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dias

dias dias

Os dias passam, eu passo, a vida passa. E eu quero agarrá-la, mostrar-lhe que sou eu que mando, que uma pessoa não chega à idade adulta para isto mas sinto-me derrotada. A vida é quem manda. As carruagens passam por mim a correr, eu aceno com um sorriso esforçado e volto ao que estava a tentar fazer, seja lá o que isso era. Quando me lembro dou umas palmadinhas no ombro, digo a mim própria que o que faço não é para fracos, tomo um chá preto e volto ao que estava a fazer, seja lá o que isso era.
Na agenda, ainda a do ano que já passou, anoto projectos, listas de afazeres, encomendas que vão chegando. São os meus segundos de mulher empresária. Gosto. Mais uma palmadinha no ombro, o tempo é sábio, a altura vai chegar e volto ao que estava a fazer, seja lá o que isso era.

E é isto que vim cá fazer, desabafar um bocadinho e ver se retomo o ritmo, que tudo isto me faz falta e me faz feliz e já vou a sentir-me um bocadinho melhor.

quase

quase
quase

O Outono traz consigo um outro ritmo à vida, mais real, mais natural (quanto a mim). A família levanta-se mais cedo, prepara-se para o novo dia, cada um com a sua missão em mãos. A distância faz-nos sentir ainda mais o quanto somos uns dos outros e a casa, o porto de abrigo, está sempre quente e seca, à nossa espera, sempre fiel e segura.

Tenho três lebres à minha espera. A sala, mal me sento à máquina, transforma-se em atelier de costura. E eu, devagar, volto a sentir-me livre e completa, no silêncio, na criatividade, em mim.

Estou quase a apanhar o ritmo.

a vida quase a andar para a frente

a tentar voltar ao trabalho

A vontade de voltar ao trabalho é muita mas o tempo que me resta depois de todas as outras tarefas diárias não é nenhum.

À procura de uma escolinha simpática para a senhorita Alecrim, porque é esse o seu desejo. As públicas não têm vagas, as privadas são muito caras. 

Tentei mudar um pouco a cara da lebre. Depois de muitos rabiscos, fiz esta à direita.  Gostava de saber a vossa opinião. 

Uma fotografia tirada pelo telemóvel e dez minutos corridos para escrever. É isto que tenho por hoje!

Uma boa semana a todos!


à minha espera

à minha espera à minha espera à minha espera à minha espera

à minha espera à minha espera

. uma poltrona despida para o novo quarto da senhorita Alecrim 
. o casaco do M. quando este tinha a idade da irmã a merecer uma reciclagem 
. o pobre do pato que ainda não sabe se vai ter asas ou braços
. roupa que quer ser manta
. tecido que quer ser roupa
. recortes, ideias, inspiração, estudos que gritam por um arquivo

E todos os dias esta sala me diz que sim, que posso conseguir, que é só querer e fazer. E eu acredito. E à noite, olho em redor e vejo tudo no mesmo lugar, à minha espera.

Enquanto tudo esperar por mim, tudo está bem.

work in progress

wip

Tenho uma missão em mãos que me ocupará grande parte dos dias (isto é, noites) nas próximas semanas. Se andar um pouco afastada daqui, não estranhem. Volto já.

wip III

wip wip

Esta menina também está à espera dos últimos retoques. Mas está quase, quase pronta para sair à rua.

wip II

à espera à espera à espera à espera

Mais alguém à minha espera. Foi uma pequena brincadeira de quem, no meio de tanto para fazer, teve que pôr em prática uma velha ideia. Usei uma caixa de fósforos, uns papeis bonitos, um pedaço de renda, uma meia de lã feltrada com o uso, um botão antigo e umas linhas de bordar. Fui enrolando, aconchegando, cosendo e nasceu um bebé provavelmente russo, do tempo dos czares. 

