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a caminho

a caminho de Moçambique

Lembro-me de estar deitada na cama, a olhar pela janela, e de me ver junto de muitas crianças em África. Eu própria era ainda criança. Essa imagem nunca mais me largou e com o tempo passei a chamá-la de sonho. 
Hoje sei que os poucos sonhos que tenho são na verdade objectivos a cumprir. São chamamentos, talvez bem mais velhos que eu, que me guiam e me levam até onde devo chegar. Por isso dói quando me afasto do caminho, sinal que a alma sabe o que faz e está atenta, verdadeiro GPS interior. Já quando me aproximo do destino, a sensação é muito diferente. Sinto que a peça que me faltava está tão perto que logo me sinto mais cheia, mais alta, mais completa. Deve ser um jogo, isto da vida - alimentar este Ser que somos até atingir o nosso potencial máximo (afinal não muito diferente de um jogo de consola).
O primeiro grande objectivo a cumprir foi o de ser mãe. Done. Serei sempre mãe, com muita honra por ter sido escolhida para criar dois seres tão bonitos e especiais.
O segundo é fazer algo pelo mundo. Caramba, o que me havia de calhar. Levar de onde há a mais para onde há a menos, é o que sinto que estou a fazer nestes últimos tempos. De há uns anos para cá que vejo a minha casa fazer de armazém de roupa, que me chega de quem não a quer mais para ser distribuída por quem dela precisa. Vejo-me a mim e às amigas que muito me ajudam nesta pequena loucura sempre de um lado para o outro, recebendo aqui, distribuindo ali, muitas vezes lavando tudo antes, fazendo triagem após triagem, carregando quilos de um lado para o outro porque simplesmente não ficamos indiferentes à injustiça social, porque não nos conformamos com o desperdício, porque somos teimosas, talvez, e acreditamos que é em casa, com as nossas mãos, que se começa a mudar o mundo. 
No seguimento desse meu destino a cumprir, aparece o Dress a Girl Around the World mesmo à minha porta. Desafio aceite. Procurar empresas e particulares que possam oferecer matéria prima, convocar mãos talentosas e generosas que nos ajudem a confeccionar vestidos para as meninas mais desfavorecidas em lugares do mundo onde a pobreza é mais que miséria é o projecto que já existia em mim mas que ainda não tinha ganho forma porque sozinha não saberia como começar. Nunca imaginei que este projecto, outrora um sonho, fosse tão bem aceite e que crescesse tanto em tão pouco tempo, ganhando a forma que hoje tem, graças a todas (e todos) que se juntam a ele. Em meu nome e em nome do Dress a Girl, obrigada pela vossa confiança. Porque se no princípio ainda assistíamos a dúvidas sobre se valeria a pena o trabalho, se os vestidos chegariam de facto às crianças - hoje notamos que conseguimos ganhar a confiança que sabemos merecer porque nos esforçamos muito para que o fruto do trabalho de cada um chegue exactamente onde queremos que chegue. 

E é assim que me vejo aqui. Dentro de três dias parto de mochila às costas para Moçambique na companhia da Vanessa Campos, a embaixadora do Dress a Girl em Portugal e da ONG SIM com o objectivo de distribuir todos os vestidos que conseguirmos levar. A nossa missão será a de dar em mãos o fruto do vosso empenho. A cada menina, um vestido, feito por uma voluntária. Em troca, queremos trazer o nosso testemunho sobre o que lá vimos e sentimos. E se possível, fotografias dos vossos vestidos, já adoptados e muito amados, pelas meninas que os irão receber.

Até já!

