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um por todos, todos por um


Entre ontem e hoje, juntamente com familiares e amigos levámos mais de 800 garrafas de água e mais de 100 barritas de cereais à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Cascais

Entre ontem e hoje muitos amigos e conhecidos espalhados pelo país foram deixar o seu donativo no quartel de bombeiros da sua região. 

Entre ontem e hoje vi bombeiros genuinamente agradecidos e surpreendidos pelo movimento de cidadãos que decidiu aparecer no quartel, mostrando que não estão adormecidos, que não se limitam a comentar as notícias, que se lembraram que os bombeiros são pessoas como todos nós. Acredito que só entre ontem e hoje muita gente, eu incluída, parou para pensar no que significa ser bombeiro voluntário. Só entre ontem e hoje olhei um bombeiro nos olhos e lhe vi a fragilidade humana, coberta por um corpo forte e um fato incrivelmente quente para o calor que se faz sentir.

Entre ontem e hoje muitas foram as partilhas pelas redes sociais alertando para o facto de os bombeiros estarem a aceitar garrafas de água, barras de cereais, bolachas e fruta e isso, acredito, teve efeito imediato. Em pouco tempo, pelo país inteiro, os quartéis de bombeiros começaram a receber - e muito bem! - visitantes desejosos de ajudar. 

E se venho aqui mostrar o que fizemos é somente para que esta corrente continue, na esperança de inspirar alguém a fazer o mesmo. Porque - acreditem -  juntos somos muitos. E todos somos o país que temos.


por aqui






Por aqui, tenho passado os dias a fazer bonecos de pano e mantas de retalhos para dar a quem mais necessita. Pelo menos é assim que vejo o que estou a fazer. Fez-me muito feliz ter filhos, marido e tia a ajudar. São trabalhos simples, muito diferentes dos que costumo fazer, porque desta vez o meu objectivo é chegar ao maior número possível de pessoas. 

A casa está cheia de sacos de roupa que, juntamente com alguns membros da família consegui juntar. Só não estou a angariar mais porque não tenho onde guardar. Tenho passado muito (demasiado) tempo ao computador, a mandar e-mail para aqui e para ali, a tentar perceber o que devo fazer para ajudar de forma organizada. Constato que, neste momento, organização ainda não há muita. 

Neste momento parece-me que nenhuma instituição consiga dar respostas muito concretas às minhas perguntas: - onde entregar os bens materiais? - qual a sua capacidade logística? etc, etc. 

Apareceram grupos no facebook de ajuda aos refugiados, o que acho muito bem, mas quando lhes ponho as mesmas questões, a resposta é a mesma ou nenhuma. Continuo a aguardar, não sou muito paciente mas sou esperançosa. Percebo que a organização leve o seu tempo, mas sem ela a boa-vontade não chega a lado nenhum.

A verdade é que ainda não foi publicada a lista das instituições que irão receber refugiados em Portugal. Quem mo disse foi a própria Plataforma de Apoio aos Refugiados. O que a PAR tem estado a pedir a todos os que têm donativos em género é que os canalizem para essas instituições que, no entanto, ainda se estão a inscrever. Portanto, eu aguardo, cheia de vontade de fazer muito mais.

Dia 12, Dia Europeu de Acção pelos Refugiados, haverão por todo o país, acções de solidariedade para recolher donativos* em género como roupas, brinquedos, livros, artigos de higiene, roupa de cama, etc. Para saber mais, leiam aqui. Os donativos, diz a organizadora, serão entregues às associações e instituições que integram a Plataforma de Apoio aos Refugiados. A Plataforma de Apoio aos Refugiados, como já referi, disse-me que ainda não foi dado a conhecer a lista das instituições.

O que vos posso dizer com toda a certeza é que estou a fazer mantas de retalhos e bonecos de pano para dar a quem precisa. Seja quem for, de que cor for. Isto é algo que me está no sangue e não me deixa dormir à noite. Eu sei que um boneco não salva a vida a ninguém mas tenho a certeza que leva consigo uma mensagem de paz.

