Cedo tive que procurar um lugar para mim no mundo. Sem um pingo de medo, enfrentei os caminhos mais difíceis. O medo, vim a senti-lo só quando percebi que poderia ter-me enganado no caminho e que era possível ter que voltar atrás.
Assim que tomei a decisão de regressar, senti que algo caía no seu lugar. Estava certa. Não havia dúvida alguma dentro de mim.
Casa às costas, despedidas, a vertigem de um novo começo.
E tudo foi acontecendo tal como se tivesse sido previsto, todas as peças foram caindo no sítio certo, todo o emaranhado de situações sem nexo para mim foi se dissipando até começar a ver chão seguro, a reconhecer-me dentro da minha própria vida.
Durante toda esta viagem, houve uma pessoa que nunca deixou de me dar a mão. Apareceu vindo do outro lado do mundo e nunca mais me largou. Passá-mos os dois na mesma rua, no mesmo instante, olhá-mo-nos sem saber porquê e ainda hoje estamos juntos. Somos quase opostos um do outro, esforço-me por encontrar pontos em comum e no entanto parece que servimos um propósito acima de nós, ilustres sacrifícios em honra de deuses sedentos de sangue e vida, que nos vão usando em prol das suas vontades.
Por tudo o que já passámos e por ainda aqui estarmos, por tudo o que já construímos e por tudo o que ainda temos a aprender:
Parabéns a nós os dois, pelos 10 anos de casados.