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a vida, por aqui

being part of the craft company team teaching how to make a simple dress Amanda Soule in Lisbon


Segunda-feira. 
Pausa.
Sinto que passou um tornado por mim nas últimas semanas. Sei que fiz muito, corri de um lado para o outro, estive em todo o lado, esforcei-me ao máximo - e no entanto, só me lembro de duas ou três coisas.

Sei que tive a filha doente por mais de vinte dias em casa. Felizmente já está bem mas ficou em mim aquele alarme sempre pronto a disparar que a maioria das mães tão bem conhece.

Sei que por mim têm passado centenas de metros de tecido que nos vão fazendo chegar para transformarmos em vestidos para as meninas em África. Sei por isso que o mundo está cheio de boas pessoas e que é fácil fazermos algo em conjunto por um mundo melhor. Que dá trabalho, muito trabalho, mas que é possível. E que é muito gratificante. 

Sei que dei a primeira aula de costura em toda a minha vida e que correu bem! Ajudei a Cláudia e a Inês a fazer um vestido para o Dress a Girl  e que bom que foi vê-las tomar esse poder em mãos, o de saber fazer uma peça de roupa. 

Sei que o Amo-te Mil Milhões chamou por mim muitas vezes e que não lhe pude dar atenção, com muita pena minha. 

Sei que entrei para a equipa da The Craft Company, onde eu já me sentia em casa, e que lá estou aos fins de semana a tentar conhecer melhor todo aquele mundo de fios, tecidos, agulhas e tanto mais.

Sei que alcancei um dos meus maiores sonhos dos últimos dez anos, que julgava tão difícil de alcançar - conhecer a Amanda Soule e dar-lhe um grande abraço por tudo de bom que me tem dado ao longo desta década! Senti-me como uma criança a olhar para o seu ídolo, consciente do ridículo que é idolatrar alguém, mas felicíssima por a vida me ter dado aquela alegria! 
Graças à Rosa, que recebeu a Amanda na Retrosaria, à Sacha, que ficou na The Craft Company a segurar as pontas sem mim e à Marta que me fez companhia pude viver um momento que jamais esquecerei e que guardarei comigo para me lembrar de que nada, nada é impossível. De que se nos mantivermos no caminho que acreditamos ser o nosso, que tudo é possível. De que o esforço tem sempre a sua recompensa.

Olhando para trás, nestas últimas semanas, sinto que algo passou por mim a correr - talvez um alinhamento nos planetas, um antepassado a olhar por mim, um ciclo a fechar-se e outro a começar - quem sabe? E eu estive lá, presente, a correr mas a saborear o momento, grata por todos os seres humanos que estão, neste momento da minha vida, a meu lado. 

Hoje é segunda-feira, dia de pausa. E eu, sem pausa, não quero ser. É na pausa que me encontro. E que vivo tudo outra vez, mas devagar.

Uma boa semana a todas!

o primeiro dia do resto das nossas vidas

primeiro dia primeiro dia

Não é o Natal que me comove. É o celebrar o fim e o início de um novo ciclo, ano após ano como se da primeira vez se tratasse, acreditando sempre que tudo correrá bem, de coração seguro e sereno que me deixa arrepiada. Talvez não tenha sido sempre assim, muitos anos houve em que não sentia acesso directo a essa janela. Sabia que a tinha, sabia onde estava, mas sentia-a fechada. E sabê-la fechada doía. Passei muitos anos de janela fechada e sempre que olhava para dentro e me procurava, o que sentia era dor. Lembro-me de um sonho que tive há muitos anos, onde ao andar por uma casa grande e bonita, encontrei uma janela fechada. Ao olhar para ela, abriu-se, e através dela entraram centenas de borboletas coloridas para dentro de casa. Guardei essa imagem com esperança de um dia me sentir assim, um cheque-prenda do meu inconsciente com validade vitalícia. Talvez a melhor prenda de sempre.
Hoje, ainda a caminho de me sentir bem na minha pele e de saber dirigir a minha vida, quanto mais a dos meus, posso felizmente contar com essa paz interior que sei onde mora e sei que me espera sempre que dela precisar. E sinto-me grata, muito grata, por ter chegado até aqui.
Agora há que cultivar e praticar, dia após dia, para que essa fonte de paz e criatividade me transforme e através de mim, o meu mundo se transforme também. 

Desejo-vos um ano bom, do fundo do coração.


primeiro dia


seguir o caminho

Caminho na areia, onde os passos pesam mais e deixo que o oceano me veja ali, a existir. Aquela dúvida que germinava cá dentro encontrou finalmente o seu lugar, como uma semente que espera ver a luz do sol. Talvez todas as dúvidas sejam sementes.

