lebre Sofia

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Mais uma encomenda acabada, pronta a entregar. Entre refeições por fazer, louça por lavar, roupa por estender, canções de embalar, lixo por reciclar, comida por comprar ,narizes por assoar cresce um boneco de pano. Quando olhamos para ele pronto, esquecemo-nos das dores e das noites mal dormidas. 
Tudo o que quero é ter tempo para fazer tudo o que quero.

all the way from Texas

happy customers

Olhem só quem já mandou notícias! 
Dizem que estão bem, que gostam muito da sua nova família e que não se importam nada de dar uma ajudinha com os gémeos. 

Thank you guys! This made my day :)

os gatos gémeos

os gémeos
os gémeos os gémeos


Estou de volta, com muito trabalho em mãos, muitas ideias em mente, e muita vontade de dar vida a esta minha casa (que também é vossa). 
O que percebi e aceitei é que na minha vida, de momento, não cabe tudo. (Haverá vida em que tudo cabe?) Sentia a mente demasiado cheia, como que um quarto demasiado cheio e escuro em que ninguém entrava há muito tempo. Ninguém gosta de ter um quarto morto em casa, certo? Como cheguei a esse ponto, não sei, mas tenho a certeza que não sou a única a senti-lo. Talvez sejam os 40 a aproximar-se (entretanto fiz 39!). Senti que a bagagem que tinha às costas era demasiado pesada para aquilo que ainda quero caminhar. E que dessa bagagem, o que realmente preciso é muito pouco. Tenho me obrigado a desfazer de coisas de que não preciso, o que não é fácil para mim, que sou coleccionadora por natureza. Mas no fim, sabe mesmo bem perceber que conseguimos perfeitamente viver sem aquele casaco ou aquele vaso, que a culpa é uma invenção do ser humano e que se a superarmos crescemos e fazemos espaço na casa, na vida e mais importante ainda - em nós. 

Percebi e aceitei também que tenho que relaxar mais. Os meus dias, por incrível que pareça a muitos (até a mim!), são passados a correr desde que me levanto até que desmaio na cama. E isto, quase sempre dentro de casa (que não é grande). E isso é ridículo, não o aceito, não o quero na minha vida. Quero ter tempo para trabalhar, para ler, para brincar com os meus filhos, para caminhar, para ver bons filmes, para desenhar, para descobrir. E vou consegui-lo. Se os meus dias são mais frutíferos por andar a correr? Nem por sombras. 

Há que adoptar rotinas que me ajudem a criar novos hábitos. Para começar, vou voltar a partilhar um pouco dos meus dias por aqui, que gosto tanto de o fazer e vou voltar a acompanhar os dias de quem tanto gosto de ler. É algo que me faz feliz. Sem dúvida alguma, algo para manter.


os gémeos


Assim que nasceram, os gatos gémeos voaram para o Texas, onde tenho a certeza que serão felizes. Mandem notícias!

(re)organizar(-me)

casa casa

Um dia voltarei a ter mais tempo para este meu espaço que criei. Em breve, espero, organizarei o meu dia de forma a conseguir chegar a uma rotina de trabalho metódica, sã, frutífera. Já não sou a pessoa que começou este blogue há oito anos atrás por isso não desejo voltar aos meus dias de então (insistir no impossível é sempre luta perdida). Quero, sim, ser a pessoa que hoje sou, com a família que hoje tenho, arcando com todas as responsabilidades que escolhi para mim, com tempo e espaço para aprender e fazer mais e mais no meu campo de trabalho. 
Campo de trabalho é, descobri-o agora mesmo, uma expressão bonita e reflecte muito bem aquilo que encontrei naquilo que faço. Transformar matéria prima em algo novo, tridimensional, prático e útil, "humanizar" matéria prima é um campo tão vasto quanto a vida e dá-me espaço para ser quem sou, para alargar os meus horizontes, para crescer e me descobrir. É isso que gosto tanto no meu trabalho. É um campo infinito, para toda a vida, maravilhoso. Não deixa, que fique claro, de ser trabalho. Só eu sei (e quem faz o mesmo que eu também o sabe) o trabalho que isto dá, as horas que isto leva, os olhos que isto gasta (e as costas!). Mas a verdade é que quem corre por gosto não cansa e nunca, desde que deixei de trabalhar para outros e de ser só mais um número, nunca mais acordei de manhã a pensar na chatice que era ter que trabalhar. Em oito anos, o trabalho faz-me levantar da cama entusiasmada e cheia de vontade de pôr as mãos na massa. E eu sei a sorte que tenho.

Tenho umas encomendas por terminar que serão as últimas por algum tempo. O vosso apoio tem sido como que as asas que me ensinam a voar mas eu vou ter que abrandar. Vou tirar um tempo para me organizar (quem lê este blogue há algum tempo já está familiarizado com esta frase), a mim, à casa, à família e ao meu campo de trabalho. Quero pôr em prática umas ideias que tenho e para tal vou precisar de tempo, de espaço e de rotina de trabalho. 