Era para ter sido a minha prenda de Natal para a senhorita Alecrim mas ainda não terminei a caixa. 
O que me vale é que o Natal são todos os dias.

wip

à espera à espera à espera

Este pequeno ser está à minha espera desde o Verão. Tinha decidido fazer um ganso mas logo percebi que não tinha nascido com cara de ganso. Pensei que parecia uma gaivota. E nada mais apropriado porque eu vivo rodeada de gaivotas e é ao som delas que de dia ou de noite vou trabalhando. É engraçado como já aprendi tanto sobre meteorologia com elas. 
Mas todas as crianças a quem mostrei este boneco em construção votaram num outro animal: o pato. E agora?

Apesar das dúvidas já gosto muito dele e vou dar-lhe toda a minha atenção assim que puder.

na mesa de trabalho

mesa de trabalho

A mesa é pequena e está cheia de trabalhos começados. Sento-me e pergunto-me porque não a arrumo antes de começar. Sorrio com tamanho disparate - se usasse os minutos que tenho livre para a arrumar não tinha tempo para trabalhar. As coisas vão encontrando o seu lugar, por si próprias, com o devido tempo. Se por um lado o caos me chateia e talvez trabalhasse melhor com uma mesa arrumada, por outro faz-me feliz. A ideia de ter muito para fazer - à minha espera, à minha espera, à minha espera - mantém-me acordada, inspirada, motivada. 

Neste momento tenho um gato, uma lebre, um babete, três pares de sapatos de bebé, um gorro e não sei que mais à espera de mim. 

Estou a ir, estou a ir.

domingo à tarde

domingo à tarde

Uns minutos de silêncio ao domingo à tarde. Queques saídos do forno, um novo casaco para a M. que cresce a olhos vistos e um pouco de Primavera apanhada à beira do caminho.

domingo à tarde

Simples. Perfeito.

mãe cangurú

mãe cangurú

As mãos estão sedentas de trabalho. A cabeça também.
Descobri que o sling pode ser a solução.

quando trabalhar é um prazer

quando trabalhar é um prazer

quando trabalhar é um prazer

quando trabalhar é um prazer

quando trabalhar é um prazer

De manhã ao fim da tarde, durante três dias. A única coisa que sabia era que me apetecia trabalhar com vermelho e que não podia comprar nada. Reciclei o contorno do berço do irmão mais velho (feito há 10 anos) e dei-lhe uma cara nova.
Acho a chita ainda mais bonita quando a trabalho e gosto bastante do ar antigo mas ainda assim fresco com que o berço vai ficar. Perfeito para a menina que aí vem.

dos dias

2 lençois a partir de 1 fronha

wip

O M. volta aos poucos à sua rotina, este será o último ano nesta escola. Uma escola familiar, com turmas tão pequenas e caras tão conhecidas... O que virá depois desta etapa? Tem andado tão bem-disposto, contente com os seus 9 anos que lhe permitem pequenas grandes liberdades como ir a casa do amigo sozinho ou passar umas noites fora de casa - pergunto-me como enfrentaremos a rotina escolar este ano, terei eu tempo de o acompanhar nos projectos e tpc's, de brincar com ele, de lhe ler mais um capítulo à hora de deitar? Uma coisa eu sei: mesmo que o tempo venha a ser repartido por dois, o amor já o sinto a dobrar.