A vida pode exigir muito de uma pessoa. E isso é bom, eu gosto de acordar e saber que tenho muito para fazer. Mas conseguirei eu fazer tudo o que o dia pede de mim? E quando o consigo, é bem feito ou apenas feito? Estou a chegar onde quero chegar?
Tenho um pré-adolescente em casa que precisa tanto ou mais de mim agora como quando nasceu. Na verdade, ele nasce outra vez. Só que desta vez leva bagagem às costas. No outro dia apercebi-me de que já não me deitava a seu lado para ler um livro à noite há muito, muito tempo. E como soube bem voltar a fazê-lo. E como está grande, o meu bebé, que já quase não cabe na cama sozinho, quanto mais com a mãe ao lado. E ele adormeceu em paz, como dantes, feliz por ser filho.
Na outra cama, a dos pais (e dela), a pré-criança chama pela mama da mamã, porque há que saber exigir aquilo que queremos e que nos faz feliz. O que nos faz feliz é nosso por direito. Será? Acabei de inventar.

Como que a remar contra a maré, chegar ao fim do dia sem mais forças físicas e mentais para agarrar trabalho, dorme bem, até amanhã. É para isto que estou em casa? Para correr pelos dias sem conseguir fortalecer esta casa, esta família, esta minha vida? Não. 

Hoje descobri, ou melhor, aceitei que o facto de não conseguir trabalhar tanto como seria desejável me tem estado a fazer muito mal. Tudo o que faço, faço-o pensando que devia estar a trabalhar e que não o estou a conseguir fazer. E isto é pedir problemas. 
Para além de não estar a trabalhar, não estou presente naquilo que estou a fazer, seja a brincar com a senhorita Alecrim, seja a fazer o jantar para a família que está finalmente junta no seu abrigo seguro, seja mesmo a dormir, porque a tendência de quem não consegue deitar mão ao trabalho durante o dia é roubar horas à noite. 
E como se isso não bastasse, a pessoa que se culpa por não conseguir mais compara-se àqueles que o parecem conseguir. E tem medo. Tem medo de ficar para trás. E de deitar tudo a perder, depois de tanto trabalho para conseguir chegar onde chegou.

Mas o ressoar do bater das ondas hoje acalmou-me e disse-me que o meu verdadeiro caminho não é esse. O meu caminho é a tal busca da vida simples, inspirada e em comunhão com a natureza. Esse é o caminho que se abre à minha frente. E o medo acabou assim que a dúvida atingiu solo fértil. O fazer bonecos vai fazer sempre parte de mim mas não define o que sou. Ele é um ramo, não a árvore. E isso é bom e eu aceitei e o meu ego calou-se.

Isto para vos dizer que não vou aceitar mais encomendas nos próximos tempos, talvez até a cria mais nova começar a ir à escola. Espero com isto conseguir estar mais presente na vida dos meus filhos, ter mais tempo para enveredar por novos projectos, conseguir finalmente costurar para mim e muito, muito mais. 

Aqui voltarei sempre, como faço há quase seis anos, com muito gosto e muitas partilhas.



♥

Eu quero

eu quero eu quero eu quero eu quero eu quero eu quero

Dizem que devemos pedir alto e em bom som aquilo que queremos. A minha avó garantia-me que a palavra falada tinha poderes mágicos. Afinal, antes de tudo ser, já o verbo era.
Eu não sou muito de pedir mas a verdade é que das poucas vezes que assumo algo que quero, esse algo aparece-me aos pés. Se calhar tenho ali um armazém celestial cheio de dádivas à minha espera sem saber. Se calhar, o mundo espera por mim, por um pequeno primeiro passo meu. Se calhar estou pronta.

Descobri que o meu cansaço se devia em grande parte ao não dormir o suficiente. Sabiam-me bem aquelas horas à noite sozinha, quando todos já estavam a dormir. Era esse o meu espaço para trabalhar, para descansar, para ser eu. Mas não dormia o suficiente. Deitar cedo e cedo erguer dá mesmo saúde e talvez faça crescer. Sinto-me muito melhor, os dias são maiores, o tempo está comigo e eu - eu estou no mesmo ritmo da família. Quando olho ao espelho não me vejo como algo que não reconheço e aquela camisola velha e larga voltou a ser a camisola que me faz sentir confortável e não apenas a camisola velha e larga de sempre. 
Agora resta-me descobrir como encontrar espaço para mim e para o meu trabalho durante o dia e não deixar que as encomendas à minha espera me façam sofrer. Vai ser mais fácil do que pensava.

