Tomar

Tomar

Tomar

Tomar

Tomar


Uma breve passagem por Tomar. Por todo lado se encontram vestígios da grande festa de há poucas semanas. O orgulho da terra sempre nos rostos de quem nos recebe.
Entre uma retrosaria simpática e um saco de milho para os pombos comprado na loja do costume, desta vez o calor intenso não permitiu muito mais.
A grávida começa a sonhar com dias mais frescos, é verdade.

limões

o limoeiro

o limão


Há por aqui tantos limões - grandes, amarelos e sumarentos. De tão maduros, vão caindo ao chão e nós agradecemos. Este piscou-me o olho e deu-me o seu maior sorriso - eu só podia retribuir.

albufeira de castelo do bode

férias cá dentro

férias cá dentro

Um calor abrasador. Um rio que não acaba. Um silêncio que nos enche por dentro, do coração à pele. Esta era a paisagem com que eu sonhava e que me caiu do céu,  através de uma leitora do blogue que, sem me conhecer, parece que me conhecia bem.


sobre a felicidade ou as melhores cebolas que já comi

as melhores cebolas que já comi

Fico muito contente em saber que não estou sozinha - os vossos comentários ao post anterior provam que existem muitas mulheres com vontade de chegar mais até si, de mudar de vida de modo a se sentirem mais genuínas e que é urgente mudar mentalidades. Comecemos então por nós próprias.

Eu não tenho nada a ensinar. Posso partilhar apenas aquilo que tenho aprendido. E gostava muito que, com comentários aqui no blogue ou deixando links para os vossos próprios blogues, este espaço fosse um espaço de partilha, útil a todas nós.

Começo por partilhar algo que descobri há muito pouco tempo: que a felicidade não é aquilo que me ensinaram. Sempre ouvi dizer que a felicidade é "contentar-se com pouco". Que aquele que se contenta com pouco, é feliz. Percebi que isso não é verdade, de forma alguma. É impossível ser-se feliz ao tentar contentar-se com pouco.

A felicidade, como a vejo agora, é pôr em prática quem somos interiormente, a nossa natureza. A felicidade é ser quem somos - nem pouco, nem muito, mas o todo.

" É feliz porque não pede muito", dizem. Que erro! Aquele que é feliz, que sente felicidade dentro (e fora) de si está cheio - tão cheio que parece que transborda. Ele não se contenta com pouco, ele contenta-se com muito. Muito, muito, muito!
Pode, aos olhos dos outros, ter pouco - talvez não tenha uma grande casa, nem carro, não ande vestido com as últimas modas, talvez viva sozinho, talvez repita todos os dias a mesma rotina. Mas se esses dias forem o espelho do que está dentro desse indivíduo, se a sua natureza se poder manifestar em tudo o que faz, então o seu contentamento é genuíno e enorme e esses dias serão certamente dias de celebração.

Ninguém se contenta com pouco. Só se esse pouco for muito.


The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency

The Complete Book of Self-Sufficiency


Este livro, comprado em segunda mão na Holanda - onde os livros em segunda mão são baratos e fáceis de encontrar -  tem sido uma grande companhia nos últimos tempos. É um livro maravilhoso escrito por John Seymour, uma figura influente do movimento da auto-suficiência.
Acabei por perceber que aquilo que sempre mais me interessou cabe dentro deste tema. O saber cultivar os alimentos, saber cozinhá-los, saber fazer a minha própria roupa, saber fazer brinquedos, o não desperdiçar, o reaproveitar, o reutilizar, o reciclar, o reinventar; o artesanato, a sabedoria popular, o viver uma vida simples porque a vida é isso mesmo.
Olhando para trás percebo que mesmo em criança era isto que mais me interessava: a vida em si e todo o conhecimento adquirido ao longo dos tempos para a saber viver. Ter sido adoptada pelos avós foi, com toda a certeza, decisivo para que tenha chegado até hoje como sou.
E como sou hoje? Hoje sou alguém que vive a sua vida com um propósito firme, com um horizonte em vista e que tenta não desperdiçar nem um momento dos seus dias. Estou a construir uma família cheia de amor e cumplicidade, onde espero que os verdadeiros valores da vida sejam ensinados e compartilhados, num lar caloroso e harmonioso onde todos têm o seu lugar e podem sentir-se verdadeiramente em casa. Sou alguém que tem algo a dizer, que tem muito a aprender e muito para fazer -  e é esse entusiasmo que me faz saltar da cama, sabendo e acolhendo a minha vida como uma pequena mas grande missão:  a minha missão.
Mesmo continuando a ser alvo de crítica daqueles que era suposto acarinhar qualquer decisão minha, eu sacudo a poeira e continuo em frente : aqui em casa somos felizes, a decisão de um de nós trabalhar em casa continua a ser a mais acertada, a nossa vida corre muito melhor assim e é isso e só isso que interessa.