inspiração: Ana Thomaz



Decidi parar de trabalhar por uns tempos para conseguir me ouvir novamente. Quando escolhemos trabalhar em casa, a fazer o que mais gostamos e para estar mais próximo dos filhos não imaginamos que podemos repetir os mesmos passos que nos fizeram sofrer ao trabalhar fora de casa. Eu cheguei a um ponto em que trabalhar em casa era não ter tempo para mim, nem para a casa nem, mais importante ainda, para os filhos. Quase todos os dias me apanhava a dizer "agora não posso, tenho trabalho à espera". Mas desta vez, ao contrário daquele tempo em que tinha um salário que me reconfortava a vida ao fim do mês, nem era o dinheiro que ditava porque esse, sejamos honestos, é muito pouco para quem trabalha com as mãos. Era o meu senso de dever, de responsabilidade que me chamava e me dizia que aquilo era mais urgente que as necessidades dos meus filhos. 
A vida não estava a correr bem e eu sabia-o. Eu já não me sentia no caminho certo e estava consciente disso. Por isso decidi tirar um tempo, talvez um ano, para me reencontrar. A falta de paciência, o corpo sem energia, as horas a correr mais que eu - esses eram sinais suficientes de que eu tinha entrado num atalho errado e como mãe, chefe de família (a maioria das mães é chefe de família) estava a levar todos comigo para o mesmo lugar.
Custou-me admitir que se calhar era melhor parar. Como não podia parar de ser mãe, decidi parar a outra parte. Viver em frustração constante e ver os filhos a copiar hábitos de que não me orgulho nada não pode ser opção de vida - e responsabilizar a vida pelos meus dias também não.
Parei. E agora? Tinha parado mas não sabia por onde começar, a que me agarrar. Sabia que haviam respostas à minha espera, sabia que muitas pessoas poderiam me ajudar porque também elas tinham passado pelo mesmo mas não sabia como chegar a tudo. Estava em crise. Não conseguia dormir, sabendo que o caminho estava ali à minha frente e eu não o via, tudo ali tão perto e eu cega. Os dias foram passando. O meu ritmo foi acalmando. Consegui voltar a me ouvir melhor.
No outro dia, na cama, deitando-me tardíssimo quando toda a casa já ia no segundo sono e os primeiros pássaros começavam a cantar (e que lindo soa) agarrei no meu desespero e pedi que alguém me ajudasse, que me enviassem um sinal, que me enviassem alguém, que eu estava desesperada e não sabia o que mudar, como mudar, por onde começar, como começar. Adormeci. Das poucas vezes na vida que fiz isto, algo aconteceu, algo veio até mim, e eu tive a sorte de estar preparada para o receber. 
Hoje, passados poucos dias, já não me sinto desesperada. Sinto-me calma, confiante. Sei que tenho muito trabalho pessoal pela frente, sei que vou falhar todos os dias mas que todos os dias vou também conquistar mais um passo, mas o que mais me motiva é este sentimento de estar em crise comigo mesma ter passado. Percebi que somos dotados de um mapa interior que aprendemos a ignorar desde cedo e que se não ouvirmos os seus alertas a bem vamos ter que os ouvir a mal. A nossa intuição, tão desprezada e pouco aproveitada, vai se cansar de nos falar e vai passar a gritar. Ela vai ralhar. Ela vai nos sacudir se for preciso e é capaz que doa. Tudo seria mais fácil com menos ruído de fundo, a ela bastava-lhe sussurrar e nós estaríamos sempre bem acompanhados. Mas infelizmente vivemos rodeados de barulho e são poucos os que se conseguem ouvir. 

Conheci a Ana Thomaz através da Graça Paz e sinto que, mais uma vez as minhas toscas preces foram ouvidas. Não me alongo mais, apenas peço que vejam o vídeo (este e os outros que encontram no youtube) se vos interessar. A mensagem só terá o efeito que teve em mim se estiverem no lugar em que eu me encontro mas ainda assim, acho que é uma mulher digna de se conhecer e a sua experiência pode ajudar a de muitos de nós. Eu estou-lhe eternamente grata por me ter devolvido aquilo que julgava estar a perder. 

Afinal, a crise era apenas o sinal de eu estar a me distanciar demais de mim, nada mais que isso. A crise que sentia estar a viver era o viver dividida. E que alegria saber isso e poder voltar a caminhar, com mais optimismo, mais segurança, mais certeza, mais esperança.




seguir o caminho

Caminho na areia, onde os passos pesam mais e deixo que o oceano me veja ali, a existir. Aquela dúvida que germinava cá dentro encontrou finalmente o seu lugar, como uma semente que espera ver a luz do sol. Talvez todas as dúvidas sejam sementes.

A vida pode exigir muito de uma pessoa. E isso é bom, eu gosto de acordar e saber que tenho muito para fazer. Mas conseguirei eu fazer tudo o que o dia pede de mim? E quando o consigo, é bem feito ou apenas feito? Estou a chegar onde quero chegar?
Tenho um pré-adolescente em casa que precisa tanto ou mais de mim agora como quando nasceu. Na verdade, ele nasce outra vez. Só que desta vez leva bagagem às costas. No outro dia apercebi-me de que já não me deitava a seu lado para ler um livro à noite há muito, muito tempo. E como soube bem voltar a fazê-lo. E como está grande, o meu bebé, que já quase não cabe na cama sozinho, quanto mais com a mãe ao lado. E ele adormeceu em paz, como dantes, feliz por ser filho.
Na outra cama, a dos pais (e dela), a pré-criança chama pela mama da mamã, porque há que saber exigir aquilo que queremos e que nos faz feliz. O que nos faz feliz é nosso por direito. Será? Acabei de inventar.

Como que a remar contra a maré, chegar ao fim do dia sem mais forças físicas e mentais para agarrar trabalho, dorme bem, até amanhã. É para isto que estou em casa? Para correr pelos dias sem conseguir fortalecer esta casa, esta família, esta minha vida? Não. 

Hoje descobri, ou melhor, aceitei que o facto de não conseguir trabalhar tanto como seria desejável me tem estado a fazer muito mal. Tudo o que faço, faço-o pensando que devia estar a trabalhar e que não o estou a conseguir fazer. E isto é pedir problemas. 
Para além de não estar a trabalhar, não estou presente naquilo que estou a fazer, seja a brincar com a senhorita Alecrim, seja a fazer o jantar para a família que está finalmente junta no seu abrigo seguro, seja mesmo a dormir, porque a tendência de quem não consegue deitar mão ao trabalho durante o dia é roubar horas à noite. 
E como se isso não bastasse, a pessoa que se culpa por não conseguir mais compara-se àqueles que o parecem conseguir. E tem medo. Tem medo de ficar para trás. E de deitar tudo a perder, depois de tanto trabalho para conseguir chegar onde chegou.