Tentando aproveitar os dias ao máximo, tenho estado à máquina de costura enquanto a luz natural o permite (fiz uns lençois para a alcofa da bebé a partir de uma fronha grande e estou quase a acabar mais uns babetes) e quando a sala escurece, sento-me à luz do candeeiro e pego no crochet. Enquanto as mãos trabalham, os pensamentos voam. Penso em tanta coisa.
Penso em como gostaria de viver a minha vida, no que quero manter e no que quero modificar. Penso na quantidade de  pessoas que me escrevem sobre quererem mudar a sua vida, principalmente no seu receio de querer mudar, mais do que o receio de mudar em si. Curiosamente, muitas mulheres sentem-se culpadas por se sentirem descontentes e desconfiam dos seus próprios sentimentos, como se alguém as chamasse de caprichosas por quererem ser mais felizes. E é verdade, quem ousa querer ser mais feliz é muitas vezes chamado de caprichoso. Nesta sociedade em que vivemos, a felicidade está à venda todos os dias, a preço acessível, em embalagem sedutora. Quem começa a sentir-se enganado com essa felicidade imediata, experimenta um desconforto estranho, que desconhecia até à data, porque até à data tudo parecia estar certo e agora começa a parecer errado. A vida, como estava organizada, começa a não fazer sentido, há peças que não encaixam mais. Mas aos olhos dos outros - e os olhos dos outros exercem muito poder nas nossas vidas - o querer mudar de caminho quando tudo está tão encaminhado, organizado, manipulado não passa de um capricho de quem já tem tudo.
O que lhes vou respondendo (em mente, enquanto trabalho e agora por aqui) é que mesmo que seja verdade que tenhamos muito em comparação com outros que nada têm, falta-nos também muito e é nossa obrigação ouvirmo-nos e procurarmos desde já mudar o que podemos mudar e trazer para casa aquilo que nos faz falta. Não é errado sentir que algo nos faz falta. É errado pensar que não devemos sentir que algo nos faz falta, seja qual for a razão. É raro o sentimento que está errado. Se daqui a uns tempos ele ainda lá está, essa é outra história. Mas se ele for verdadeiro, ele não se vai embora.
Talvez para surpresa de muitos, eu não aconselho ninguém a largar o emprego, a ir viver para o campo, a dedicar-se ao artesanato. Há pessoas que me escrevem com a ideia de que isto de fazer trabalhos manuais e vender pela internet é vida fácil. Primeiro custou-me a perceber o porquê desta ideia falsa mas depois percebi: os blogs podem dar uma imagem distorcida da realidade, mesmo que inconscientemente. As imagens bonitas enganam. Ninguém tem a vida perfeita, mesmo que seja melhor que a nossa em alguns aspectos. Eu não aconselho ninguém a mudar de vida de um dia para o outro (será possível?) - aconselho, sim, a mudar o dia. Só assim a mudança será sólida e duradoura. A vida são os dias. Façamos deles algo maior.


Reciclar uma fronha:

Mesmo sem máquina de costura, é fácil desmanchar uma fronha e transformá-la em algo diferente.
Não cortando o tecido, mas sim descosendo os pontos para que se  aproveite o máximo da peça  podemos fazer lençóis pequenos para bebé, fraldas de pano, individuais para a mesa ou guardanapos de pano. Depois de descosida a fronha, corta-se o tecido no tamanho desejado (no caso dos lençóis basta cortar em dois) e fazem-se umas bainhas, à máquina ou à mão.
Se for o primeiro projecto de costura é normal que não fique perfeito, mas será um prazer utilizar peças feitas por nós no dia-a-dia da família. Acreditem.


babetes

babete

babete

Entre obras em casa, a reciclagem de móveis e a mudança do quarto de costura para um armário na sala, ainda não fiz quase nada para ela (sim, é uma menina!). Gostei deste desenho e decidi fazer um primeiro babete. Bordado a linha de algodão num pano da loiça, com a parte de trás em turco para maior conforto do bebé, fiquei contente com o resultado. Tanto, que já decidi fazer mais. Os próximos terão um modelo um pouco diferente e estarão à venda aqui e aqui.

ganga em (re)construção

ganga em construção

ganga em construção

ganga em construção


A casa está em obras. Tudo o que consegui resgatar foram os pedaços de ganga que tenho vindo a guardar para um dia fazer uma manta. E ainda bem. Estou a adorar a forma como os diferentes azuis se conjugam entre si, surpreendendo-me e aprendendo com cada retalho. O medo de entrar pela estrada errada, de não deixar fluir o trabalho, de dar demasiados ouvidos às dúvidas de quem faz um trabalho que nunca mais se irá repetir - esse ainda espreita. E vou dizendo a mim mesma: que bom seria poder fazer isto durante toda a minha vida e chegar aos dias em que a segurança vence a insegurança e os trabalhos reflectem a sabedoria da idade.

