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a importância de um auto-retrato

self-portrait self-portrait

Olhar o espelho. Demorar ali algum tempo, olhos nos olhos. Não nas ancas, não nas rugas, não nos cabelos brancos - nos olhos. Olhar tão fixamente que nos sentimos a entrar num outro estado.
O que vejo quando olho nos meus olhos? Reconheço-me? Sou a mesma, por dentro e por fora? Sou quem era? Sou quem nasci para ser? 

Dentro dos meus olhos não tenho nome, não tenho idade, não sou nem mulher nem homem. Dentro dos meus olhos sou, sobretudo, livre.

Passados uns minutos sinto-me mais eu, sinto-me em paz. E só assim me quero ver. E só eu me consigo ver como vejo.

Quem quer fazer este exercício?

está tudo bem

natal 2012

Está tudo bem, obrigada.
Cheguei a uma daquelas alturas em que tenho que parar no meio de tudo o que acontece à minha volta, deixar a poeira assentar, testemunhar sem me intrometer muito. Sinto que algo tem que mudar e quando é assim tenho que parar, atenta ao que acontece cá dentro. Comigo resulta sempre. O ritmo cardíaco desacelerou, o M. teve umas boas férias, a M. já anda (all day long) e eu sinto-me mais centrada outra vez.
Descobri que tenho que começar mesmo por mim ou não chego onde quero chegar. E descobri que o vou fazer com a ajuda desta frase mágica:

está tudo bem

Vou andar à caça dos pensamentos negativos, sejam eles provocados por stress ou estejam já habituados a viver nesta cabeça há tempo demais. Sempre que ouvir um "estou farta", "estou cansada", "estou a perder tempo com isto"," olha as horas!", etc, etc vou calá-lo com um grande, redondo, sábio "está tudo bem". Tudo em silêncio, claro está, que ninguém tem de saber que falo comigo mesma. Até agora, tenho apanhado muitos pensamentos desses e destruí-os no momento. Acreditem, funciona. Claro que logo a seguir lá vem outro e depois outro para destruir, é assim mesmo -  até haver cada vez menos pensamentos negativos para calar. É o meu jogo do ano. A minha única resolução. 

Gostava que tentassem isto comigo. E que me fossem dando notícias. O que vos parece?

a vida não se muda sozinha

A felicidade é o estado natural da alma. Ninguém nasce triste. Quando nascemos a alma parece-me bem, completa, de ciclo fechado. Aquela paz que um recém-nascido transmite é a de uma alma feliz, satisfeita.
A felicidade é a saúde da alma. Quando nascemos a alma parece leve, parece não precisar de nada (ao contrário do corpo, que depende totalmente dos outros) - ao recém-nascido basta-lhe ser.

À medida que nos vamos abrindo para o mundo (e nos vamos afastando de nós próprios) vamos fazendo escolhas e iniciando caminhos. Ninguém escolherá o mesmo caminho - o meio é diferente, os estímulos são diferentes, as circunstâncias são diferentes: a sua história será sempre única. É essa história que vamos construindo que nos empurra em direção a uma outra, e a outra, e a outra história. Haverão pessoas com caminhos idênticos, mas nunca iguais, sempre individuais.

Chega uma altura em que já temos história suficiente para olharmos para o que passou e reflectir. Chega uma altura em que vamos avaliar o que temos feito, o que andamos a fazer e o que queremos fazer. Vamos olhar para dentro. Quanto mais nos tivermos afastado da nossa verdadeira identidade, mais alto ela vai gritar dentro de nós. Ela vai reclamar aquilo que lhe é devido, aquilo que lhe tem sido retirado. A tristeza, o desconforto, o desalento são marcas visíveis da falta de saúde da alma - muitas vezes até a sentimos morta. Mas morta ela não está e se a sentimos sofrer é porque é urgente ouvi-la.

Ninguém pode receitar a felicidade a ninguém - cada um terá que saber por si próprio o que ela é para si. E não é difícil.
Muitas vezes sentia-me perdida, sentia que não estava a caminhar no sentido que devia. E sempre que me sentia assim, parava, ouvia, sofria e aguardava - se não sabia por onde ir, o melhor era aguardar. Nessas alturas imaginava-me no meio de quatro caminhos. Parava, sentava-me precisamente no meio deles e imaginava-me ali à espera. Atentamente à espera. Isto aconteceu muitas vezes.

