invólucro

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Felicidade é construir, com vagar, algo que nos faz sorrir.


lebre

lebre : hare lebre : hare lebre : hare lebre : hare

Está pronta. Está pronta para passear, está pronta para o calor, está pronta para festejar o nascimento de uma menina que aí vem. 

- " Estou pronta!" , disse ela.
- " Então podes ir", disse eu. "Vai, brinca, porta-te bem. Sê feliz na tua nova casa. Mas lembra-te que dentro de ti levas muito de mim. Manda notícias, se quiseres!..."

Em oito anos a fazer bonecos, já me habituei a deixá-los ir. O importante é fazê-los, espalhá-los pelo mundo. Mas fico sempre a pensar se cumprirão o papel que imaginei para eles, se farão parte das brincadeiras diárias das crianças, se estas sentem o amor com que foram feitos. 
É por isso que agradeço muito as cartas e fotografias que me enviam. Um dia hei-de juntá-las todas e fazer um livro. 

trabalhar com a mãe

trabalhar com a mãe trabalhar com a mãe trabalhar com a mãe

Ela faz histórias das histórias que lhe conto. 
Ela desenha. Ela corta. Ela rasga. 
Ela passa uma tarde inteira com a plasticina.
Fala, fala, fala, fala. Que gosto tem em falar! 
Diz que quando for grande, que eu me chego para o lado e que costuramos as duas. 
Assim seja.

por terras de Miguel Torga

São Martinho de Anta São Martinho de Anta São Martinho de Anta São Martinho de Anta Casa de Miguel Torga, São Martinho de Anta São Martinho de Anta Espaço Miguel Torga, São Martinho de Anta Espaço Miguel Torga, São Martinho de Anta

Fomos visitar a avó. E agora que a avó mora tão longe, podemos dizer que vamos à terra, embora não seja a nossa. Eu, que nasci em Lisboa e cresci com o Palácio da Pena a olhar para mim, ainda não sinto um lugar como sendo meu. Pergunto-me se algum dia o encontrarei ou se faz parte de mim não pertencer. Tenho amor à terra que é terra, ao ar que é puro, à água fria da nascente e é isso que chama por mim. E cada vez chama mais alto, há urgência em lá chegar, dois seres destinados, não posso morrer sem o encontrar.
Esta terra, que tão bem acolheu a minha mãe, é terra de gente grande. Há espaço para isso. É só querer crescer. 
Ali nasceu e viveu Miguel Torga e juro que quando subo a Senhora da Azinheira, e nada mais ouço que o silêncio que me enche a alma, quase que o vejo caminhar. Se eu ali morasse enchia-me de ar. Eu sei que aqui também o há, mas é diferente. Aquele ar.

Não podíamos deixar de passar pela casa que a avó pintou, sobre a qual já aqui falei, até porque ela está no meio da praça central, tendo conquistado um merecido estatuto de atracção turística. Logo ao lado passamos pela pequena casa onde Miguel Torga viveu, tão bonita e singela que me diz que é assim leve para não deixar marca no chão. Mais uns passos e chegamos ao Espaço Miguel Torga, centro cultural de autoria de Eduardo Souto Moura, espaço amplo e luminoso, do tamanho da alma do escritor, pronto para a vida cultural do país. Saí dali com uma vontade imensa de agarrar os meus livros de Miguel Torga e de caminhar o chão da nossa Península.



" Sou, na verdade, um geófago insaciável, necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição. Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, e atiro-me às serranias como à broa da infância. É fisiológico, isto. Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal. Uma província ainda mais pobre do que as outras, que apenas produz uns magros e tristes versos..."

Diário VIII

Dora & Gaspar

Dora & GasparDora & Gaspar Dora & Gaspar Dora & Gaspar


Dora e Gaspar partilharam a mesma casa durante nove meses (mais coisa menos coisa). Partilharam todo um universo durante aquela sua primeira vida. O universo, quanto mais cresciam, mais crescia também. Eram feitos da mesma verdade, do mesmo som, da mesma cor. 
Certo dia decidiram que já tinham visto tudo, que era hora de expandir horizontes. E depois de um mundo, entraram num outro mundo. Um mundo de abraços quentes à sua espera, um mundo ainda maior do que aquele que até ali tinham conhecido. O amor afinal não tinha fim.