Agora que já encontrei o ritmo que precisava (não me importo de conseguir acordar ainda mais cedo, com os primeiros pássaros da manhã e isso é bem capaz de acontecer com a vinda da Primavera) sinto que posso e devo assumir aquilo que já há muito deixou de ser um sonho e tomou conta de mim. 

Eu quero viver numa quinta. 

Não é fácil dizê-lo, mesmo que escrito. E mesmo não sendo novidade nenhuma, parece que algo em mim encontrou o seu lugar e que talvez por isso eu esteja pronta para o querer mais que nunca.
Não é um sonho, é uma necessidade. Sei que não é coisa pouca mas para quem nunca pede nada... Abram esse armazém aí em cima que eu estou pronta. Prometo que vos trato bem e que nunca vos deixarei cair em esquecimento. Sim?

Agora vou ali dizê-lo em voz alta.


ano vai, ano vem

ano vai, ano vem ano vai, ano vem ano vai, ano vem ano vai, ano vem

Ano vai, ano vem e nós dentro desta roda viva que é o tempo, aquele que talvez não existisse se não houvesse o ser humano para o medir. Eu gosto deste ritual de chegar ao fim de mais uma etapa e celebrar o início de outra. O ano novo é uma grande segunda-feira.
Dezembro costuma chamar-me à praia. Preciso, mais que nunca, de me levar até ao mar. Ouço-o daqui da sala neste preciso momento em que escrevo. Ouço-o todas as noites, enquanto trabalho. Gosto dele assim, bravio, todo o universo nesta praia. 
Lembro-me pouco deste último ano. Lembro-me pouco dos últimos dois anos. Para dizer a verdade, acho que a ida da minha avó e a vinda da minha filha quase em simultâneo me sugaram todas as forças. 
Sinto que estou a começar a recuperar. 
E por isso o mar me chamou e eu fui e ele me limpou a alma e eu pedi-lhe que cuidasse de nós e prometi-lhe que seria uma boa pessoa. Mesmo sabendo que o mar não perdoa. Mesmo sabendo que não sei nadar. Mesmo sabendo que dentro de mim habitam fantasmas e que eu, tantas vezes grande demais para o corpo que me calhou, me sinto tão pequena para conduzir este barco a bom porto.
E é isso que quero. Conduzir o meu barco a bom porto. 

Que 2014 seja um bom ano para todos nós. Eu acredito que vai ser.

vitaminas

vitaminas vitaminas vitaminas vitaminas

Jurei a mim mesma que quando acabasse a manta tirava uns dias de descanso. É o que tenho tentado fazer. Com um sangue como o meu é fácil cair em exaustão e por mais que tente, há dias em que sinto que o corpo não consegue dar mais. Hoje não me senti a tremer, não caí no sofá rendida, não desesperei ao fim do dia. Foi um dia bom, um dia em que brinquei, em que tomei chá de bonecas e não me preocupei com (quase) nada. E depois comecei a tirar fotografias à nossa brincadeira e percebi que isso já não era brincar. Parei e fomos dançar.

37

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Esta carangueja de casa 8 com ascendente em sagitário concluiu 37 voltas ao sol há uns dias atrás. Embora a vida me passe a correr sinto que sou cada vez mais eu.
O Universo é a minha casa. A terra é o meu colo.

Este ano quero limpar a minha casa, a minha vida, o meu corpo e a minha mente. A minha alma agradece.

a importância de um auto-retrato

self-portrait self-portrait

Olhar o espelho. Demorar ali algum tempo, olhos nos olhos. Não nas ancas, não nas rugas, não nos cabelos brancos - nos olhos. Olhar tão fixamente que nos sentimos a entrar num outro estado.
O que vejo quando olho nos meus olhos? Reconheço-me? Sou a mesma, por dentro e por fora? Sou quem era? Sou quem nasci para ser? 

Dentro dos meus olhos não tenho nome, não tenho idade, não sou nem mulher nem homem. Dentro dos meus olhos sou, sobretudo, livre.

Passados uns minutos sinto-me mais eu, sinto-me em paz. E só assim me quero ver. E só eu me consigo ver como vejo.