Nessa altura, tudo na minha vida me parecia estar mal - o trabalho, o casamento, o meu dia-a-dia - tudo estava fora do sítio: eu estava fora do sítio - eu estava fora de mim. Muitas vezes procurei-me nos lugares errados, repeti os mesmos cenários. Até perceber que andava às voltas, regressando sempre ao mesmo lugar. Nesse lugar existiam sonhos, necessidades, medos, certezas. Nesse lugar estava a minha alma. Foram necessárias muitas voltas, muitas ilusões e desilusões para começar a dar ouvidos a esse lugar.

Quando, dentro do turbilhão, não conseguimos perceber o que queremos, devemos tentar prestar atenção àquilo que não queremos. O saber exactamente aquilo que não queremos pode levar-nos àquilo que mais queremos. "Quero isto?" - "não". "Então vou por ali."

Escutar a nossa voz, seja ela interior ou física, é um meio eficaz. Muitas vezes repetimos em voz alta as nossas verdades para os outros as ouvirem mas esquecemos de as ouvir também.
Eu, por exemplo, tive em tempos uma colega de trabalho muito fútil e trabalhar com ela era para mim um verdadeiro tormento. E eu repetia "não aguento mais, não aguento mais". Imaginava-me a sair pela porta fora e nunca mais voltar - nesse pequeno momento a minha alma libertava-se um pouco, talvez, mas a realidade não mudava. O meu corpo continuava lá, a ouvir a tal colega. A minha voz cá dentro gritava e eu mandava-a calar. Fechava-a, no escuro, sozinha. Ao fim do dia, saía, aliviada, ia buscar o meu filho, seguia para casa, e o dia já tinha acabado sem eu ter visto um raio de sol. Poucas horas depois, tudo se repetia, por mais um dia.

A certa altura, nesse mesmo emprego, encontrei uma mulher a quem deixei escapar o meu sofrimento por trabalhar num lugar que me fazia sentir morta e ela, percebendo tudo, disse-me algo que nunca esqueci: " é uma questão de amor-próprio". E era. Mas levei algum tempo a perceber o que isso queria dizer. "Amor-próprio" não fazia parte do meu dia-a-dia naquela altura. Se o tivesse, não faria aquilo a mim mesma.

Alguns anos depois, já noutro emprego inadequado para mim, veio o desemprego. Caiu na minha vida como um meteorito, quando menos esperava. Agarrando em mim pelos braços, abanou certezas e deitou fora planos de vida que até aí eu achava estarem certos. Mas a verdade é que tudo o que caiu para fora de mim era lixo e só depois do desespero veio a paz.

sobre a felicidade ou as melhores cebolas que já comi

as melhores cebolas que já comi

Fico muito contente em saber que não estou sozinha - os vossos comentários ao post anterior provam que existem muitas mulheres com vontade de chegar mais até si, de mudar de vida de modo a se sentirem mais genuínas e que é urgente mudar mentalidades. Comecemos então por nós próprias.

Eu não tenho nada a ensinar. Posso partilhar apenas aquilo que tenho aprendido. E gostava muito que, com comentários aqui no blogue ou deixando links para os vossos próprios blogues, este espaço fosse um espaço de partilha, útil a todas nós.

Começo por partilhar algo que descobri há muito pouco tempo: que a felicidade não é aquilo que me ensinaram. Sempre ouvi dizer que a felicidade é "contentar-se com pouco". Que aquele que se contenta com pouco, é feliz. Percebi que isso não é verdade, de forma alguma. É impossível ser-se feliz ao tentar contentar-se com pouco.

A felicidade, como a vejo agora, é pôr em prática quem somos interiormente, a nossa natureza. A felicidade é ser quem somos - nem pouco, nem muito, mas o todo.