Mas o ressoar do bater das ondas hoje acalmou-me e disse-me que o meu verdadeiro caminho não é esse. O meu caminho é a tal busca da vida simples, inspirada e em comunhão com a natureza. Esse é o caminho que se abre à minha frente. E o medo acabou assim que a dúvida atingiu solo fértil. O fazer bonecos vai fazer sempre parte de mim mas não define o que sou. Ele é um ramo, não a árvore. E isso é bom e eu aceitei e o meu ego calou-se.

Isto para vos dizer que não vou aceitar mais encomendas nos próximos tempos, talvez até a cria mais nova começar a ir à escola. Espero com isto conseguir estar mais presente na vida dos meus filhos, ter mais tempo para enveredar por novos projectos, conseguir finalmente costurar para mim e muito, muito mais. 

Aqui voltarei sempre, como faço há quase seis anos, com muito gosto e muitas partilhas.



♥

Eckhart Tolle


Há dias escrevi aqui algo que não cheguei a publicar. Começava assim:  Aviso à tripulação: este blogue é capaz de estar a mudar de rumo. A mãe desta casa chegou ao fim de uma estrada sem fim. Está parada, a olhar o fim que não tem fim, sabendo apenas que tem que mudar. A mãe desta casa percebeu que precisa de menos peso nas costas para poder continuar a caminhar, como tanto gosta. Há que deitar fora bagagem desnecessária, limpar caminhos, abrir as portas e apenas ser. 
Guardei as palavras para mim. 
Mas a verdade é que sinto que este ano é um ano de mudança, vem aí um vento forte que me quer limpar. E eu tenho ido ter com ele ao Guincho e venho de lá limpinha, vazia de mim e de tudo o que isso traz consigo. E venho de lá cheia de universo, pelo menos até chegar a casa e ter que pensar no que vou fazer para o jantar.
E assim, venho aqui dizer-vos que ando a descobrir este senhor e tenho gostado muito do que diz até porque o que diz é aquilo que sinto desde sempre e a gente gosta é de gente que pense como nós.

Eu quero

eu quero eu quero eu quero eu quero eu quero eu quero

Dizem que devemos pedir alto e em bom som aquilo que queremos. A minha avó garantia-me que a palavra falada tinha poderes mágicos. Afinal, antes de tudo ser, já o verbo era.
Eu não sou muito de pedir mas a verdade é que das poucas vezes que assumo algo que quero, esse algo aparece-me aos pés. Se calhar tenho ali um armazém celestial cheio de dádivas à minha espera sem saber. Se calhar, o mundo espera por mim, por um pequeno primeiro passo meu. Se calhar estou pronta.

Descobri que o meu cansaço se devia em grande parte ao não dormir o suficiente. Sabiam-me bem aquelas horas à noite sozinha, quando todos já estavam a dormir. Era esse o meu espaço para trabalhar, para descansar, para ser eu. Mas não dormia o suficiente. Deitar cedo e cedo erguer dá mesmo saúde e talvez faça crescer. Sinto-me muito melhor, os dias são maiores, o tempo está comigo e eu - eu estou no mesmo ritmo da família. Quando olho ao espelho não me vejo como algo que não reconheço e aquela camisola velha e larga voltou a ser a camisola que me faz sentir confortável e não apenas a camisola velha e larga de sempre. 
Agora resta-me descobrir como encontrar espaço para mim e para o meu trabalho durante o dia e não deixar que as encomendas à minha espera me façam sofrer. Vai ser mais fácil do que pensava.

Agora que já encontrei o ritmo que precisava (não me importo de conseguir acordar ainda mais cedo, com os primeiros pássaros da manhã e isso é bem capaz de acontecer com a vinda da Primavera) sinto que posso e devo assumir aquilo que já há muito deixou de ser um sonho e tomou conta de mim. 

Eu quero viver numa quinta. 

Não é fácil dizê-lo, mesmo que escrito. E mesmo não sendo novidade nenhuma, parece que algo em mim encontrou o seu lugar e que talvez por isso eu esteja pronta para o querer mais que nunca.
Não é um sonho, é uma necessidade. Sei que não é coisa pouca mas para quem nunca pede nada... Abram esse armazém aí em cima que eu estou pronta. Prometo que vos trato bem e que nunca vos deixarei cair em esquecimento. Sim?