A quem tem mostrado vontade de ajudar, isto é o que vos posso dizer, por agora. As instituições (como a AMI, que tinha referido) ainda estão a trabalhar no sentido de poderem actuar organizadamente. 
A quem está, como eu, a fazer coisas à mão, o que digo é o mesmo. Vamos deixar passar mais uns dias e esperar que a tal lista seja publicada. Continuem que o vosso esforço é necessário e será bem vindo!

Quero ainda lembrar que os CTT criaram uma caixa solidária aquando das cheias na Madeira e que desde essa altura é possível enviar donativos em género para várias instituições de solidariedade sem pagar o envio.


*Actualização:

Os organizadores da marcha de dia 12 decidiram NÃO receber donativos nesse dia pois não terão capacidade logística para tal. Tal como disse acima, a lista das instituições e organizações que irão acolher refugiados está quase pronta e só nessa altura saberemos a quem entregar os donativos.


like a girl



No outro dia, no parque, um rapazinho chorava. Não me lembro se caíra ou se apenas queria atenção. Mas lembro-me da reação da mãe:

 - " anda, pareces uma menina a chorar!"

E eu, de mão dada à minha menina, não gostei. 

o post que surge sempre pela altura dos saldos

Sempre que vou a um centro comercial venho para casa com um sentimento estranho. Volto cansada e desanimada. É daquelas coisas que eu sei que devia evitar - e evito - e que vão totalmente contra aquilo que sou. 
Mesmo para uma pessoa como eu, que não se deslumbra com esse mundo comercial, é muito fácil deixar-se envolver com tanta coisa para ver. A oferta é enorme. São muitas lojas, umas a seguir às outras - é casa sim, casa sim, casa sim, casa sim. Cansa. Quando damos por isso já se passaram umas horas e ainda estamos a andar. As lojas são na maioria das vezes armazéns de mercadoria feita à pressa com materiais de má qualidade feitas longe por pessoas cuja história nunca vamos conhecer. Quando pego numa peça penso sempre em quem terá feito aquilo, em que condições e a que preço. Terá filhos em casa, na escola, será homem ou mulher, novo ou velho? Acabará ele ou ela o seu dia de trabalho satisfeito ou resignado com a vida que tem? A história que a peça me conta nunca é muito bonita. Terei eu que comprar algo que me diz que não é feliz? Serei eu feliz ao usar aquilo no meu corpo? 
Outra coisa que me chateia muito é o espaço interior das lojas que anda a encolher. Ou os corredores estão cada vez mais apertados ou eu estou mais larga. O espaço que há para eu passar diz-me que eu não sou bem-vinda, pelo menos por muito tempo. E o meu bebé muito menos - o carrinho não passa! (Por outro lado, constato que muitas lojas de rua cuja secção de criança fica no primeiro andar não tem rampa, escada rolante ou elevador para lá chegar com carrinho de bebé!).

Ao contrário das visitas semanais aos meus blogs preferidos que me deixam inspirada e com vontade de fazer mais e melhor, de crescer como ser humano e de mudar o mundo, estas visitas esporádicas a estes locais de consumo puro e duro deixam-me vazia por dentro, com a nítida sensação de que não é isto que quero para a minha vida.

Um dia destes terei o prazer de vestir apenas roupa feita para mim.

Eu voto




Amanhã, por favor levantem-se do sofá, vistam um casaco e sejam cidadãos. Se querem um país civilizado, comecem por exercer o vosso direito / dever de votar.
O "não querer saber" é puro analfabetismo, em pleno século XXI.

E desta vez há em quem votar. Acreditem, acompanhei a campanha de muito perto (ao minuto 1:17, a minha mãe, de quem me orgulho por ser uma pessoa que luta por aquilo em que acredita e que do pouco faz muito).

