Marcar a página é fortalecer a confiança no amanhã.
a manta
Por esta altura já estava assim, aqui já ia um pouco mais adiantada, mas só há uns dias a terminei. Estou contente com o resultado, ainda mais porque a deixei seguir o seu rumo, tentando não pensar muito, deixando o instinto e a sorte seguirem o seu caminho.
Foi acolchoada à mão (durante um Verão abrasador) e tal como as outras mantas que tenho feito, o pesponto não apanha o tecido de trás, assemelhando-se às mantas de retalhos portuguesas ( a diferença é que as minhas levam sempre um recheio para ficar mais quente). Decidi acolchoar à mão (ponto a ponto, acho que não exagero se disser que estão lá milhares - tem mais de um quilómetro de linha) e não me arrependi nem um pouco. O trabalho feito assim é muito meditativo, relaxante, espiritual.
a lebre vai à escola
Ainda não voltei ao trabalho, em casa há um rapazinho cheio de energia para gastar, o tempo que me sobra não chega para muito. Lentamente, um corte aqui outro ponto ali, é assim que as encomendas vão sendo atendidas. Por mais que me apeteça sentar e deitar ideias para fora, experimentar coisas novas, o M. é a minha prioridade, mesmo tendo já 8 anos. Acho que quando são pequenos pensamos que tudo será apenas até crescerem, mas não. Nada muda. E ainda bem.
Esta nova lebre é para o V., que vai para a escola pela primeira vez. Espero que partilhem muitos e valiosos momentos.
pinhões
Parece-me cada vez mais difícil encontrar pinhões.
Quando era criança, o meu bisavô levava-me a mim e a todas as crianças da praceta à caça de pinhões. Éramos um bom grupo. E caminhávamos bem. Naquele tempo, os prédios eram raros, haviam tanques de pedra enormes no meio do campo cheios de água límpida onde as pessoas se iam abastecer, como ainda fazem em Sintra, logo ali ao lado.
A rua era vivida como uma segunda casa. Levávamos brinquedos, colchões, comida - só voltávamos a casa quando as mães (e avós) apareciam à janela a chamar para o jantar.
Por ali haviam também casas senhoriais abandonadas que visitávamos regularmente. Em grupo, sempre em grupo. Era o verdadeiro sentido de aventura e mistério, que o meu bisavô sabia conduzir como ninguém. Tenho a certeza que se divertia tanto quanto nós. As casas eram enormes, com jardins lindíssimos, pomares e hortas, lagos e fontes - tudo ao abandono, de porta aberta, salas e quartos e cozinhas a adivinhar. Parecia-me sempre que alguém ainda por lá vivia, que saía pela porta não tardava nada. Mas eu estava com o meu avô, estava segura.
Era lá o nosso sítio preferido para apanhar pinhões. Eram tantos, espalhados pelo chão de mármore. Era um encher de sacos, entre um e outro susto ora pregado pela própria casa, ora por um de nós. Eram o medo e o perigo que nos faziam sair dali de barriga cheia, cheia de aventura e de risco, coisa que não sei se as crianças de hoje sabem o que é.
Voltávamos também de sacos cheios de pinhões, que depois do almoço nos entretínhamos a descascar à pedrada ou à martelada, na rua ou em casa.
Já que o preço do pinhão está exorbitante e o seu sabor deixa muito a desejar, temos andado à caça dele por perto de casa. O calor vai abrindo as pinhas e nós agradecemos. E embora não se consigam encher sacos, vamos entrando pinhais de coqueluche adentro, procurando por entre a caruma, e mais tarde em casa pegamos numa pedra e descobrimos o homem-das-cavernas em nós adormecido e damos à mãe para provar. E a mãe gosta muito.
patch solidário
O meu contributo para o patch solidário. Algo me levou a tirar estes tecidos da prateleira. O carinho com que foi feito foi verdadeiro, imaginando que um dia, juntamente com tantos outros blocos, poderá dar conforto e alento a quem mais precisa. Imaginei uma criança coberta com ele, quem sabe assim aconteça.