Agora vou ali dizê-lo em voz alta.


ano vai, ano vem

ano vai, ano vem ano vai, ano vem ano vai, ano vem ano vai, ano vem

Ano vai, ano vem e nós dentro desta roda viva que é o tempo, aquele que talvez não existisse se não houvesse o ser humano para o medir. Eu gosto deste ritual de chegar ao fim de mais uma etapa e celebrar o início de outra. O ano novo é uma grande segunda-feira.
Dezembro costuma chamar-me à praia. Preciso, mais que nunca, de me levar até ao mar. Ouço-o daqui da sala neste preciso momento em que escrevo. Ouço-o todas as noites, enquanto trabalho. Gosto dele assim, bravio, todo o universo nesta praia. 
Lembro-me pouco deste último ano. Lembro-me pouco dos últimos dois anos. Para dizer a verdade, acho que a ida da minha avó e a vinda da minha filha quase em simultâneo me sugaram todas as forças. 
Sinto que estou a começar a recuperar. 
E por isso o mar me chamou e eu fui e ele me limpou a alma e eu pedi-lhe que cuidasse de nós e prometi-lhe que seria uma boa pessoa. Mesmo sabendo que o mar não perdoa. Mesmo sabendo que não sei nadar. Mesmo sabendo que dentro de mim habitam fantasmas e que eu, tantas vezes grande demais para o corpo que me calhou, me sinto tão pequena para conduzir este barco a bom porto.
E é isso que quero. Conduzir o meu barco a bom porto. 

Que 2014 seja um bom ano para todos nós. Eu acredito que vai ser.

taproot

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A Taproot demorou a chegar mas valeu a pena a espera. São trabalhos como este que me fazem querer fazer mais na vida e me lembram o caminho que quero seguir.

When I miss her, I go barefoot. I understand now that a bit of her remains with me. (...) It's then that I'm able to see how far I've come from where she once stood.

Look deep to find your roots.
Look deeper to find the mud from where you grow.

dos dias

2 lençois a partir de 1 fronha

wip

O M. volta aos poucos à sua rotina, este será o último ano nesta escola. Uma escola familiar, com turmas tão pequenas e caras tão conhecidas... O que virá depois desta etapa? Tem andado tão bem-disposto, contente com os seus 9 anos que lhe permitem pequenas grandes liberdades como ir a casa do amigo sozinho ou passar umas noites fora de casa - pergunto-me como enfrentaremos a rotina escolar este ano, terei eu tempo de o acompanhar nos projectos e tpc's, de brincar com ele, de lhe ler mais um capítulo à hora de deitar? Uma coisa eu sei: mesmo que o tempo venha a ser repartido por dois, o amor já o sinto a dobrar.

Tentando aproveitar os dias ao máximo, tenho estado à máquina de costura enquanto a luz natural o permite (fiz uns lençois para a alcofa da bebé a partir de uma fronha grande e estou quase a acabar mais uns babetes) e quando a sala escurece, sento-me à luz do candeeiro e pego no crochet. Enquanto as mãos trabalham, os pensamentos voam. Penso em tanta coisa.
Penso em como gostaria de viver a minha vida, no que quero manter e no que quero modificar. Penso na quantidade de  pessoas que me escrevem sobre quererem mudar a sua vida, principalmente no seu receio de querer mudar, mais do que o receio de mudar em si. Curiosamente, muitas mulheres sentem-se culpadas por se sentirem descontentes e desconfiam dos seus próprios sentimentos, como se alguém as chamasse de caprichosas por quererem ser mais felizes. E é verdade, quem ousa querer ser mais feliz é muitas vezes chamado de caprichoso. Nesta sociedade em que vivemos, a felicidade está à venda todos os dias, a preço acessível, em embalagem sedutora. Quem começa a sentir-se enganado com essa felicidade imediata, experimenta um desconforto estranho, que desconhecia até à data, porque até à data tudo parecia estar certo e agora começa a parecer errado. A vida, como estava organizada, começa a não fazer sentido, há peças que não encaixam mais. Mas aos olhos dos outros - e os olhos dos outros exercem muito poder nas nossas vidas - o querer mudar de caminho quando tudo está tão encaminhado, organizado, manipulado não passa de um capricho de quem já tem tudo.
O que lhes vou respondendo (em mente, enquanto trabalho e agora por aqui) é que mesmo que seja verdade que tenhamos muito em comparação com outros que nada têm, falta-nos também muito e é nossa obrigação ouvirmo-nos e procurarmos desde já mudar o que podemos mudar e trazer para casa aquilo que nos faz falta. Não é errado sentir que algo nos faz falta. É errado pensar que não devemos sentir que algo nos faz falta, seja qual for a razão. É raro o sentimento que está errado. Se daqui a uns tempos ele ainda lá está, essa é outra história. Mas se ele for verdadeiro, ele não se vai embora.
Talvez para surpresa de muitos, eu não aconselho ninguém a largar o emprego, a ir viver para o campo, a dedicar-se ao artesanato. Há pessoas que me escrevem com a ideia de que isto de fazer trabalhos manuais e vender pela internet é vida fácil. Primeiro custou-me a perceber o porquê desta ideia falsa mas depois percebi: os blogs podem dar uma imagem distorcida da realidade, mesmo que inconscientemente. As imagens bonitas enganam. Ninguém tem a vida perfeita, mesmo que seja melhor que a nossa em alguns aspectos. Eu não aconselho ninguém a mudar de vida de um dia para o outro (será possível?) - aconselho, sim, a mudar o dia. Só assim a mudança será sólida e duradoura. A vida são os dias. Façamos deles algo maior.