Quem quer fazer este exercício?

pôr-do-sol pôr-da-terra

o pôr-do-sol o pôr-do-sol o pôr-do-sol

O olhar fixa o infinito. A alma escapa-se e voa para longe, livre. Sai-me do peito sem pedir licença, que a janela estava aberta. Deixo-a ir. 
O Ser Humano tem asas do tamanho do horizonte.

está tudo bem

natal 2012

Está tudo bem, obrigada.
Cheguei a uma daquelas alturas em que tenho que parar no meio de tudo o que acontece à minha volta, deixar a poeira assentar, testemunhar sem me intrometer muito. Sinto que algo tem que mudar e quando é assim tenho que parar, atenta ao que acontece cá dentro. Comigo resulta sempre. O ritmo cardíaco desacelerou, o M. teve umas boas férias, a M. já anda (all day long) e eu sinto-me mais centrada outra vez.
Descobri que tenho que começar mesmo por mim ou não chego onde quero chegar. E descobri que o vou fazer com a ajuda desta frase mágica:

está tudo bem

Vou andar à caça dos pensamentos negativos, sejam eles provocados por stress ou estejam já habituados a viver nesta cabeça há tempo demais. Sempre que ouvir um "estou farta", "estou cansada", "estou a perder tempo com isto"," olha as horas!", etc, etc vou calá-lo com um grande, redondo, sábio "está tudo bem". Tudo em silêncio, claro está, que ninguém tem de saber que falo comigo mesma. Até agora, tenho apanhado muitos pensamentos desses e destruí-os no momento. Acreditem, funciona. Claro que logo a seguir lá vem outro e depois outro para destruir, é assim mesmo -  até haver cada vez menos pensamentos negativos para calar. É o meu jogo do ano. A minha única resolução. 

Gostava que tentassem isto comigo. E que me fossem dando notícias. O que vos parece?

boas festas

Há pouco mais de um ano a minha vida mudou muito. Foi-se a mulher que me criou e chegou a mulher que eu estou a criar. Tudo em poucos dias. Como se uma tivesse que dar lugar a outra. Agarrei-me às paredes do corpo para segurar a alma. Segurei-me de tal forma que deixei de sentir muita coisa. Deixei de conseguir chorar. Deixei de conseguir dormir. Deixei de conseguir descansar. 
Hoje venho aqui desejar-vos boas festas, agradecer-vos mais uma vez a vossa visita, a vossa companhia. Agradecer ainda mais àqueles que investem uns minutos do seu dia para deixar um comentário porque um blog sem comentários é um blog triste, que fala sozinho e que pondera calar-se um dia.
Venho também lembrar que esta época não é uma época de consumo, que ninguém é obrigado a dar presentes a ninguém, que tudo isso é uma invenção dos dias modernos e nada natural - nem humano. Que esta é uma época para se estar em companhia daqueles que nos são mais queridos, com tempo, para se estar presente, inteiro. É a época de dar luz à casa, de limpar a casa, de aquecer a casa. E com a casa, a família, o coração, a alma. 

E é isto que vou fazer. Parar, sentar, brincar. Volto no novo ano.


Um feliz natal e um próspero 2013 a todos!

pôr do sol II

pôr do sol

Há fins de tarde em que o mundo é mais que mundo.
A grandeza da vida mesmo à minha frente, sem eu pedir nada, sem eu esperar nada. Tudo o que faço é retribuir um olhar atento, um encher de alma, um respirar fundo. E volto a onde estava, mais confiante, mais serena, mais descansada.

O céu está sempre ali.


pôr do sol

pôr do sol I

postal de casa

Esta terra tramou-me. Eu, ave migratória, que nunca fico mais de três anos na mesma casa, já cá estou há muitos (acho que sete). Quando para cá vim disse a mim mesma que seria uma oportunidade para aprender a viver com menos, apenas com o essencial, e a viver mais o mundo lá fora. Porque a casa é pequena mas o mundo aqui é grande. Repito: aqui, o mundo é grande.

Não sei se aprendi a viver com o essencial ou se me tornei mestra na organização. Acho que estou a abrir horizontes internos e a deixar que a casa se vá transformando consoante as necessidades de quem cá vive. Uma evolução quase orgânica, não fossem as paredes de betão. E enquanto ela se vai modificando, eu tento acompanhar, sempre atrás, a reorganizar gavetas e a mudar armários, a deitar fora o lixo e a fazer disto um ninho onde todos se sintam bem.

E as paredes lembram-me sempre que nunca vou ter tudo sob controlo, nem na casa nem na vida, e que é lá fora que está o mundo, e que grande é o mundo, o mundo que não me deixa ir embora para uma casa ampla e organizada de paredes controladas.

E piso este chão e olho este horizonte e a certeza de que tudo vai correr bem volta, sempre. 
Aqui, tenho o mundo à porta de casa.