rosetas da (bis)avó

rosetas da (bis)avó

rosetas da (bis)avó

rosetas da (bis)avó

À noite, as três sentadas no sofá, cada uma com a sua agulha na mão. A bisavó, à esquerda, fazia as rosetas; eu, no meio, fazia o quadrado à volta; à direita, a avó, juntava os vários quadrados. Eram feitas com restos de lã, porque nada era desperdiçado, e o fim a que estariam destinadas parecia não ser relevante: o importante era manter as mãos ocupadas e fazer.
Ao lado, sentado na poltrona, o avô via televisão. Não muito longe, o bisavô já estava deitado a ouvir o relato de futebol.
Ao fim do serão, a bisavó ia deitar-se, os avós abriam o sofá-cama e era ali que eu dormia, segura, quente e feliz, na sala da lareira onde todas as noites aquelas pessoas se juntavam e me aqueciam o coração. Hoje sei que é esse calor que ainda me alimenta e é a ele que eu recorro quando mais preciso.

por aqui

das camisas do pai

a casa cheira a bolo


Por aqui cheira a bolo e as camisas do pai ganham nova forma.
Está a chegar aquela altura do ano em que já deveria ter programado as férias para a família. Alguém tem uma sugestão?

na mesa de trabalho

gansos

gansos

kleine beer en zijn vrienden

kleine beer en zijn vrienden

kleine beer en zijn vrienden

Comprei este livro há um ano porque me apaixonei pela ilustração de Maurice Sendak. O facto de ter um filho a quem o ler foi uma mera desculpa - ambos sabíamos que o livro era mais para mim que para ele.

Esta semana pediram-me para fazer uma pregadeira. Eu nunca pensei em fazer pregadeiras. Sabia que queria fazer um animal e que teria que ser pequeno e assim acabou por nascer um ganso. Logo percebi que o ganso era grande demais para pregadeira mas já estava completamente envolvida no processo - desisti da ideia da pregadeira (pelo menos por enquanto) e resolvi continuar a trabalhar o ganso e dar-lhe coração de boneco.

Até agora, foram três dias de trabalho intenso e ainda não estou satisfeita. E apesar de todas as agulhas partidas, de dedos picados e dente lascado (tenho que deixar de puxar as agulhas presas com os dentes) não vou parar até achar que está um ganso.

Trabalho à mão é paixão, dedicação e muito, muito trabalho.


I bought this book a year ago because I fell in love with Maurice Sendak's illustration. The fact that I had a son to whom I could read it to was just an excuse - we both knew that the book was more for me than for him.

This week I was asked to make a brooch. I never thought of making a brooch. I knew that I wanted to make an animal and that it had to be small and so it ended up being a goose. Soon I found out that it was too big for a brooch but I was already deeply into the process - I gave up the idea of the brooch (at least for now) and decided to go on with working on the goose and give him the heart of a true toy.
Untill now, it has been 3 days of intense work and I'm still not satisfied. And despite of all the broken needles, pricked fingers and a chipped tooth ( I must stop pulling stuck needles with my teeth) I won't stop untill I think it looks like a goose.
Handwork is passion, dedication and lots, lots of work.


o corpo

à procura da forma humana

à procura da forma humana

A dar forma a uma ideia.

Shaping an idea.

uma aventura na horta - Janeiro

preparar a terra

preparar a terra

preparar a terra


Lavoura das terras e preparação das culturas de Inverno, como a da batata, iniciando-se onde for possível, a plantação precoce. A poda no Minguante é recomendável, mas nas figueiras, laranjeiras e macieiras os grandes cortes são prejudiciais. Enxertos no Crescente. Semear fava, ervilha, alface e rabanete. No Norte e no Centro, semear centeio, couve galega, nabo, nabiça, rabanete, salsa e tomate. No Sul, cenoura, couves, ervilha, feijão, nabiça e tomate. Em estufa ou cama quente, plantar pepino, meloa e pimento. Semear canteiros de cenoura, alho, cebola, alface, ervilha, alho-porro e salsa. Na Horta semear (em canteiros ou em alfobres bem abrigados e defendidos das geadas) alface romana, couve repolho e sabóia, rabanete. Colher couves, espinafre, etc.(...)
O Verdadeiro Almanaque, Borda D' Água, para 2011
A não esquecer: comprar galochas, ler tudo o que tenho em casa sobre o assunto e parar de gritar sempre que encontro uma minhoca no meio da terra.