Mostrar mensagens com a etiqueta campo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta campo. Mostrar todas as mensagens

terra

a ser

a tecer

a viver

a crescer


O Blogger esteve grande parte do dia com problemas e decidiu eliminar o meu último post, sem mais nem menos. As fotos, reponho-as; o texto, já não o sei.
Espero que não se volte a repetir.

"É quando tiro os pés do apartamento que sinto a (minha) vida a pulsar.
Tenho a certeza de uma coisa: se todos trabalhassem a terra para garantir o seu alimento, o mundo estaria muito melhor. E se, no lugar de casas construídas umas em cima de outras, as habitações permitissem o contacto directo com a terra, por poucos metros que fossem, a sociedade não andava tão deprimida, confusa, irrequieta, obesa, solitária, perversa.
Querem tirar as famílias da frente da televisão? Ensinem o pai, a mãe e os filhos a pegar numa enxada, a semear a terra, a regar e a cuidar, a esperar, a ver crescer - a comer com prazer, com respeito, com humanidade"

O meu obrigada do fundo do coração à Ana e à Luísa, que me enviaram o texto. Assim já me sinto mais recomposta :)
Um bom fim-de-semana a todas(os)!

da árvore para a mesa

apanhar laranjas

apanhar laranjas

apanhar laranjas

Este ano quero voltar a trabalhar no nosso campo. Um pouco de terra, saúde e boa vontade dão frutos deliciosos.

das nossas mãos

jasmim

nascem plantas que se tranformam em flores

amoras

que se transformam em frutos

maçãs

que se transformam em alimento

jacarandá

crescem árvores que testemunham a vida de gerações

pedra humanizada

saiem as mais simples e bonitas marcas do território

de uma outra realidade

respirar

descansar

colher

Uns dias fora da rotina devolveu-nos o nosso ritmo natural.
Por enquanto, tal como aconteceu da última vez que voltei de um outro campo, ainda não consigo falar. Quero que este ritmo fique em mim.

Primavera




A chegada da Primavera traz consigo a vontade de trabalhar na terra, do contacto directo com a natureza - é lá que me sinto verdadeiramente feliz, de coração a transbordar.
No passado sábado, dia de limpar Portugal, fomos sujar um pouco as mãos ao pedaço de terra da minha avó. Porque se queremos mudar o mundo devemos começar por nós, pela nossa casa. Parece que está na moda ser voluntário mas apenas fora de casa - por dentro, da casa, da família e da pessoa em si, não há voluntariado nem altruísmo que o valha, na maioria dos casos.
Três adultos e duas crianças limparam ervas-daninhas que chegavam aos joelhos, cortaram galhos que impediam passagens, pisaram lama, subiram árvores, riram, transpiraram - e fizeram a diferença.
Tenho andado para fotografar uma data de sacos que fiz mas ainda só consegui tirar a estes.

depois de duas semanas no campo


Já voltámos à realidade.
É tudo o que consigo dizer, por agora.

des frutar





São duas horas e trinta e três minutos da manhã. O M. dorme, mais calmo. A Primavera prega-lhe sempre umas partidas de mau gosto e não há como fugir ao pólen que anda no ar. As férias da Páscoa passam-se assim em casa, e ele não se importa nada.
O blog tem andado um pouco repetitivo. A julgar pelas fotografias parece que ando a sair pouco de casa. E é verdade. Quando o local de trabalho é em casa, a vida lá fora passa-nos um pouco ao lado. E isso não é necessariamente mau.
Ainda agora, ao tentar organizar um pouco os ficheiros de fotografias, fui-me dando conta de como a minha vida mudou neste último ano. Todas as pequenas peças aparentemente sem nexo foram encaixando numa peça só, e aquilo que em mim pareciam sonhos e ideias abstractas eram afinal imagens de mim, partes de mim que procuravam a todo o custo chegar à minha consciência.
Cada vez mais me apercebo que todos os dias somos bombardeados por pequenas grandes mensagens interiores. Reclames interiores. Uma atrás da outra, ao longo de um dia, o nosso subconsciente vai enviando mensagens que acabam por ficar por ali, num meio termo, num lugar neutro, num limbo à espera de descodificação. E com o tempo, com muito silêncio, com muitas noites à máquina de costura, vamos aprendendo a ouvir essas desesperadas mensagens que mandamos a nós próprios.
E assim, olhando as centenas de fotografias tiradas neste último ano, percebo a mudança que começou a acontecer em mim desde que parei de tentar ser a pessoa que acreditava que devia ser. Inevitavelmente, sempre com a sensação de não pertencer, de não conseguir, de não prestar. E assim sempre será, enquanto um ser vivo tentar se passar por outro.
Pergunto-me se os outros animais passarão pelo mesmo, já que é tão comum entre nós.
No ano passado, por esta altura, iniciava um novo ciclo. Para mim e para a minha pequena família. Porque connosco arrastamos sempre aqueles com quem partilhamos os dias, seja para cima, seja para baixo. E a responsabilidade de nos ouvirmos a nós próprios torna-se ainda maior quando temos por perto um ser maravilhoso ávido por aprender que nos tem como modelo para a vida.
E não foi num ano que consegui chegar à verdade de mim - tenho trinta e dois anos para desaprender. A minha luta continua: recuperar aquilo que me foi retirado e devolvê-lo a quem mais amo.
Boa Páscoa