Reciclar uma fronha:

Mesmo sem máquina de costura, é fácil desmanchar uma fronha e transformá-la em algo diferente.
Não cortando o tecido, mas sim descosendo os pontos para que se  aproveite o máximo da peça  podemos fazer lençóis pequenos para bebé, fraldas de pano, individuais para a mesa ou guardanapos de pano. Depois de descosida a fronha, corta-se o tecido no tamanho desejado (no caso dos lençóis basta cortar em dois) e fazem-se umas bainhas, à máquina ou à mão.
Se for o primeiro projecto de costura é normal que não fique perfeito, mas será um prazer utilizar peças feitas por nós no dia-a-dia da família. Acreditem.


a vida não se muda sozinha

A felicidade é o estado natural da alma. Ninguém nasce triste. Quando nascemos a alma parece-me bem, completa, de ciclo fechado. Aquela paz que um recém-nascido transmite é a de uma alma feliz, satisfeita.
A felicidade é a saúde da alma. Quando nascemos a alma parece leve, parece não precisar de nada (ao contrário do corpo, que depende totalmente dos outros) - ao recém-nascido basta-lhe ser.

À medida que nos vamos abrindo para o mundo (e nos vamos afastando de nós próprios) vamos fazendo escolhas e iniciando caminhos. Ninguém escolherá o mesmo caminho - o meio é diferente, os estímulos são diferentes, as circunstâncias são diferentes: a sua história será sempre única. É essa história que vamos construindo que nos empurra em direção a uma outra, e a outra, e a outra história. Haverão pessoas com caminhos idênticos, mas nunca iguais, sempre individuais.

Chega uma altura em que já temos história suficiente para olharmos para o que passou e reflectir. Chega uma altura em que vamos avaliar o que temos feito, o que andamos a fazer e o que queremos fazer. Vamos olhar para dentro. Quanto mais nos tivermos afastado da nossa verdadeira identidade, mais alto ela vai gritar dentro de nós. Ela vai reclamar aquilo que lhe é devido, aquilo que lhe tem sido retirado. A tristeza, o desconforto, o desalento são marcas visíveis da falta de saúde da alma - muitas vezes até a sentimos morta. Mas morta ela não está e se a sentimos sofrer é porque é urgente ouvi-la.

Ninguém pode receitar a felicidade a ninguém - cada um terá que saber por si próprio o que ela é para si. E não é difícil.
Muitas vezes sentia-me perdida, sentia que não estava a caminhar no sentido que devia. E sempre que me sentia assim, parava, ouvia, sofria e aguardava - se não sabia por onde ir, o melhor era aguardar. Nessas alturas imaginava-me no meio de quatro caminhos. Parava, sentava-me precisamente no meio deles e imaginava-me ali à espera. Atentamente à espera. Isto aconteceu muitas vezes.

Nessa altura, tudo na minha vida me parecia estar mal - o trabalho, o casamento, o meu dia-a-dia - tudo estava fora do sítio: eu estava fora do sítio - eu estava fora de mim. Muitas vezes procurei-me nos lugares errados, repeti os mesmos cenários. Até perceber que andava às voltas, regressando sempre ao mesmo lugar. Nesse lugar existiam sonhos, necessidades, medos, certezas. Nesse lugar estava a minha alma. Foram necessárias muitas voltas, muitas ilusões e desilusões para começar a dar ouvidos a esse lugar.

Quando, dentro do turbilhão, não conseguimos perceber o que queremos, devemos tentar prestar atenção àquilo que não queremos. O saber exactamente aquilo que não queremos pode levar-nos àquilo que mais queremos. "Quero isto?" - "não". "Então vou por ali."

Escutar a nossa voz, seja ela interior ou física, é um meio eficaz. Muitas vezes repetimos em voz alta as nossas verdades para os outros as ouvirem mas esquecemos de as ouvir também.
Eu, por exemplo, tive em tempos uma colega de trabalho muito fútil e trabalhar com ela era para mim um verdadeiro tormento. E eu repetia "não aguento mais, não aguento mais". Imaginava-me a sair pela porta fora e nunca mais voltar - nesse pequeno momento a minha alma libertava-se um pouco, talvez, mas a realidade não mudava. O meu corpo continuava lá, a ouvir a tal colega. A minha voz cá dentro gritava e eu mandava-a calar. Fechava-a, no escuro, sozinha. Ao fim do dia, saía, aliviada, ia buscar o meu filho, seguia para casa, e o dia já tinha acabado sem eu ter visto um raio de sol. Poucas horas depois, tudo se repetia, por mais um dia.