Iniciativas como esta terão sempre o meu apoio.
®
É muito bom ver um sonho transformar-se em projecto, um projecto em realidade, uma realidade em sonhos maiores. E quando nesse sonho se investe vontade de lutar todos os dias, na maioria noites alargadas depois de dias corridos, muitas vezes contra adversidades que nos magoam mas logo se esquecem porque o sonho comanda a vida e a certeza de que estamos no nosso caminho é toda nossa e só nossa, quando o sonho é genuíno e o vemos materializado fora da casa dos sonhos, sabe mesmo bem continuar a acreditar e a trabalhar.
O Amo-te Mil Milhões® é hoje uma marca registada graças ao meu empenho e ao vosso apoio. Acreditem que vos estou eternamente grata.
tesouros
dr. Bayard
farinha 33
São tantos os pequenos tesouros que vou encontrando por casa. Provocam sorrisos, lembranças, fazem parte de caminhos percorridos no tempo em que ainda não sabíamos que percorríamos caminhos. Gosto deles. Guardo-os com carinho, o mesmo sentimento com que colava mais um cromo (com cola) na caderneta ou que assinava mais um livro, para que caso se perdesse todos soubessem a quem pertencia.
Apetece-me começar a partilhar aqui o que vou juntando. Pode ser que faça alguém sorrir também. Quem sabe até, ressuscitar memórias dos vossos caminhos.
do antigo se faz novo
Uma vida inteira acumula muita coisa. Ainda para mais quando não se gosta de deitar fora e se vê possibilidades em todos os objectos que por nós passam. Assim é a minha avó, assim é a minha mãe, assim sou eu. E não fosse eu caracol de casa às costas, não me tinha desfeito de muita coisa entre uma mudança e outra.
Há dias em que preciso deitar coisas fora que não estão a uso há anos - preciso dessa limpeza, dessa organização, de fazer espaço para o novo. Outros há em que me arrependo de o ter feito, quando acabo finalmente por encontrar o fim perfeito para aquela peça. Ás vezes é tarde demais, outras ainda vou a tempo. E é uma alegria enorme encontrar uso para algo que tinha caído em desuso. Nessas alturas sinto a criatividade no seu pico mais alto.
Deve ser assim que a mãe do meu pai e a minha mãe se sentem também. São as pessoas mais criativas que conheço. Cada uma à sua maneira. A criatividade é a alegria da inteligência.
Pensando bem não é de há uns anos que recolho coisas. Acho que sempre o fiz. Ainda não sei bem porque o faço e porque me dá tanto prazer fazê-lo.
Estas missangas vêm do tempo em que os meus avós regressaram do Brasil e abriram uma retrosaria na baixa de Lisboa - a Casa Albuquerque. Coincidência feliz porque apesar de esse ser o seu apelido, o nome já lá estava, do anterior dono. Tenho a certeza que pouca gente na minha família conhece a história. Eu, que tento passar tempo de qualidade com a mais velha da família, costurando, aprendendo, ouvindo as histórias da sua vida que lhe vão passando pela memória vindas de lugares já meio esquecidos, vou absorvendo tudo. E mesmo não escrevendo o que ouço porque sou demasiado desorganizada para isso, tenho a certeza que guardo tudo bem guardado - as histórias e os objectos.
Talvez um dia as histórias apareçam em papel.
a vedeta
Luca Businari pegou nela como eu costumo pegar, riu-se com ela como eu costumo rir, sentou-a devagar como eu costumo sentar - fez-me sentir orgulhosa daquela pequena boneca de pano.
Fotografar é sem dúvida algo que quero aprender a fazer mais a sério.
Fomos (onde vai um, vão três) tão bem recebidos que nem tenho palavras para agradecer.
Fiquem atentos à edição de Setembro da Bebé Culinária!
8
O dia mais esperado chegou ontem, teve uma festa em grande, a casa cheia de gente que lhe quer bem. Está feliz por ter 8 mas tem saudades dos 7. Agora quer começar a contar os dias que faltam até o próximo aniversário.
Amo-te mil milhões, filho.
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