Muitas vezes sinto necessidade de escrever mais sobre o trabalhar em casa mas acabo por não o fazer porque ao que parece é um tema muito delicado, pelo menos no nosso país. Mas isso vai mudar. Vou escrever mais e vou partilhar mais porque há necessidade de mudar mentalidades e ajudar quem quer mudar de vida e não sabe como. Há mudança no ar, os blogues vieram dar voz a muitas pessoas que têm algo a dizer. Há milhares de pessoas à procura de um caminho novo, procurando nesses blogues inspiração e alento enquanto os governos, as escolas e os meios de comunicação continuam a nada fazer para alimentar essa necessidade de mudança. A vida está desequilibrada, só não vê quem não quer. Mas a vida somos nós que a fazemos e a mudança começa com pequenos passos. Os nossos passos.


ganga em (re)construção

ganga em construção

ganga em construção

ganga em construção


A casa está em obras. Tudo o que consegui resgatar foram os pedaços de ganga que tenho vindo a guardar para um dia fazer uma manta. E ainda bem. Estou a adorar a forma como os diferentes azuis se conjugam entre si, surpreendendo-me e aprendendo com cada retalho. O medo de entrar pela estrada errada, de não deixar fluir o trabalho, de dar demasiados ouvidos às dúvidas de quem faz um trabalho que nunca mais se irá repetir - esse ainda espreita. E vou dizendo a mim mesma: que bom seria poder fazer isto durante toda a minha vida e chegar aos dias em que a segurança vence a insegurança e os trabalhos reflectem a sabedoria da idade.

achados

Janeiro 1969

Bolinha

Julho 1969

Luíza

Gasparzinho

Nem sabia que me lembrava deles mas a memória não falha. Devem ter passado pelas minhas mãos quando ainda nem sabia ler. Fazem parte de um tempo que já não volta mas que continua cá dentro - não os podia deixar ficar na banca da feira de velharias.

35

35

Muitos cabelos brancos e continuo criança.
Vivam os 35!

rosetas da (bis)avó

rosetas da (bis)avó

rosetas da (bis)avó

rosetas da (bis)avó

À noite, as três sentadas no sofá, cada uma com a sua agulha na mão. A bisavó, à esquerda, fazia as rosetas; eu, no meio, fazia o quadrado à volta; à direita, a avó, juntava os vários quadrados. Eram feitas com restos de lã, porque nada era desperdiçado, e o fim a que estariam destinadas parecia não ser relevante: o importante era manter as mãos ocupadas e fazer.
Ao lado, sentado na poltrona, o avô via televisão. Não muito longe, o bisavô já estava deitado a ouvir o relato de futebol.
Ao fim do serão, a bisavó ia deitar-se, os avós abriam o sofá-cama e era ali que eu dormia, segura, quente e feliz, na sala da lareira onde todas as noites aquelas pessoas se juntavam e me aqueciam o coração. Hoje sei que é esse calor que ainda me alimenta e é a ele que eu recorro quando mais preciso.

18 semanas

túnica maternidade

túnica maternidade

túnica maternidade

Os dias já não são os mesmos. A prioridade neste momento é dar a volta à casa de forma a que caiba cá mais uma pessoa com todo o comforto que merece. O meu quarto de costura vai desaparecer em breve e tudo o que lá tenho vai ter que encontrar novo lugar neste pequeno apartamento. Não sei como o vou fazer, mas sei que o vou fazer.

Entretanto, uma túnica foi feita. Sem molde, apenas olhando em frente ao espelho dando voltas ao tecido, descobrindo o melhor casamento entre o tecido e o corpo. Cruza à frente, apertando com uma mola de pressão por dentro no lado oposto para que não descaia. A meio das costas tem um pequeno elástico para que se ajuste melhor à cintura e vá acompanhando a gravidez. Com costuras largas, será fácil desmanchar e alargar se assim for necessário. Foram algumas tardes bem passadas na companhia da avó, a mestra.