A certa altura, nesse mesmo emprego, encontrei uma mulher a quem deixei escapar o meu sofrimento por trabalhar num lugar que me fazia sentir morta e ela, percebendo tudo, disse-me algo que nunca esqueci: " é uma questão de amor-próprio". E era. Mas levei algum tempo a perceber o que isso queria dizer. "Amor-próprio" não fazia parte do meu dia-a-dia naquela altura. Se o tivesse, não faria aquilo a mim mesma.

Alguns anos depois, já noutro emprego inadequado para mim, veio o desemprego. Caiu na minha vida como um meteorito, quando menos esperava. Agarrando em mim pelos braços, abanou certezas e deitou fora planos de vida que até aí eu achava estarem certos. Mas a verdade é que tudo o que caiu para fora de mim era lixo e só depois do desespero veio a paz.

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency


Este livro, comprado em segunda mão na Holanda - onde os livros em segunda mão são baratos e fáceis de encontrar -  tem sido uma grande companhia nos últimos tempos. É um livro maravilhoso escrito por John Seymour, uma figura influente do movimento da auto-suficiência.
Acabei por perceber que aquilo que sempre mais me interessou cabe dentro deste tema. O saber cultivar os alimentos, saber cozinhá-los, saber fazer a minha própria roupa, saber fazer brinquedos, o não desperdiçar, o reaproveitar, o reutilizar, o reciclar, o reinventar; o artesanato, a sabedoria popular, o viver uma vida simples porque a vida é isso mesmo.
Olhando para trás percebo que mesmo em criança era isto que mais me interessava: a vida em si e todo o conhecimento adquirido ao longo dos tempos para a saber viver. Ter sido adoptada pelos avós foi, com toda a certeza, decisivo para que tenha chegado até hoje como sou.
E como sou hoje? Hoje sou alguém que vive a sua vida com um propósito firme, com um horizonte em vista e que tenta não desperdiçar nem um momento dos seus dias. Estou a construir uma família cheia de amor e cumplicidade, onde espero que os verdadeiros valores da vida sejam ensinados e compartilhados, num lar caloroso e harmonioso onde todos têm o seu lugar e podem sentir-se verdadeiramente em casa. Sou alguém que tem algo a dizer, que tem muito a aprender e muito para fazer -  e é esse entusiasmo que me faz saltar da cama, sabendo e acolhendo a minha vida como uma pequena mas grande missão:  a minha missão.
Mesmo continuando a ser alvo de crítica daqueles que era suposto acarinhar qualquer decisão minha, eu sacudo a poeira e continuo em frente : aqui em casa somos felizes, a decisão de um de nós trabalhar em casa continua a ser a mais acertada, a nossa vida corre muito melhor assim e é isso e só isso que interessa.

Muitas vezes sinto necessidade de escrever mais sobre o trabalhar em casa mas acabo por não o fazer porque ao que parece é um tema muito delicado, pelo menos no nosso país. Mas isso vai mudar. Vou escrever mais e vou partilhar mais porque há necessidade de mudar mentalidades e ajudar quem quer mudar de vida e não sabe como. Há mudança no ar, os blogues vieram dar voz a muitas pessoas que têm algo a dizer. Há milhares de pessoas à procura de um caminho novo, procurando nesses blogues inspiração e alento enquanto os governos, as escolas e os meios de comunicação continuam a nada fazer para alimentar essa necessidade de mudança. A vida está desequilibrada, só não vê quem não quer. Mas a vida somos nós que a fazemos e a mudança começa com pequenos passos. Os nossos passos.


®

É muito bom ver um sonho transformar-se em projecto, um projecto em realidade, uma realidade em sonhos maiores. E quando nesse sonho se investe vontade de lutar todos os dias, na maioria noites alargadas depois de dias corridos, muitas vezes contra adversidades que nos magoam mas logo se esquecem porque o sonho comanda a vida e a certeza de que estamos no nosso caminho é toda nossa e só nossa, quando o sonho é genuíno e o vemos materializado fora da casa dos sonhos, sabe mesmo bem continuar a acreditar e a trabalhar.
O Amo-te Mil Milhões® é hoje uma marca registada graças ao meu empenho e ao vosso apoio. Acreditem que vos estou eternamente grata.

à procura do caminho

* Maria Keil



Eu vejo que anda cansado, desmotivado, parece-me triste. Vejo com olhos de mãe. Acho que mais ninguém vê o que vejo quando olho para ele, ninguém sente no sangue aquilo que o meu filho está a sentir. Antes que ele se perceba, já eu vi tudo.

Mas afasto os pensamentos. Não é assim tão grave. É normal. Ele até tem uma vida priveligiada em relação à maioria das crianças de hoje.

Está cansado. "Não me apetecia nada ir para a escola hoje... queria tanto ficar em casa." Digo-lhe que não pode ser. Penso que até podia. "Mentirosa", digo a mim própria.

São muitas as vezes que me diz que não gosta da escola. E quando o diz, sinto a sua tristeza, a sua alma vazia. Dói. Depois lá vem o dia em que o vou buscar e pede-me para ficar a brincar um pouco mais e o meu medo arrefece, fico mais descansada, afinal era coisa de miúdos.