" É feliz porque não pede muito", dizem. Que erro! Aquele que é feliz, que sente felicidade dentro (e fora) de si está cheio - tão cheio que parece que transborda. Ele não se contenta com pouco, ele contenta-se com muito. Muito, muito, muito!
Pode, aos olhos dos outros, ter pouco - talvez não tenha uma grande casa, nem carro, não ande vestido com as últimas modas, talvez viva sozinho, talvez repita todos os dias a mesma rotina. Mas se esses dias forem o espelho do que está dentro desse indivíduo, se a sua natureza se poder manifestar em tudo o que faz, então o seu contentamento é genuíno e enorme e esses dias serão certamente dias de celebração.

Ninguém se contenta com pouco. Só se esse pouco for muito.


luz

Esta data faz-me sentir particularmente insatisfeita. Comigo, com a minha vida e com o estado do mundo. Sei exactamente onde quero chegar, e vejo os dias a passar comigo a colaborar na loucura dos dias mal vividos. Mesmo sabendo o que devo e não devo fazer para chegar a esse ponto de equilíbrio dou por mim a pedir ao meu filho que se despache de manhã à noite.
Queria voltar a sentir isto.

da terra





Só eu sei a felicidade que me atravessa nestes momentos que tento cultivar ao máximo.
Ele sabe o que é uma horta, um pomar, sabe o que é semear e o que é plantar. Sabe que a terra precisa de tempo, de água, de sol e de amor (foi ele que me ensinou!). Gostaria de pegar mais vezes na enxada, se a mãe deixasse, e adora carregar o carrinho-de-mão e andar com ele de um lado para o outro. De vez em quando diz que está farto, que quer ir para casa ver desenhos, mas eu sei que o que hoje semeamos, um dia dará frutos. Porque, como li não sei onde, bem gostaria de lembrar, não é necessário estarmos conscientes de todo o processo - a semente que caiu na terra não está à vista, mas que está lá, está. E um dia, surpreende-nos.
E eu acredito que tenho aqui um lindo ser humano em casa. Amo-te mil milhões.

Terra


Se fosse sombra procurava terra


Como alimento seria flor

Do meu branco jorrava roxo


Não há fruto sem amor
Para mim a semana só fez sentido quando hoje ao fim da tarde o M. foi levar umas alfaces que ele ajudara a plantar à avó I. Este foi um momento muito aguardado e planeado nas últimas semanas. Para que sentisse o valor do trabalho lembrei-lhe que poderia tentar vender aquilo que tinha plantado e ele adorou a ideia. A partir desse dia que planeia o que vender e por quanto! Aceitou que 50 euros não era o preço mais atractivo e deciciu cobrar 50 cêntimos por alface tal como fazem os senhores da feira. Que orgulhoso e feliz estava quando recebeu as moedas na mão! E a minha mãe, emocionada com a visita e com tanta generosidade acenava do portão: - Vale ouro!
E vale.

Alegria


Apetecia escrever qualquer coisa bonita, que tocasse o coração. Estou amena, nem sim nem não. Na falta de palavras, imagens. A primeira, da (bis)avó. A segunda, do (bis)neto.


Como se mede a vida de uma pessoa? Hoje ouvi dizer que é pela alegria que se sente e se faz sentir. Para mim faz sentido.
E vocês? (está aí alguém?) Há alegria na vossa vida?

Conto de fadas moderno


Se Jean-Pierre Jeunet me pedisse (!) para fazer um filme sobre a minha vida (!) eu diria que sim mas só se Yann Tiersen fosse o responsável pela banda sonora. Quem não gosta do " Le Fabuleux Destin d' Amelie Poulain"? Pois eu não gosto. Adoro.

Não tinha a certeza se seria o melhor cd para ouvir no carro mas apetecia-me tanto que o levei comigo. A hipnose foi instantânea. A estrada era um carrossel e eu voltei aos meus 6 anos. Ai que vontade de abrir os braços e rodopiar num campo de mal-me-queres!



Por falar em campo, na casa da avó (dos trapos) as alfaces já estão a crescer e as nêsperas fazem as delícias dos pássaros que gentilmente deixam metade do fruto para provarmos.



Já de regresso a casa, com os cabelos ao vento em cima do meu corcel dou por mim a achar graça às traseiras de um camião, tão encantada que vou com aquela valsa de acordeões e pianos.