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Algarve rural

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Fui, um pouco receosa do que poderia encontrar. Do Algarve descaracterizado que se vende ao desbarato em nome do turismo vi pouco ou nada, felizmente. E nem foi preciso procurar muito. É ficar uns quilómetros afastado da costa que ele ainda lá está, o Algarve português. Rural, quente, seco, silencioso. 
Uma casa encontrada à última hora (como já vem sendo tradição) era afinal uma quintinha simples e simpática, onde se fizeram novos amigos, se tomaram muitos banhos de piscina e se alimentaram animais que um dia servirão de alimento a alguém. 

E eu, que andara a conversar comigo mesma e tinha chegado à conclusão de que o que precisava era de um estágio numa quinta, fui levada até uma, sem ter a menor consciência disso. E a semana passou e a vontade de regressar a casa não aconteceu.

simples?

Fiquei a pensar no último post e nos vossos comentários. 
É verdade que me sinto muito cansada mas não sei se será justo atribuir a culpa aos filhos. Como todos os filhos, eles dão trabalho, requerem atenção, precisam do tempo que era meu e já não é, não me deixam dormir uma noite inteira do princípio ao fim. Mas essa é a minha escolha, a minha opção de vida e todos os dias, no auge do cansaço, pergunto a mim mesma se é isto que realmente quero e a resposta é sempre sim.
Como disse a Naná na página dos comentários, esse ritmo calmo e sem stress é sobretudo um estado de espírito. E é aí que eu tento me focar. Como trazer esse ritmo para dentro de mim quando tenho filhos a querer comer e eu ainda sem saber o que fazer para o jantar, quando quero sair de casa rapidamente e percebo que tenho uma fralda para mudar, quando tenho um pré-adolescente e uma bebé a chamar por mim ao mesmo tempo em camas diferentes e eu cheia de sono e as encomendas à espera e a louça por lavar? Porque não posso nem quero sentir-me em paz apenas quando estou sozinha em casa a trabalhar. Quero andar com essa paz dentro de mim, sempre.

Portanto, que me perdoem os filhos, os meus e os vossos, mas um desabafo de mãe de vez em quando não faz mal, é natural e recomenda-se até. Agora, o que ando a tentar aprender é como trazer esse ritmo calmo para dentro de uma vida que, mesmo simplificada como a minha, não é simplesmente simples.


simples

Quinta do Pisão Quinta do Pisão Quinta do Pisão Quinta do Pisão Quinta do Pisão Quinta do Pisão

Ainda à procura daquela ordem que tanta falta me faz aos dias, a tentar perceber o que tenho que mudar para me livrar desta sensação de estar sempre a correr e nunca conseguir entrar na carruagem, esta pressa dos dias e da vida de que não me lembro ver nos meus avós, chefes de família numerosa, pessoas activas e com objectivos de vida. Estes dias corridos de que até as nossas crianças se queixam, que nos levam a uma vida louca e mal vivida. Porque mesmo trabalhando em casa, sendo mãe a tempo inteiro e criativa quando as crias o permitem, a vida não é simples. A vida tem que se saber fazer simples. E dá trabalho, simplificar a vida. 

E é preciso ser mãe/pai de mais de um filho para saber do que estou a falar. A felicidade é muito maior, o calor humano é ainda mais recompensador, a honra de ser a escolhida para os ver crescer é avassaladora mas o cansaço, o cansaço - o cansaço exige que eu aprenda de uma vez por todas a simplificar tudo: a minha cabeça, a casa, os dias, a vida.

Tenho a certeza que estou no caminho certo.

Hoje descobri um campo mesmo aqui ao lado. Cheirou-me a trinta anos atrás. Hei-de lá voltar sozinha, em silêncio.

meia-hora de ouro

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Se há coisa que gosto é preparar os alimentos com tempo, ao longo do dia, em boa companhia. Na casa onde cresci a minha bisavó sentava-se numa cadeira, de alguidar ao colo e ia descascando ou escolhendo o que seria mais tarde a refeição da família. Havia tempo. Os dias pareciam longos, generosos, a família não corria.

Nesta meia-hora bem passada com a senhorita Alecrim descascaram-se as favas para o jantar - as maiores, melhores e mais baratas favas que já comi. E biológicas!

sobre a felicidade ou as melhores cebolas que já comi

as melhores cebolas que já comi

Fico muito contente em saber que não estou sozinha - os vossos comentários ao post anterior provam que existem muitas mulheres com vontade de chegar mais até si, de mudar de vida de modo a se sentirem mais genuínas e que é urgente mudar mentalidades. Comecemos então por nós próprias.

Eu não tenho nada a ensinar. Posso partilhar apenas aquilo que tenho aprendido. E gostava muito que, com comentários aqui no blogue ou deixando links para os vossos próprios blogues, este espaço fosse um espaço de partilha, útil a todas nós.

Começo por partilhar algo que descobri há muito pouco tempo: que a felicidade não é aquilo que me ensinaram. Sempre ouvi dizer que a felicidade é "contentar-se com pouco". Que aquele que se contenta com pouco, é feliz. Percebi que isso não é verdade, de forma alguma. É impossível ser-se feliz ao tentar contentar-se com pouco.

A felicidade, como a vejo agora, é pôr em prática quem somos interiormente, a nossa natureza. A felicidade é ser quem somos - nem pouco, nem muito, mas o todo.

" É feliz porque não pede muito", dizem. Que erro! Aquele que é feliz, que sente felicidade dentro (e fora) de si está cheio - tão cheio que parece que transborda. Ele não se contenta com pouco, ele contenta-se com muito. Muito, muito, muito!
Pode, aos olhos dos outros, ter pouco - talvez não tenha uma grande casa, nem carro, não ande vestido com as últimas modas, talvez viva sozinho, talvez repita todos os dias a mesma rotina. Mas se esses dias forem o espelho do que está dentro desse indivíduo, se a sua natureza se poder manifestar em tudo o que faz, então o seu contentamento é genuíno e enorme e esses dias serão certamente dias de celebração.

Ninguém se contenta com pouco. Só se esse pouco for muito.