Em casa, o ritual de sempre, nunca temos o tempo que era de esperar - dadas as circunstâncias. As circunstâncias que todos pensam saber e sobre as quais gostam de opinar. As circunstâncias tão priveligiadas para uns, tão assim-é-que-deve-ser para outros. Porque o privilégio de o meu filho vir almoçar a casa e às cinco e meia já estar de volta é o mínimo que eu lhe posso/devo dar, no meio de toda esta paranóia actual a que se chama normalidade. Sim, eu protejo o meu filho. E não, não sou a mãe perfeita, muito longe disso.

Continuo a achar os trabalhos de casa, depois de oito horas de trabalho, um exagero. Ele é esperto, faz tudo com uma perna às costas. Mas a vontade... a motivação... Essas competem-me a mim reinventar, não me parece que a escola as ache importantes.

Ainda não agradeci à professora o cartão que recebi no dia da mãe. Não sei bem como lhe dizer o bonito que estava a sua caligrafia, o seu coração recortado e o seu lindo texto. E agradecer o facto de ter deixado o meu filho copiar as suas palavras e enrolar os papelinhos. O M. deu-mo logo de manhã, o começo de um dia perfeito, devo dizer, explicando-me que foi a professora que fez aquilo, aquilo e aquilo. E que o texto foi mandado copiar, todos escreveram o mesmo.
A ver se não me esqueço de agradecer também a linda coroa de cartolina que veio para casa na Páscoa, onde o meu filho de seis anos e meio colou algodão no corpo da ovelhinha.... Podia jurar que foi buscar a ideia à sala da pré-escola.

Ainda na última reunião tinha dado a entender à professora que os trabalhos manuais fazem falta e deviam ser parte integrante do horário escolar, ao qual respondeu que isso já fazia parte das suas aulas e que os meninos faziam muita coisa... Sim, fazem desenhos de vez em quando. Sim, fazem o suposto presente naquelas datas. Onde estão os verdadeiros trabalhos?

Hoje, para além dos t.p.c., tinha que escrever várias vezes uma palavra que falhara no ditado. Em vez de duas linhas, escreveu uma linha. Achei suficiente para aprender a palavra. Vendo toda aquela desmotivação, olhando para um filho que tem tudo para ser brilhante e vendo-o triste, perguntei: " - Gostavas mais se a mãe fosse tua professora cá em casa, em vez de ires para a escola?" E nesse momento, os olhos dele brilharam como há muito eu não via, ficaram enormes, todo ele se iluminou. "- E podes?!"

Logo a seguir perguntou-me se podia fazer um ditado. Depressa o cansaço desapareceu e toda a sua força de leão veio ao de cima. Apanhei um livro dos meus, ditei duas frases, ele escreveu. Dei-lhe a ideia de ser ele próprio a verificar os erros e não eu. De seguida, pegou ele no livro, ditou-me duas frases, eu escrevi-as e ele, deliciado, corrigiu-as.

Acho que preciso de ajuda.

passo a passo




Entre tantos outros assuntos que se vão deixando ultrapassar, aparece uma grande novidade sobre a qual não posso deixar de vos falar: a minha nova loja virtual.

Até à data tenho mostrado os meus trabalhos aqui, uma montra improvisada a jeito de experiência. A partir de agora, a montra será aqui, num site que para quem não conhece, dedica-se à compra e venda de produtos feitos à mão, entre outros. Com esta nova etapa espero conseguir chegar a mais pessoas, promovendo aquilo que faço além-fronteiras.

Aos leitores do blog, haverá sempre a possibilidade de comprar directamente a mim, se assim preferirem, usufruindo de uma pequena atenção na maioria dos preços. Para isso basta que me contactem através de e-mail ou deixando uma mensagem no blog. E claro, estou sempre pronta a atender pedidos de encomenda personalizados, como tenho feito até hoje.


Resta-me agradecer o grande apoio que tenho tido da vossa parte. Família, amigos, desconhecidos que se vão tornando amigos: tudo me parece ainda um sonho, mas sinto-me mais acordada que nunca.



Viva!


entretanto


Chegámos a Dezembro, o fim de mais um ano. Este ano prometi a mim mesma que não vou passar o mês a correr, promessa que não posso esquecer. E também prometi que vou passar a deitar-me a horas decentes, que vou arranjar tempo para voltar a fazer a caminhada pela manhã, que ao fim-de-semana vou agarrar nos livros de receitas e escolher toda a ementa da semana, e que à tarde vou a pé buscar o M. à escola. Coisas simples que não sei como se tornaram tão difíceis de concretizar.
Desejo-vos um bom Dezembro, cheio do que é realmente importante.

Acho que tenho que dar mais um passo.

Primeiro foi perder o medo da máquina de costura, pequena mas teimosa. Depois veio o blog, diário aberto, sem o qual já não consigo passar. Agora, preciso encontrar uma ou mais feiras de artesanato (urbano) onde possa mostrar e vender aquilo que faço com a tal pequena e teimosa máquina que, vergonha das vergonhas, ainda consegue mandar em mim. Não sei quem é mais teimosa, se ela ou a maquinista.