Nessa rotina, quero incluir também a minha dedicação a este espaço virtual, que embora não seja a vida real eu gosto de ver como um grande espelho da realidade actual. Este espaço tem sido sempre um lugar honesto, onde a vida se mostra como eu a vejo e assim quero que continue. Enviar mensagens em garrafas e lançá-las ao mar, à sorte, é um acto de amor, de esperança, de confiança. E é assim que eu sou.


invólucro

invólucro invólucro invólucro

Felicidade é construir, com vagar, algo que nos faz sorrir.


lebre

lebre : hare lebre : hare lebre : hare lebre : hare

Está pronta. Está pronta para passear, está pronta para o calor, está pronta para festejar o nascimento de uma menina que aí vem. 

- " Estou pronta!" , disse ela.
- " Então podes ir", disse eu. "Vai, brinca, porta-te bem. Sê feliz na tua nova casa. Mas lembra-te que dentro de ti levas muito de mim. Manda notícias, se quiseres!..."

Em oito anos a fazer bonecos, já me habituei a deixá-los ir. O importante é fazê-los, espalhá-los pelo mundo. Mas fico sempre a pensar se cumprirão o papel que imaginei para eles, se farão parte das brincadeiras diárias das crianças, se estas sentem o amor com que foram feitos. 
É por isso que agradeço muito as cartas e fotografias que me enviam. Um dia hei-de juntá-las todas e fazer um livro. 

trabalhar com a mãe

trabalhar com a mãe trabalhar com a mãe trabalhar com a mãe

Ela faz histórias das histórias que lhe conto. 
Ela desenha. Ela corta. Ela rasga. 
Ela passa uma tarde inteira com a plasticina.
Fala, fala, fala, fala. Que gosto tem em falar! 
Diz que quando for grande, que eu me chego para o lado e que costuramos as duas. 
Assim seja.

por terras de Miguel Torga

São Martinho de Anta São Martinho de Anta São Martinho de Anta São Martinho de Anta Casa de Miguel Torga, São Martinho de Anta São Martinho de Anta Espaço Miguel Torga, São Martinho de Anta Espaço Miguel Torga, São Martinho de Anta

Fomos visitar a avó. E agora que a avó mora tão longe, podemos dizer que vamos à terra, embora não seja a nossa. Eu, que nasci em Lisboa e cresci com o Palácio da Pena a olhar para mim, ainda não sinto um lugar como sendo meu. Pergunto-me se algum dia o encontrarei ou se faz parte de mim não pertencer. Tenho amor à terra que é terra, ao ar que é puro, à água fria da nascente e é isso que chama por mim. E cada vez chama mais alto, há urgência em lá chegar, dois seres destinados, não posso morrer sem o encontrar.
Esta terra, que tão bem acolheu a minha mãe, é terra de gente grande. Há espaço para isso. É só querer crescer. 
Ali nasceu e viveu Miguel Torga e juro que quando subo a Senhora da Azinheira, e nada mais ouço que o silêncio que me enche a alma, quase que o vejo caminhar. Se eu ali morasse enchia-me de ar. Eu sei que aqui também o há, mas é diferente. Aquele ar.

Não podíamos deixar de passar pela casa que a avó pintou, sobre a qual já aqui falei, até porque ela está no meio da praça central, tendo conquistado um merecido estatuto de atracção turística. Logo ao lado passamos pela pequena casa onde Miguel Torga viveu, tão bonita e singela que me diz que é assim leve para não deixar marca no chão. Mais uns passos e chegamos ao Espaço Miguel Torga, centro cultural de autoria de Eduardo Souto Moura, espaço amplo e luminoso, do tamanho da alma do escritor, pronto para a vida cultural do país. Saí dali com uma vontade imensa de agarrar os meus livros de Miguel Torga e de caminhar o chão da nossa Península.



" Sou, na verdade, um geófago insaciável, necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição. Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, e atiro-me às serranias como à broa da infância. É fisiológico, isto. Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal. Uma província ainda mais pobre do que as outras, que apenas produz uns magros e tristes versos..."

Diário VIII

Dora & Gaspar

Dora & GasparDora & Gaspar Dora & Gaspar Dora & Gaspar


Dora e Gaspar partilharam a mesma casa durante nove meses (mais coisa menos coisa). Partilharam todo um universo durante aquela sua primeira vida. O universo, quanto mais cresciam, mais crescia também. Eram feitos da mesma verdade, do mesmo som, da mesma cor. 
Certo dia decidiram que já tinham visto tudo, que era hora de expandir horizontes. E depois de um mundo, entraram num outro mundo. Um mundo de abraços quentes à sua espera, um mundo ainda maior do que aquele que até ali tinham conhecido. O amor afinal não tinha fim.

Dora e Gaspar vão crescer. E o tempo lhes ensinará que também este universo cresce consigo. E que a casa somos nós, tão grande quanto o nosso coração quiser. 

Aos pais, um forte abraço de parabéns, com a certeza de que serão felizes para sempre. 

