Estou de volta, com muito trabalho em mãos, muitas ideias em mente, e muita vontade de dar vida a esta minha casa (que também é vossa).
O que percebi e aceitei é que na minha vida, de momento, não cabe tudo. (Haverá vida em que tudo cabe?) Sentia a mente demasiado cheia, como que um quarto demasiado cheio e escuro em que ninguém entrava há muito tempo. Ninguém gosta de ter um quarto morto em casa, certo? Como cheguei a esse ponto, não sei, mas tenho a certeza que não sou a única a senti-lo. Talvez sejam os 40 a aproximar-se (entretanto fiz 39!). Senti que a bagagem que tinha às costas era demasiado pesada para aquilo que ainda quero caminhar. E que dessa bagagem, o que realmente preciso é muito pouco. Tenho me obrigado a desfazer de coisas de que não preciso, o que não é fácil para mim, que sou coleccionadora por natureza. Mas no fim, sabe mesmo bem perceber que conseguimos perfeitamente viver sem aquele casaco ou aquele vaso, que a culpa é uma invenção do ser humano e que se a superarmos crescemos e fazemos espaço na casa, na vida e mais importante ainda - em nós.
Percebi e aceitei também que tenho que relaxar mais. Os meus dias, por incrível que pareça a muitos (até a mim!), são passados a correr desde que me levanto até que desmaio na cama. E isto, quase sempre dentro de casa (que não é grande). E isso é ridículo, não o aceito, não o quero na minha vida. Quero ter tempo para trabalhar, para ler, para brincar com os meus filhos, para caminhar, para ver bons filmes, para desenhar, para descobrir. E vou consegui-lo. Se os meus dias são mais frutíferos por andar a correr? Nem por sombras.
Há que adoptar rotinas que me ajudem a criar novos hábitos. Para começar, vou voltar a partilhar um pouco dos meus dias por aqui, que gosto tanto de o fazer e vou voltar a acompanhar os dias de quem tanto gosto de ler. É algo que me faz feliz. Sem dúvida alguma, algo para manter.
Assim que nasceram, os gatos gémeos voaram para o Texas, onde tenho a certeza que serão felizes. Mandem notícias!