Alguém sabe de feiras agendadas para os próximos meses?

palavras contra o silêncio




Àqueles que têm enriquecido este espaço com o seu tempo e as suas palavras que encorajam qualquer um a continuar, apetece-me esticar a mão e dizer: vamos. Não sei para onde ou para quê, mas vamos. Porque acredito que a vida não estagna e que são as pessoas, cada pequena pessoa, que empurram este planeta para onde quer que ele vá.

Pode o mundo não mudar já, mas há uma fila lá fora à espera de poder começar.


Digam-me uma palavra. Uma só palavra.


A minha: Vamos.

Carneirinho # 2


Nasceu mais um. O M. gostou tanto que vou ter que fazer um especial para ele... Pensei que por já ter 6 anos não ligaria muito a um boneco em tons suaves e com um guizo. Mas enganei-me, felizmente.
Porque a verdade é que nos tentam impingir coisas erradas, feias, longe de satisfazerem a nossa realidade interior - desde que nascemos. E depois passamos a maior parte da vida a tentar recuperar a nossa essência tão mal-tratada.
De há uns anos para cá que me sinto fisicamente incomodada dentro de certos espaços fechados: os hipermercados, os supermercados, os centros comerciais... Evito ao máximo. Como um alimento que descobrimos que nos faz mal: evita-se. Além de ser um espaço anti-natural e viciado, é feio. Não há originalidade, criatividade, verdade.
Quem já não perdeu tempo a olhar para aquelas prateleiras dos brinquedos, não encontrando nada que realmente gostasse? E quem já não comprou brinquedos (ou roupa!) só porque não havia nada melhor e tinha mesmo que comprar algo?
Também já o fiz. Mas não hei-de fazer muito mais vezes, de certeza. Porque há muitas opções, podem é não estar naquelas prateleiras.
Acreditem, as crianças também não gostam de tudo o que lhe apresentam. Apenas precisam ter acesso a outras realidades. E tantas que há!
Vamos mudar o mundo, começando pela nossa casa!

Estamos de volta



Uma semana lenta, onde o tempo levou o seu tempo, ao sabor do calor, muito calor, seco, muito seco. Ali as moscas reinavam, indiferentes a quem lhes cruzasse o caminho. As cigarras calavam-se depois de terem a certeza que todos já dormiam, o silêncio absoluto era impensável. Acordava-mos com o nascer do sol nos gritos das araras, podia até jurar que estava no Amazonas, mas não. Estava a duas horas e meia da capital, em pleno Algarve rural.



O M. está contentíssimo por estar em casa: Não quero nunca mudar de casa! Nem mesmo quando for adulto! Quero ficar aqui para sempre!

Sim, esta é a nossa casa, o nosso cheiro, o nosso ar. Mas a terra ficou lá, a lua cheia lá é maior, as estrelas, o cheiro das alfarrobeiras e figueiras ao sol... Não sei se a minha casa é esta. Esta parece-me emprestada.



Aqui vou voltar ao Cuidado que te molhas!, ao Cuidado que te sujas!, Cuidado que partes isso! e não é isso que quero fazer da minha vida, muito menos à do meu filho.



Vou lutar por um pedaço de terra onde possa levar a vida natural que tanto me faz falta. Só de pensar que me vão olhar de cima abaixo quando sair de casa já me sinto doente. Quero sair daqui.


Zzzzzzzzzzzzz

São precisamente duas horas da matina.
Pode parecer quase ridículo mas faz-me bem, diria feliz, encontrar tantos blogs de mulheres inteligentes, com sentido de humor, atentas, sensíveis, tudo o que as mulheres têm de melhor! Estou nisto há pouco tempo, daí as surpresas, talvez, mas fico mesmo contente em acompanhar estas vidas meio ditas, meio por dizer de pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais a mim!
Deixo sempre muito por dizer e isso sabe-me a pouco. Mas pela boca morre o peixe... e pela cauda se descobre o gato!
Vou dormir que o meu mal é sono! É das coisas mais maravilhosas que o ser humano pode fazer!
A quem não tive tempo de telefonar: vou de férias mas volto já! Abraço***

Terra


Se fosse sombra procurava terra


Como alimento seria flor

Do meu branco jorrava roxo


Não há fruto sem amor
Para mim a semana só fez sentido quando hoje ao fim da tarde o M. foi levar umas alfaces que ele ajudara a plantar à avó I. Este foi um momento muito aguardado e planeado nas últimas semanas. Para que sentisse o valor do trabalho lembrei-lhe que poderia tentar vender aquilo que tinha plantado e ele adorou a ideia. A partir desse dia que planeia o que vender e por quanto! Aceitou que 50 euros não era o preço mais atractivo e deciciu cobrar 50 cêntimos por alface tal como fazem os senhores da feira. Que orgulhoso e feliz estava quando recebeu as moedas na mão! E a minha mãe, emocionada com a visita e com tanta generosidade acenava do portão: - Vale ouro!
E vale.