Março

Março Março Março

Março traz consigo o dia da mulher, que para mim sempre foi e será o dia de aniversário da minha avó. Este ano consegui, pela primeira vez, pendurar uma fotografia dela na sala mas acho que a vou retirar. No dia 8 senti que tinha que lhe criar um pequeno altar mas ainda não consigo olhar para ela assim, como uma pessoa a recordar. Ela está sempre comigo e assim permanece viva, em mim.

Março traz consigo a Primavera e a energia que a terra sente, sinto-a eu também. " Em Março tanto durmo quanto faço" e é bem verdade. Tenho dormido mais e feito mais. A casa tem exigido atenção, depois de um longo Inverno. Os armários vão sendo revistados, aquilo que já não nos serve é dado a quem mais precisa, embora muita coisa ande apenas de armário em armário. É o arrumar do ninho. Fiz umas cortinas novas para a sala, 10 metros de vichy vermelho que me intimidavam um pouco pela sua forte presença mas ainda bem que tomei coragem porque a sala está cada vez mais a meu gosto. Agora tenho cortinas de revista.

Março traz consigo o organizar de trabalhos pendentes e os nossos botões são um deles. Temos novas ideias para pôr em prática que espero mostrar em breve.

Março traz consigo a renovação da assinatura da minha mais que preferida revista Taproot. A entrega é sempre super rápida por isso deve estar aí não tarda.

Março traz consigo força e esperança. Por mim, o ano podia começar agora.

roupa para bonecas

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"Querida Virgínia,

Para o caso de já não se lembrar de mim, sou a mãe que encomendou aquela a que chamou de "lebre de dezembro", em 2012, e que neste momento dorme embalada nos braços da minha filha. Tal como acontece todos os dias, desde então. :)"

São cartas como esta (posso chamar-lhe carta, não posso?) que me dizem que o trabalho que criei para mim é real e tem muito valor. Passados oito anos a fazer bonecos e a escrever para o universo, ainda não sei bem o que dizer quando me pedem a profissão. Falta-me a palavra certa que diga tudo o que faço. Quanto a mim, não são os nossos filhos que terão novas profissões, nós já as temos e precisamos de nomes apropriados. E "mãe a tempo inteiro artesã nas horas vagas e blogger em regime voluntário" não cabe no papel. 

A mãe da menina que dorme agarrada à lebre desde 2012 pediu-me umas roupinhas e aqui estão elas. Espero que brinquem muito.

lebre

lebre lebre lebre

Esta lebre já tinha feito parte de uma sessão fotográfica mas ainda não estava acabada. Assim que vestiu a saia largou a correr para os braços da sua nova dona. Pelo que sei, está feliz. :)

Uma salva de palmas à senhorita Alecrim que acompanha o nascimento de todos estes bonecos, respeitando o facto de não serem para ela, deixando-os ir em paz, esperando pacientemente pelo dia em que a mãe terá tempo para fazer (mais) um para ela. 


babete

babete babete

A senhorita Alecrim está crescida e precisava de um babete maior para levar para a escola. Fiz-lhe um, em tecido plastificado. Gostei tanto de o fazer que fiz logo outro, ligeiramente diferente, com fita de viés numa outra cor. Mede aproximadamente 28 x 28 cm e está disponível. Espero que gostem.

entrevista no PinkNounou

brincar brincar brincar brincar

A Ana, do blog PinkNounou convidou e eu respondi. Gosto da oportunidade que uma entrevista como esta nos dá de olhar para a nossa vida de fora para dentro. Se há dias em que vejo a vida passar a correr e desespero  tentando fazê-la abrandar para que todos se sintam donos do seu tempo e dele possam desfrutar, há outros, como aquele em que fui em busca de fotografias para ilustrar esta entrevista, em que me apercebo que feitas as contas nós, aqui em casa, estamos muito perto de ter a vida que eu idealizo. Só precisava de mais umas dez horas por dia (e para isso vou tentar começar a deitar cedo e cedo erguer).

Mãe Canguru

Cangurus Cangurus Cangurus

Tenho estado as duas últimas semanas de volta destas meninas. Foi um pedido especial, que decidi fazer num tecido que nunca tinha experimentado. Confesso que não sei se voltarei a trabalhar com ele porque embora seja muito macio e agradável ao tacto, é muito diferente daqueles a que estou habituada.
Fazer uma canguru já estava na minha lista de bonecos a testar por isso tive que dizer que sim à proposta que surgiu. E ainda bem que o fiz porque se até então o canguru era aos meus olhos um animal estranho (não consigo gostar de caudas), hoje até o acho elegante. Foram tantos os desenhos que rabisquei que passei a percebê-lo melhor. O canguru é um animal fortíssimo (não confundir com aqueles que mal vemos no Jardim Zoológico), imponente mas também é um mamífero que transporta a cria, protegendo-a até esta estar pronta para a vida. E quem não se identifica com isso?
Antes deste fiz um outro, que fica para mim e agora tenho que fazer mais um para a menina cá de casa, que os adorou.

E é assim que os bonecos Amo-te Mil Milhões são feitos, com grande dedicação e cuidado, nos intervalos da vida de mãe.