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Trinta e seis voltas ao sol. Um acaso de pessoa, de circunstâncias, de lugares, de encontros e desencontros. Peças soltas de alma que procura a casa mãe.

Hoje e sempre, quero ser mais eu. Vou me esforçar por ser mais eu. Porque só quando sou eu, eu sou feliz. Porque ser feliz é apenas ser.

Hoje e sempre, vou ser.

pequeno almoço

pequeno almoço

O dia tem que começar em silêncio para começar bem. Tenho que ter espaço para não ouvir, não pensar, não falar. Enquanto a água ferve, o pão torra. Para mim. 
Se conseguir chegar à mesa ainda neste acordar só meu, então o dia vai ser bom. 
Naqueles minutos em frente à janela, os sonhos da noite vão-se despedindo, deixando a casa arrumada, com a certeza de voltar sempre enquanto eu cá estiver.
É este o meu alimento preferido - o silêncio da manhã com cheiro a pão torrado e chá preto a fumegar.

pequeno almoço

no meu canto

hello world

Fui convidada a responder a umas perguntas e a elas juntar umas fotos minhas e do meu trabalho. Fotos do meu trabalho não faltam mas minhas é coisa rara e difícil de conseguir. Mas lá teve que ser. Pedi ajuda à minha prima, que mais uma vez me veio acudir em hora de aflição e passámos uns minutos a brincar. E não custou assim tanto, pois não Maria?

no meu cantinho

só eu

Uns minutos sozinha, com o mais velho no banho e a mais nova a dormitar. Chá preto e torradas e um pouco de internet sabe a férias, mesmo que por poucos minutos.
Tenho planos, ideias, mil e uma coisas para pôr em prática - por enquanto contento-me com a teoria. 

Quando passo pelo espelho vejo cabelos brancos e rugas no canto do olho mas o meu sorriso é cada vez mais verdadeiro.

Acordou. Tenho de ir.

34 redondas semanas

aqui e agora

Ainda sem grande vontade de falar ou de partilhar seja o que for, porque tudo parece tão fútil e cheio de nada depois da morte. Mas eu sei que é à vida que tenho que me agarrar, com força, e fazer dos pequenos nadas algo cada vez maior. Só assim a vida me parece ter algum sentido.
Sei que ainda estou longe de digerir o que aconteceu, de fazer as pazes com o facto de ter acontecido justamente agora, de aceitar ver retirada a vida a alguém que ainda tinha muito para viver quando há tantos para quem a vida lhes é indiferente e ficam cá apenas a desperdiçar o maior bem que lhes foi dado. Mas ao mesmo tempo sinto-me serena, há uma paz em mim que nem sei explicar, como se já tivesse vivido muito e soubesse que a vida é isto.
Lembro-me do dia em que, sentadas à mesa, lhe disse que queria tirar proveito do facto de estar desempregada e arregassar as mangas, trabalhar na terra, fazer algo daquele terreno, construir algo de valor. Os seus olhos brilharam de entusiasmo, aquele entusiasmo que me fazia acreditar que tudo era possível, porque se a minha avó acreditava é porque era possível. E conseguimos tanto. Ela mais que eu, conseguimos fazer jardins, muros e hortas, trabalho duro mas que me deu tanto prazer, mais prazer que outro trabalho qualquer. E a sua felicidade era a minha maior recompensa.
Sei que ainda não acordei, a mente trai-me e diz-me para lhe telefonar, não consigo entrar naquela casa nem sequer pegar nos trabalhos que deixou a meio para a bisneta que está quase a chegar.

Com tudo isto, agarro-me aos dias, devagar, esperando crescer.

aqui e agora

do sangue

Não há futuro ou mesmo presente sem ele. Sem sangue que nos aqueça o corpo, tudo o resto é vida paralela, é memória, é apenas ideia - enquanto estamos ali deitados pensamos naquilo que ainda não fizemos, naquilo que não podemos deixar de fazer, no mais importante da nossa vida que é sempre quem nos está próximo e nada mais porque só as pessoas que amamos são realmente importantes numa vida.
E é quando o sangue começa a entrar na veia, vermelho escuro e vivo, o calor a regressar à pele pálida que depressa se sente corada que nos sentimos gratos pela vida, pelos outros, por sermos uns para os outros, por sermos todos um.
Não sei de quem é o sangue que me trouxe hoje um pouco mais de vida ao corpo mas vou trazê-lo comigo para sempre no coração.

Obrigada aos dadores de sangue.

35

35

Muitos cabelos brancos e continuo criança.
Vivam os 35!