Algarve Algarve Algarve Algarve

Voltámos ao mesmo Algarve do ano passado. De todos os Algarves que já visitámos, parece que este nos conquistou. De tão simples que é, serviu-nos como uma luva. Ou melhor, como um calção de banho. Decidimos os três (a quarta está sempre pronta a passear, votando sempre a favor) que sim, que queríamos voltar àquele mesmo lugar, onde as casas não são nada de especial, onde o parque infantil cai de podre, bem como a mesa de matraquilhos, onde nunca se sabe como serão as pessoas com quem teremos que conviver. Mas a piscina está lá, os animais da quinta estão lá, o parque infantil está lá e a mesa de matraquilhos está lá. E a verdade é que naquele espaço de terra se forma sempre uma pequena aldeia que se junta de manhã, à tarde e à noite, mais as crianças que os adultos, mais os homens que as mulheres. Ali faço o almoço à janela, os miúdos ouvem-se lá fora, estão bem. A bicharada lá mais longe espera as cascas e os restos de pão que lhe levamos com tanto gosto. Um ritual que nasce naturalmente, organicamente, inteligentemente. 
E dou por mim a dizer "quero tanto viver assim". 

Paris

Paris Paris Paris Paris



Em Julho fomos a Paris. Quisemos fazer uma surpresa aos filhos e conseguimos até ao último momento. Só em frente ao aeroporto, quando viram malas a sair da bagageira do carro é que perceberam que algo estava prestes a acontecer. Foi difícil aguentar tanto tempo calada, eu que dou as prendas de natal muito antes do natal chegar, fiz tudo como uma verdadeira profissional da surpresa. Tudo foi organizado em segredo, as malas feitas enquanto dormiam, uma mentirinha inofensiva de manhã para os arrancar da cama e lá fomos. Direitos à Disneyland Paris. Felizmente, um pequeno lapso levou-nos a Paris, antes de voltar a casa.
Sobre a máquina Disney, um dia ainda aqui falarei da minha experiência, de como as minhas fracas expectativas conseguiram ainda assim ser surpreendidas, pela negativa. Os miúdos gostaram, claro, e eu espero não ter sido muito chata.
Quanto a Paris, deve ser saboreado com tempo, com calma e já agora com um je ne sais quoi de elegância, ingredientes que não levávamos connosco, infelizmente. Ficámos a dormir num apartamento muito simpático (e muito quente) a meia hora da cidade, que é como quem diz a uma a duas horas de transportes públicos. Muito calor. O calor do dia mais quente do verão alentejano dentro de uma cidade cheia de gente, com chão de um pó branco que parece querer mandar todos aqueles milhares de turistas de volta para as suas terras. Estou a falar de um chão impróprio para pés de chinelo que caminham quilómetros desde o Louvre até à Torre Eiffel com duas crianças atrás, debaixo de um sol abrasador. Crianças essas que adoraram a Torre, e eu que não fazia ideia que também ia gostar tanto! É bonita, sim senhora!
Tivemos o prazer de ver Eric Van Osselaer tocar, genialidade e simpatia em pessoa. A senhorita Alecrim fez o seu retrato que eu acho tão genial quanto o original.
Gostei dos parisienses, atenciosos (eu sei, eu sei, mas connosco foram sempre!), charmosos, da sua elegância, da perfeição do minimalismo delas e da discreta extravagância deles, da cultura que sai pelos poros de cada parede. Vi uma cidade instruída, culta, apreciadora das coisas boas da vida. Mas também vi o que a maioria dos turistas não vê por não ficar num apartamento a meia hora da cidade, que é como quem diz uma a duas horas de transportes públicos. Vi os subúrbios. E esses, são tão sujos quanto os nossos.