dias azuis





Já há muito tempo que não íamos trabalhar no terreno da avó. É um pedaço de terra imenso, onde podemos esquecer um pouco o reboliço do fim-de-semana turístico à porta de casa, onde o tempo é mais generoso e não passa por nós a correr.
Gosto de lá ir, principalmente nesta altura do ano em que a natureza quase ousa ser selvagem, não fossem andar por ali certas pessoas de ancinho na mão à espreita de novas ervas-daninhas no meio das tão esperadas couves e alfaces. Este ano não vamos colher tanto como no ano passado. Não demos a devida atenção à terra. Foram dias a correr, de trabalho e de escola, dias pequenos, semanas corridas. Mea culpa.
Os momentos que lá passamos, no meio de pedras e terra, natureza bruta versus teimosia humana, são momentos saudáveis, de pura satisfação. Chegamos a casa cansados mas mais unidos. E passados vários anos de crise esta união que sinto agora sabe a milagre.

aventuras agrícolas


O nosso à-vontade na agricultura é tal que ainda este fim-de-semana comi melancia e morangos. Como o conseguimos, não sei. As melancias, desta vez mais pequenas que uma bola de ténis, são sempre deliciosas. Acho até que é um achado. Quem não gostaria de levar pequenas melancias para a praia, para comer à colher?
E mais à esquerda, a laranjeira já cheira. Muitas laranjas já caídas no chão, outras a apodrecer nos ramos e outras, muitas e muitas à nossa espera para serem colhidas. Ainda não estão maduras mas sente-se já o doce que serão daqui a pouco tempo.


E num instante o fim-de-semana acabou e agora é lutar para que a semana não pareça ter só dois dias, pois que ultimamente poderia jurar que de segunda-feira passamos logo a sexta-feira.



Amanhã, novidades. Até lá!

Paz




no meu mundo.

aos que estão longe mas perto

O pai já voltou e a constipação já foi embora. Embora tenha aguentado muito mais tempo que a mãe, não conseguiu manter-se acordado até ouvir a chave na porta. As saudades, já as mataram todas.

Na casa da avó, andou de enxada na mão, regou e procurou pedras para acertar o chão da entrada da sua casa que por sinal ainda não conseguimos acabar. Talvez receba a chave do seu pequeno T0 na noite de Natal!...
Não me importo nada que o outono traga consigo restos do verão. Afinal, as cores combinam bem entre si, nada destoa neste quadro sem fim. Saberão os pássaros que já não é primavera ou seremos nós que andamos fora de horas?
E nada como uma grande taça de pipocas feitas na hora para acabar bem o dia. Eu diria mais, nada como trabalhar na terra para começar bem a semana!
Espero que o vosso fim-de-semana tenha sido tão bom quanto o nosso!


paixão
















Amar, amar, amar siempre y con todo
El ser y con la tierra y con el cielo,

Con lo claro del sol y lo obscuro del lodo.
Amar por toda a ciencia y amar por todo anhelo.

Y quando el montaña de la vida
No sea dura y larga, y alta, y llena de abismos,
Amar la immensidad, que es de amor encendida,

Y arder en la fusión de nuestros pechos mismos...


Rubén Darío