Dora e Gaspar vão crescer. E o tempo lhes ensinará que também este universo cresce consigo. E que a casa somos nós, tão grande quanto o nosso coração quiser. 

Aos pais, um forte abraço de parabéns, com a certeza de que serão felizes para sempre. 

Março

Março Março Março

Março traz consigo o dia da mulher, que para mim sempre foi e será o dia de aniversário da minha avó. Este ano consegui, pela primeira vez, pendurar uma fotografia dela na sala mas acho que a vou retirar. No dia 8 senti que tinha que lhe criar um pequeno altar mas ainda não consigo olhar para ela assim, como uma pessoa a recordar. Ela está sempre comigo e assim permanece viva, em mim.

Março traz consigo a Primavera e a energia que a terra sente, sinto-a eu também. " Em Março tanto durmo quanto faço" e é bem verdade. Tenho dormido mais e feito mais. A casa tem exigido atenção, depois de um longo Inverno. Os armários vão sendo revistados, aquilo que já não nos serve é dado a quem mais precisa, embora muita coisa ande apenas de armário em armário. É o arrumar do ninho. Fiz umas cortinas novas para a sala, 10 metros de vichy vermelho que me intimidavam um pouco pela sua forte presença mas ainda bem que tomei coragem porque a sala está cada vez mais a meu gosto. Agora tenho cortinas de revista.

Março traz consigo o organizar de trabalhos pendentes e os nossos botões são um deles. Temos novas ideias para pôr em prática que espero mostrar em breve.

Março traz consigo a renovação da assinatura da minha mais que preferida revista Taproot. A entrega é sempre super rápida por isso deve estar aí não tarda.

Março traz consigo força e esperança. Por mim, o ano podia começar agora.

roupa para bonecas

roupas para lebres roupas para lebres roupas para lebres roupas para lebres

"Querida Virgínia,

Para o caso de já não se lembrar de mim, sou a mãe que encomendou aquela a que chamou de "lebre de dezembro", em 2012, e que neste momento dorme embalada nos braços da minha filha. Tal como acontece todos os dias, desde então. :)"

São cartas como esta (posso chamar-lhe carta, não posso?) que me dizem que o trabalho que criei para mim é real e tem muito valor. Passados oito anos a fazer bonecos e a escrever para o universo, ainda não sei bem o que dizer quando me pedem a profissão. Falta-me a palavra certa que diga tudo o que faço. Quanto a mim, não são os nossos filhos que terão novas profissões, nós já as temos e precisamos de nomes apropriados. E "mãe a tempo inteiro artesã nas horas vagas e blogger em regime voluntário" não cabe no papel. 

A mãe da menina que dorme agarrada à lebre desde 2012 pediu-me umas roupinhas e aqui estão elas. Espero que brinquem muito.

lebre

lebre lebre lebre

Esta lebre já tinha feito parte de uma sessão fotográfica mas ainda não estava acabada. Assim que vestiu a saia largou a correr para os braços da sua nova dona. Pelo que sei, está feliz. :)

Uma salva de palmas à senhorita Alecrim que acompanha o nascimento de todos estes bonecos, respeitando o facto de não serem para ela, deixando-os ir em paz, esperando pacientemente pelo dia em que a mãe terá tempo para fazer (mais) um para ela. 


babete

babete babete

A senhorita Alecrim está crescida e precisava de um babete maior para levar para a escola. Fiz-lhe um, em tecido plastificado. Gostei tanto de o fazer que fiz logo outro, ligeiramente diferente, com fita de viés numa outra cor. Mede aproximadamente 28 x 28 cm e está disponível. Espero que gostem.

entrevista no PinkNounou

brincar brincar brincar brincar

A Ana, do blog PinkNounou convidou e eu respondi. Gosto da oportunidade que uma entrevista como esta nos dá de olhar para a nossa vida de fora para dentro. Se há dias em que vejo a vida passar a correr e desespero  tentando fazê-la abrandar para que todos se sintam donos do seu tempo e dele possam desfrutar, há outros, como aquele em que fui em busca de fotografias para ilustrar esta entrevista, em que me apercebo que feitas as contas nós, aqui em casa, estamos muito perto de ter a vida que eu idealizo. Só precisava de mais umas dez horas por dia (e para isso vou tentar começar a deitar cedo e cedo erguer).