Para mim, Paris deve ser sorvido aos poucos. Talvez lá volte um dia.

lebre Maria

lebre Maria


lebre Maria


lebre Maria


lebre Maria



A lebre Maria já está na sua nova casa. Espero que brinque muito e que seja uma excelente companheira. Foi feita com carinho, para durar muito e muito tempo! 


lebre Sofia

lebre Sofia lebre Sofia

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Mais uma encomenda acabada, pronta a entregar. Entre refeições por fazer, louça por lavar, roupa por estender, canções de embalar, lixo por reciclar, comida por comprar ,narizes por assoar cresce um boneco de pano. Quando olhamos para ele pronto, esquecemo-nos das dores e das noites mal dormidas. 
Tudo o que quero é ter tempo para fazer tudo o que quero.

all the way from Texas

happy customers

Olhem só quem já mandou notícias! 
Dizem que estão bem, que gostam muito da sua nova família e que não se importam nada de dar uma ajudinha com os gémeos. 

Thank you guys! This made my day :)

os gatos gémeos

os gémeos
os gémeos os gémeos


Estou de volta, com muito trabalho em mãos, muitas ideias em mente, e muita vontade de dar vida a esta minha casa (que também é vossa). 
O que percebi e aceitei é que na minha vida, de momento, não cabe tudo. (Haverá vida em que tudo cabe?) Sentia a mente demasiado cheia, como que um quarto demasiado cheio e escuro em que ninguém entrava há muito tempo. Ninguém gosta de ter um quarto morto em casa, certo? Como cheguei a esse ponto, não sei, mas tenho a certeza que não sou a única a senti-lo. Talvez sejam os 40 a aproximar-se (entretanto fiz 39!). Senti que a bagagem que tinha às costas era demasiado pesada para aquilo que ainda quero caminhar. E que dessa bagagem, o que realmente preciso é muito pouco. Tenho me obrigado a desfazer de coisas de que não preciso, o que não é fácil para mim, que sou coleccionadora por natureza. Mas no fim, sabe mesmo bem perceber que conseguimos perfeitamente viver sem aquele casaco ou aquele vaso, que a culpa é uma invenção do ser humano e que se a superarmos crescemos e fazemos espaço na casa, na vida e mais importante ainda - em nós. 

Percebi e aceitei também que tenho que relaxar mais. Os meus dias, por incrível que pareça a muitos (até a mim!), são passados a correr desde que me levanto até que desmaio na cama. E isto, quase sempre dentro de casa (que não é grande). E isso é ridículo, não o aceito, não o quero na minha vida. Quero ter tempo para trabalhar, para ler, para brincar com os meus filhos, para caminhar, para ver bons filmes, para desenhar, para descobrir. E vou consegui-lo. Se os meus dias são mais frutíferos por andar a correr? Nem por sombras. 

Há que adoptar rotinas que me ajudem a criar novos hábitos. Para começar, vou voltar a partilhar um pouco dos meus dias por aqui, que gosto tanto de o fazer e vou voltar a acompanhar os dias de quem tanto gosto de ler. É algo que me faz feliz. Sem dúvida alguma, algo para manter.


os gémeos


Assim que nasceram, os gatos gémeos voaram para o Texas, onde tenho a certeza que serão felizes. Mandem notícias!

(re)organizar(-me)

casa casa

Um dia voltarei a ter mais tempo para este meu espaço que criei. Em breve, espero, organizarei o meu dia de forma a conseguir chegar a uma rotina de trabalho metódica, sã, frutífera. Já não sou a pessoa que começou este blogue há oito anos atrás por isso não desejo voltar aos meus dias de então (insistir no impossível é sempre luta perdida). Quero, sim, ser a pessoa que hoje sou, com a família que hoje tenho, arcando com todas as responsabilidades que escolhi para mim, com tempo e espaço para aprender e fazer mais e mais no meu campo de trabalho. 
Campo de trabalho é, descobri-o agora mesmo, uma expressão bonita e reflecte muito bem aquilo que encontrei naquilo que faço. Transformar matéria prima em algo novo, tridimensional, prático e útil, "humanizar" matéria prima é um campo tão vasto quanto a vida e dá-me espaço para ser quem sou, para alargar os meus horizontes, para crescer e me descobrir. É isso que gosto tanto no meu trabalho. É um campo infinito, para toda a vida, maravilhoso. Não deixa, que fique claro, de ser trabalho. Só eu sei (e quem faz o mesmo que eu também o sabe) o trabalho que isto dá, as horas que isto leva, os olhos que isto gasta (e as costas!). Mas a verdade é que quem corre por gosto não cansa e nunca, desde que deixei de trabalhar para outros e de ser só mais um número, nunca mais acordei de manhã a pensar na chatice que era ter que trabalhar. Em oito anos, o trabalho faz-me levantar da cama entusiasmada e cheia de vontade de pôr as mãos na massa. E eu sei a sorte que tenho.

