Na escola, tentam convencer-me a baptizar o M. para que ele venha a fazer a primeira comunhão.
Eu sou baptizada e fiz a primeira comunhão, como a maioria das pessoas da minha idade. Porque era costume, fazia parte do viver em sociedade que se diz católica. Se bem me lembro, nunca gostei de ir à catequese e inventava sempre alguma artimanha para faltar - até que fui descoberta e tive que voltar. Mas não por muito tempo.
Eu pensei que a sociedade tinha mudado um pouco, arejado um pouco, que se tinha decidido a parar de fazer só para parecer. Mas parece que me enganei, ainda há muita gente a baptizar os filhos só porque assim tem sido - e outros porque acreditam no que estão a fazer, que muito respeito.
Ao telefone, a catequista tentou convencer-me a tudo.
Segundo ela, sem uma religião em que acreditar sentimo-nos perdidos nas aflições da vida e podemos cair em maus caminhos. Com respeito à senhora, não me ri - mas respondi.
O acreditar é uma força que existe em nós, muito antes da religião aparecer. Compete-me a mim, como mãe, ajudar o meu filho a descobrir essa força que nasceu com ele e dar-lhe bons exemplos, nos bons e maus momentos da vida, agarrando-me também eu à força. E como o faço!
Sinceramente, não acredito que a fé tenha que estar ligada a uma religião e que é a religião que promove a fé!
Se um dia o meu filho se interessar pela religião, é sinal que pensa, que é inteligente. Por enquanto, se eu o fizesse baptizar contra sua vontade, seria hipócrita e pequena, muito pobre no acreditar.
Acreditar é a minha força e é ela que me mantém em pé. Se assim não fosse já tinha desistido de muito.
Só tenho pena que a senhora catequista tenha me tentado convencer. É mau sinal.