Votem em quem acreditam, mas acima de tudo: votem. Nem sempre o foi possível fazer - agora que temos o direito já não o queremos exercer?

fast fashion

Hoje fui espreitar os saldos. Tortura.
Quando foi que as lojas passaram a apostar na falta de qualidade? As peças, para além de muito mal feitas, com acabamentos que demonstram uma verdadeira falta de respeito pelo consumidor, são fornecidas num material sem qualidade alguma. Os tecidos que vi e senti são de arrepiar, literalmente. E o consumidor não se interessa.
Estou impressionada. A maioria das pessoas anda vestida com tecidos feios, da pior qualidade possível. Mas estão na moda.
Os materiais naturais são cada vez mais difíceis de encontrar. Não encontrei nada - nada - que se revelasse puro algodão. O pouco algodão que por aí anda vem sempre acompanhado de material sintético - o toque não engana. Saberá o consumidor que se veste de plástico? Mesmo que o saiba, não se interessa. Está na moda.
As lojas estão cada vez mais feias. A iluminação é pouca, induzindo em erro, seduzindo o consumidor até à caixa registradora. A roupa é arrastada pelo chão, o chão que já não se limpa quando está sujo porque as clientes já sabem que é assim mesmo.
E porque é que as lojas se renderam à falta de qualidade? Porque o cliente não se importa. O cliente não se importa porque o cliente tem pressa. O cliente tem pressa de acompanhar a moda - ou terá o cliente pressa de consumir?



Madeira


Para apoiar as vítimas da catástrofe que se abateu sobre a Madeira, os CTT estão a oferecer o transporte e a embalagem de bens para apoio da região. Para isso, basta ir a qualquer uma das 900 estações de Correios, pedir a caixa solidária e pôr como destinatário: "MADEIRA". Não é preciso selo nem mais morada.
Aqui fica uma lista de produtos/bens necessários:

Lençóis
Cobertores
Mantas
Almofadas
Roupa interior (H/ S e criança)
Roupa em geral
Produtos de higiene
Fraldas
Leite em pó
Comida para bébé
Enlatados
Para saber mais, pode consultar a página do facebook.

dar

De um e-mail que recebi e quero partilhar:

O Pisão é um grande centro de acolhimento, perto de Alcabideche, onde vivem 340 deficientes mentais e também pessoas sem abrigo. São pessoas muito pobres que nada têm. Vivem apenas da caridade que o centro com grandes dificuldades lhes poder dar. As verbas escassas da Misericórdia e alguns donativos, mal chega para dar comida, quanto mais para os vestir.

Como é fácil de perceber, as pessoas usam roupas oferecidas que se gastam rapidamente. Eles estão a precisar com urgência de roupas de primeira necessidade:

Camisolas interiores + Camisolas /Casacos para o exterior
Cuecas
Pijamas
Meias
Sapatos
Restos de Champoos e sabonetes.

Não vos peço para comprar seja o que for, basta uma breve revisão do que já não usam em casa, para homem ou mulher (adultos) de qualquer tamanho.
Se também houver roupa para vestir (calças, camisas, malhas, casacos), toalhas, lençóis e cobertores usados, serão artigos muito bem vindos.

Às vezes há realidades que são tão básicas e nós nem nos apercebermos que
podem existir.

Peço a vossa colaboração neste pedido de auxílio. Para entregar as ofertas podem fazê-lo directamente no Centro do Pisão ao cuidado da Dra. Anabela Gomes, telef 214603890.


Para que as ofertas sejam feitas com o mínimo de dignidade, peço-vos que a roupa esteja lavada e pelo menos dobrada.


Em complemento divulguem este apelo na vossa família, amigos e nas vossas empresas, e organizem a recolha.
Muito obrigado pela vossa disponibilidade e solidariedade: agradecer-vos-ão com certeza 340 pessoas necessitadas que aguardam um pouco do conforto que lhes trouxerem.