Tenho umas encomendas por terminar que serão as últimas por algum tempo. O vosso apoio tem sido como que as asas que me ensinam a voar mas eu vou ter que abrandar. Vou tirar um tempo para me organizar (quem lê este blogue há algum tempo já está familiarizado com esta frase), a mim, à casa, à família e ao meu campo de trabalho. Quero pôr em prática umas ideias que tenho e para tal vou precisar de tempo, de espaço e de rotina de trabalho. 

Nessa rotina, quero incluir também a minha dedicação a este espaço virtual, que embora não seja a vida real eu gosto de ver como um grande espelho da realidade actual. Este espaço tem sido sempre um lugar honesto, onde a vida se mostra como eu a vejo e assim quero que continue. Enviar mensagens em garrafas e lançá-las ao mar, à sorte, é um acto de amor, de esperança, de confiança. E é assim que eu sou.


invólucro

invólucro invólucro invólucro

Felicidade é construir, com vagar, algo que nos faz sorrir.


lebre

lebre : hare lebre : hare lebre : hare lebre : hare

Está pronta. Está pronta para passear, está pronta para o calor, está pronta para festejar o nascimento de uma menina que aí vem. 

- " Estou pronta!" , disse ela.
- " Então podes ir", disse eu. "Vai, brinca, porta-te bem. Sê feliz na tua nova casa. Mas lembra-te que dentro de ti levas muito de mim. Manda notícias, se quiseres!..."

Em oito anos a fazer bonecos, já me habituei a deixá-los ir. O importante é fazê-los, espalhá-los pelo mundo. Mas fico sempre a pensar se cumprirão o papel que imaginei para eles, se farão parte das brincadeiras diárias das crianças, se estas sentem o amor com que foram feitos. 
É por isso que agradeço muito as cartas e fotografias que me enviam. Um dia hei-de juntá-las todas e fazer um livro. 

trabalhar com a mãe

trabalhar com a mãe trabalhar com a mãe trabalhar com a mãe

Ela faz histórias das histórias que lhe conto. 
Ela desenha. Ela corta. Ela rasga. 
Ela passa uma tarde inteira com a plasticina.
Fala, fala, fala, fala. Que gosto tem em falar! 
Diz que quando for grande, que eu me chego para o lado e que costuramos as duas. 
Assim seja.

por terras de Miguel Torga

São Martinho de Anta São Martinho de Anta São Martinho de Anta São Martinho de Anta Casa de Miguel Torga, São Martinho de Anta São Martinho de Anta Espaço Miguel Torga, São Martinho de Anta Espaço Miguel Torga, São Martinho de Anta

Fomos visitar a avó. E agora que a avó mora tão longe, podemos dizer que vamos à terra, embora não seja a nossa. Eu, que nasci em Lisboa e cresci com o Palácio da Pena a olhar para mim, ainda não sinto um lugar como sendo meu. Pergunto-me se algum dia o encontrarei ou se faz parte de mim não pertencer. Tenho amor à terra que é terra, ao ar que é puro, à água fria da nascente e é isso que chama por mim. E cada vez chama mais alto, há urgência em lá chegar, dois seres destinados, não posso morrer sem o encontrar.
Esta terra, que tão bem acolheu a minha mãe, é terra de gente grande. Há espaço para isso. É só querer crescer. 
Ali nasceu e viveu Miguel Torga e juro que quando subo a Senhora da Azinheira, e nada mais ouço que o silêncio que me enche a alma, quase que o vejo caminhar. Se eu ali morasse enchia-me de ar. Eu sei que aqui também o há, mas é diferente. Aquele ar.

