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Páscoa em Castelo de Vide II - Rancho Folclórico



" Os trajes deste rancho dividem-se em dois grandes grupos: Passeio/Festa e Campo/Trabalho.
No primeiro grupo o destaque vai para os bordados das saias das mulheres, para as costas dos coletes dos homens e para as aplicações de veludo como forma de exteriorizar a riqueza da família a que pertenciam. (...)
Nos trajes de trabalho a pouca nobreza dos tecidos é compensada pelo colorido que serve também para das alegria a quem os vestia, os quais desempenhavam funções bastante árduas e exigentes. Os homens usavam trajes de serrobeco ou cotim e as mulheres chitas e xadrez de lã. Os trajes de trabalho são os que melhor representam esta região.(...)"
texto tirado daqui
Vistos de perto, estes trajes são ainda mais bonitos. Desde os sapatos (os que mais me chamaram a atenção foram herança de um familiar, não havendo quem os faça hoje em dia, pelo menos ali por perto), as meias (essas sim, ainda se encontram à venda no comércio daquela vila), às saias bordadas a veludo e aos coletes de festa dos homens - todas as peças parecem dizer que são únicas e que foram feitas para durar, mantendo a beleza e a cor originais.
Enquanto falávamos, as mulheres mostravam-me as saias roídas pela traça, já com tantos anos de uso. Foram passando de geração em geração - hoje não há quem as faça.
Mas aquilo que mais me fascina nos trajes típicos são os trajes do campo. A conjugação de padrões e de cores é sempre fascinante. Não consigo ficar indiferente a um xadrez junto de um florido.




A caminho de Monsaraz V






Em plena vila de Monsaraz encontrei uma holandesa. Chegou a Monsaraz há 45 anos, onde mais tarde comprou a Fábrica Alentejana de Lanifícios, em Reguengos de Monsaraz e a ela se dedica de corpo e alma. A sua loja, a Loja da Mizette, é paragem obrigatória para quem se interessa pelo artesanato genuíno português.
O artesanato laneiro está na origem do actual concelho de Reguengos de Monsaraz e constitui uma referência fundamental na história da região. Desde o séc. XVI as passagens de grandes rebanhos da transumância ligada à Mesta Espanhola, juntamente com a fixação no local de couteiros da Casa de Bragança, criaram condições excepcionais para o desenvolvimento desta actividade.
A Fábrica Alentejana de Lanifícios encarna toda essa herança. Desde a sua formação, na década de 30, continuou o prestígio e a qualidade dos tecidos reguenguenses, criou a imagem de marca das Mantas de Reguengos e contribuiu significativamente para a sua internacionalização quando em 1958 lhe foi atribuída a Medalha de Ouro na Exposição Universal de Bruxelas.
É propriedade, desde 1978, de Mizette Nielsen que continuou a tradição, divulgando ainda mais a manta alentejana. Introduziu inovações e criatividade. Acrescentou valor e nova dimensão a uma arte tão significativa na identidade cultural do Alentejo.


Foi uma surpresa, mas uma surpresa boa. Esta mulher, vinda de tão longe, tem uma missão nas mãos. O seu receio, e meu também, é que não haja ninguém que continue esta tarefa quando ela se aposentar.
To be continued...