Mãe Canguru

Cangurus Cangurus Cangurus

Tenho estado as duas últimas semanas de volta destas meninas. Foi um pedido especial, que decidi fazer num tecido que nunca tinha experimentado. Confesso que não sei se voltarei a trabalhar com ele porque embora seja muito macio e agradável ao tacto, é muito diferente daqueles a que estou habituada.
Fazer uma canguru já estava na minha lista de bonecos a testar por isso tive que dizer que sim à proposta que surgiu. E ainda bem que o fiz porque se até então o canguru era aos meus olhos um animal estranho (não consigo gostar de caudas), hoje até o acho elegante. Foram tantos os desenhos que rabisquei que passei a percebê-lo melhor. O canguru é um animal fortíssimo (não confundir com aqueles que mal vemos no Jardim Zoológico), imponente mas também é um mamífero que transporta a cria, protegendo-a até esta estar pronta para a vida. E quem não se identifica com isso?
Antes deste fiz um outro, que fica para mim e agora tenho que fazer mais um para a menina cá de casa, que os adorou.

E é assim que os bonecos Amo-te Mil Milhões são feitos, com grande dedicação e cuidado, nos intervalos da vida de mãe. 

mini mantas de mini retalhos


mini mantas
mini mantas

mini mantas mini mantas
mini mantas mini mantas

Por aqui tem estado muito frio. Lebre que é lebre aguenta qualquer intempérie mas estas, muito mimadas, pediram mantas novas para passar os dias mais bem dispostas. 
Feitas com pequenos retalhos de tecidos de algodão, medem 32x30 cm aproximadamente e estão prontas para quem quiser aquecer as lebres e outras bonecas lá de casa. 

dias

dias dias

Os dias passam, eu passo, a vida passa. E eu quero agarrá-la, mostrar-lhe que sou eu que mando, que uma pessoa não chega à idade adulta para isto mas sinto-me derrotada. A vida é quem manda. As carruagens passam por mim a correr, eu aceno com um sorriso esforçado e volto ao que estava a tentar fazer, seja lá o que isso era. Quando me lembro dou umas palmadinhas no ombro, digo a mim própria que o que faço não é para fracos, tomo um chá preto e volto ao que estava a fazer, seja lá o que isso era.
Na agenda, ainda a do ano que já passou, anoto projectos, listas de afazeres, encomendas que vão chegando. São os meus segundos de mulher empresária. Gosto. Mais uma palmadinha no ombro, o tempo é sábio, a altura vai chegar e volto ao que estava a fazer, seja lá o que isso era.

E é isto que vim cá fazer, desabafar um bocadinho e ver se retomo o ritmo, que tudo isto me faz falta e me faz feliz e já vou a sentir-me um bocadinho melhor.

miau

as primeiras do ano as primeiras do ano as primeiras do ano as primeiras do ano as primeiras do ano

São as primeiras do ano, ou últimas do ano que passou. Fizeram comigo a transição do velho para o novo. Óptimas ouvintes, pacientes, já deviam estar desejosas de sair das minhas mãos. Assim que as dei por terminadas, fizeram as malas e partiram para as suas novas casas.

Costumam perguntar-me quanto tempo levo a fazer um boneco, ao que eu respondo mais ou menos da mesma maneira: se tivesse um dia inteiro só para o meu trabalho, provavelmente demoraria dois ou três. Quando digo que um destes casacos leva umas quatro (para não dizer cinco ou seis) horas a fazer compreendo o espanto e até a dúvida no olhar de quem pergunta. A mim também me custa a crer, mas é a verdade. No outro dia passei por um blogue cujo nome não devia ter esquecido, onde a artesã, na descrição do seu trabalho, incluía também o tempo que o levava a concluir. Gostei da ideia e acho que a vou começar a praticar.