Não podíamos deixar de passar pela casa que a avó pintou, sobre a qual já aqui falei, até porque ela está no meio da praça central, tendo conquistado um merecido estatuto de atracção turística. Logo ao lado passamos pela pequena casa onde Miguel Torga viveu, tão bonita e singela que me diz que é assim leve para não deixar marca no chão. Mais uns passos e chegamos ao Espaço Miguel Torga, centro cultural de autoria de Eduardo Souto Moura, espaço amplo e luminoso, do tamanho da alma do escritor, pronto para a vida cultural do país. Saí dali com uma vontade imensa de agarrar os meus livros de Miguel Torga e de caminhar o chão da nossa Península.



" Sou, na verdade, um geófago insaciável, necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição. Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, e atiro-me às serranias como à broa da infância. É fisiológico, isto. Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal. Uma província ainda mais pobre do que as outras, que apenas produz uns magros e tristes versos..."

Diário VIII

Dora & Gaspar

Dora & GasparDora & Gaspar Dora & Gaspar Dora & Gaspar


Dora e Gaspar partilharam a mesma casa durante nove meses (mais coisa menos coisa). Partilharam todo um universo durante aquela sua primeira vida. O universo, quanto mais cresciam, mais crescia também. Eram feitos da mesma verdade, do mesmo som, da mesma cor. 
Certo dia decidiram que já tinham visto tudo, que era hora de expandir horizontes. E depois de um mundo, entraram num outro mundo. Um mundo de abraços quentes à sua espera, um mundo ainda maior do que aquele que até ali tinham conhecido. O amor afinal não tinha fim.

Dora e Gaspar vão crescer. E o tempo lhes ensinará que também este universo cresce consigo. E que a casa somos nós, tão grande quanto o nosso coração quiser. 

Aos pais, um forte abraço de parabéns, com a certeza de que serão felizes para sempre. 

Março

Março Março Março

Março traz consigo o dia da mulher, que para mim sempre foi e será o dia de aniversário da minha avó. Este ano consegui, pela primeira vez, pendurar uma fotografia dela na sala mas acho que a vou retirar. No dia 8 senti que tinha que lhe criar um pequeno altar mas ainda não consigo olhar para ela assim, como uma pessoa a recordar. Ela está sempre comigo e assim permanece viva, em mim.

Março traz consigo a Primavera e a energia que a terra sente, sinto-a eu também. " Em Março tanto durmo quanto faço" e é bem verdade. Tenho dormido mais e feito mais. A casa tem exigido atenção, depois de um longo Inverno. Os armários vão sendo revistados, aquilo que já não nos serve é dado a quem mais precisa, embora muita coisa ande apenas de armário em armário. É o arrumar do ninho. Fiz umas cortinas novas para a sala, 10 metros de vichy vermelho que me intimidavam um pouco pela sua forte presença mas ainda bem que tomei coragem porque a sala está cada vez mais a meu gosto. Agora tenho cortinas de revista.

Março traz consigo o organizar de trabalhos pendentes e os nossos botões são um deles. Temos novas ideias para pôr em prática que espero mostrar em breve.

Março traz consigo a renovação da assinatura da minha mais que preferida revista Taproot. A entrega é sempre super rápida por isso deve estar aí não tarda.

Março traz consigo força e esperança. Por mim, o ano podia começar agora.

roupa para bonecas

roupas para lebres roupas para lebres roupas para lebres roupas para lebres

"Querida Virgínia,

Para o caso de já não se lembrar de mim, sou a mãe que encomendou aquela a que chamou de "lebre de dezembro", em 2012, e que neste momento dorme embalada nos braços da minha filha. Tal como acontece todos os dias, desde então. :)"

São cartas como esta (posso chamar-lhe carta, não posso?) que me dizem que o trabalho que criei para mim é real e tem muito valor. Passados oito anos a fazer bonecos e a escrever para o universo, ainda não sei bem o que dizer quando me pedem a profissão. Falta-me a palavra certa que diga tudo o que faço. Quanto a mim, não são os nossos filhos que terão novas profissões, nós já as temos e precisamos de nomes apropriados. E "mãe a tempo inteiro artesã nas horas vagas e blogger em regime voluntário" não cabe no papel. 

A mãe da menina que dorme agarrada à lebre desde 2012 pediu-me umas roupinhas e aqui estão elas. Espero que brinquem muito.