Na expectativa de que este pedido de socorro se realize, envio um GRANDE ABRAÇO, que nos ligue a todos, com muito calor humano.

Agora que chega a Primavera e com ela as limpezas de gavetas, não nos esqueçamos dos que têm muito menos que nós.


a história das coisas

A história das coisas - pequeno filme para toda a família, sobre a verdade que nos é propositadamente escondida. Se isto não faz abrir os olhos, não sei o que fará. Vejam e passem palavra.

está nas nossas mãos

Se cada cabelo branco que tenho no meio de todos os outros escuros fosse uma marca de sabedoria, assim como uma medalha de prata, eu olhava o espelho e sorria, agradecida.
Se não fosse olhada de cima abaixo assim que me cruzo com a primeira vizinha, não levava tanto tempo a escolher o que vestir. De certeza que nem olhava o espelho. E assim, nem sabia que tinha cabelos brancos.
Se, quando nasceu o M., as enfermeiras não me tivessem convencido com as suas vozes de soldado, que o meu filho tinha que mamar de tanto em tanto tempo aquela quantidade, eu teria escutado o recem-nascido e teria percebido a sua necessidade, ele teria sentido mais paz, e eu teria sentido o que é ser mulher, ser humano, mamífero.
E é isso que nos faz tanta falta - sermos o que somos, não o que nos dizem que somos. O que hoje nos dizem, amanhã é falso.
Mais de metade dos bens que possuímos são supérfluos. São vendas. São lucro. Não nosso, mas de alguém. Não são só os outros que batem à porta de um pseudo-escritório qualquer a reclamar o prémio que lhes foi anunciado, deparando-se depois com uma verdadeira teia-de-aranha da qual só conseguem sair se comprarem alguma coisa. Todos nós o fazemos, sem nos apercebermos.
Pelo menos, assim vejo o mundo, e cada dia que passa sinto mais certeza, menos incerteza. Tudo está a tornar-se claro, para mim. Suficientemente claro para dizer basta.
Em NY nasce um movimento chamado freegan, que vai até ao limite para combater este consumismo extremo que define, infelizmente, a nossa sociedade. Cá também existe, sem saber que tem nome, e felizmente há sempre alguém inteligente que não escolhe o caminho aparentemente mais fácil, que é aquele que já foi trilhado.
O que mais desejo na minha vida é paz, tempo, espaço. E acredito que lá chegarei, porque estou mais perto agora do que estava há poucos anos atrás. Agora vivo com menos, mas tenho mais.

Carneirinho # 2


Nasceu mais um. O M. gostou tanto que vou ter que fazer um especial para ele... Pensei que por já ter 6 anos não ligaria muito a um boneco em tons suaves e com um guizo. Mas enganei-me, felizmente.
Porque a verdade é que nos tentam impingir coisas erradas, feias, longe de satisfazerem a nossa realidade interior - desde que nascemos. E depois passamos a maior parte da vida a tentar recuperar a nossa essência tão mal-tratada.
De há uns anos para cá que me sinto fisicamente incomodada dentro de certos espaços fechados: os hipermercados, os supermercados, os centros comerciais... Evito ao máximo. Como um alimento que descobrimos que nos faz mal: evita-se. Além de ser um espaço anti-natural e viciado, é feio. Não há originalidade, criatividade, verdade.
Quem já não perdeu tempo a olhar para aquelas prateleiras dos brinquedos, não encontrando nada que realmente gostasse? E quem já não comprou brinquedos (ou roupa!) só porque não havia nada melhor e tinha mesmo que comprar algo?
Também já o fiz. Mas não hei-de fazer muito mais vezes, de certeza. Porque há muitas opções, podem é não estar naquelas prateleiras.
Acreditem, as crianças também não gostam de tudo o que lhe apresentam. Apenas precisam ter acesso a outras realidades. E tantas que há!
Vamos mudar o mundo, começando pela nossa casa!