pausa



Estou sentada à máquina de costura à tantos dias que ontem pensei que já era sexta-feira. Fiz tudo como se assim fosse. Só ao fim do dia é que me avisaram que ainda era quinta. Procurei os óculos por todo o lado, não os encontrei. Ainda bem que agora tenho um par a mais, pensei. Quando reparei, andava na rua com uns óculos na cara e outros pendurados na camisa. Praguejei que me fartei, louca à procura das chaves. Estavam o tempo todo na minha mão.
A manta ainda não está pronta, apesar de trabalhar nela o dia inteiro, nos últimos dias (a semana toda). Desmanchei todo o pesponto que tinha feito porque não estava contente com o efeito. Fui buscar a máquina de costura da minha mãe na esperança que fosse um pouco mais potente que a minha e foi o que me salvou. Afinal era a máquina, não era eu.
Agora estou a dar largas à criatividade (contida q.b.), acolchoando as três camadas de tecido, formando o verdadeiro quilt.
Só quem se dedica ao mesmo que eu, percebe o trabalho que tudo isto dá, o cansaço que temos que ultrapassar se queremos ver as coisas terminadas e a verdadeira loucura de, no final, ter de inventar um preço para algo que nos custou semanas de trabalho intensivo, já não falando nos custos de material.
Só pode ser por paixão, verdadeira necessidade criativa que mulheres e homens se dedicam a artes manuais, dando tanto de si e muitas vezes, recebendo tão pouco em troca.
E se não estou enganada, hoje é mesmo sexta-feira, véspera de um fim-de-semana que promete ser agitado e muito alegre.
Vou dar uma pausa a mim mesma.
Façam o mesmo.

feito com gosto



Este foi o meu exercício do último sábado, junto deste grupo magnífico de mulheres.
Quando disse ao Miguel que lhe tinha feito um individual, ele encolheu-se na cadeira e suspirou um "aaiii...", tal como quando lhe disse que tinha de ir ao dentista. Mesmo assim mostrei-lho na esperança do vermelho, a sua cor favorita, me salvar. E ele gostou. Gostou muito. Tanto que já lhe inventou mais funções, como base para o Jogo do Galo. E a mãe, deixando as costas procurar apoio no sofá, solta um sorriso de alívio. Consegui.
Algo que não me deixa nada indiferente é o caso da pequena Alexandra. Consigo imaginar o seu desespero, é de gelar o sangue. E como ela, tantas pessoas que cresceram assim, que poderiam ter sido outras se não tivessem sido obrigadas a crescer assim...
Eu já assinei a petição (a versão portuguesa parece estar "esgotada", daí ter assinado a versão internacional) e imploro-vos que façam o mesmo. Peço também aos que estiverem amanhã em Lisboa que se juntem ao Sr. João em frente à Embaixada da Rússia. Todos os esforços são válidos. Para saberem mais, visitem o blog que foi criado.

de tecidos cortados e cosidos e depois cortados e cosidos outra vez



Comecei mais um trabalho, no meio de tantos outros, que sou geneticamente incapaz de me dedicar a uma só causa de cada vez. Preciso sempre de um suplementar a que recorrer, para depois ao primeiro voltar. Assim tudo me parece mais interessante.
Esta foi uma noite curta mas valeu a pena. E quando se sente que uma noite mal dormida e um dia ensonado valeram a pena, quando o nosso peito se enche de ar e depois se esvazia cheio de satisfação, esse é um dos melhores sentimentos que podemos almejar. Deve fazer muito bem à saúde. Imagino uma vida inteira deste sentimento!

de sábado


Eu vui ao museu
para bordar, bordar
Levei a mãi e o didal
para olhar, olhar

Mais tarde vui a otro
era dia de não pagar
Paguei que me lixei
cum uma ora pra visitar

Foi em Belas que findámos
esta nossa grande tarde
Simplicidade e simpatia
é essa a grande berdade






Viva o Fofo de Belas!



pelo Museu de Arte Popular

bordar bordar!

desta semana




A semana já está a acabar. Foi uma semana daquelas que queremos que acabe depressa. O pai foi de viagem, o M. sofreu com a sua partida. O coração doía-lhe.

Hoje o pai volta. É Dia da Família. É dia de filme no sofá e pipocas feitas na panela.

E porque esta semana é também a Semana Mundial Pelo Parto Respeitado, peço-vos que passem pelo blog da Rita.


Está nas nossas mãos, nas nossas palavras e nos nossos gestos. Vamos começar por nós, em nossa casa, na nossa família. De momento a momento. Se deslizarmos, podemos sempre levantarmo-nos.


Um bom fim-de-semana a todos!

das clínicas privadas que cobram 100 euros por consulta

"- Doutor, já perguntei aos seus colegas mas ainda não obtive resposta... Se tenho que vir logo a correr caso aconteça novamente, o que faço se for fim-de -semana?
- Pois... nós ao fim de semana estamos fechados...
- ...
- Qual é o hospital que me aconselha?
- ... pois.... os hospitais ao fim de semana não têm especialista.......
- Mas e se acontece ao fim de semana? O que é que eu faço?
- ... pois... pois...
- ....
- ... pois é, os hospitais.... ao fim de semana....
- ...
- Vamos pensar que não vai acontecer a um fim de semana!... "
A parva desta paciente sou eu, que continua a consultar estes grandes médicos numa das melhores clínicas de oftalmologia em Lisboa. Desde que o meu filho nasceu que tenho que ser seguida regularmente pelos melhores de Portugal, o meu filho já vai fazer sete anos e eu ainda não consegui uma resposta decente.
Já passei por três clínicas de grande sucesso, duas em Lisboa e outra em Coimbra e nenhuma me parece melhor que a outra, embora todos façam questão de mostrar que sabem mais que o outro.
A parva aqui, não gosta da resposta mas vai com eles esperando que nada aconteça a um fim de semana.
Se acontecer, talvez vá ali a Cuba, que sou melhor atendida.

workshop patchwork


É sempre bom aprender, partilhar, ouvir, observar.
Do workshop da Rita trouxe vontade de pesquisar mais sobre a história das mantas de retalhos do nosso país, vontade de fazer sem medo de errar, de experimentar muito!
A Rita é uma mulher impressionante. É daquelas pessoas que vieram ao mundo para deixar a sua marca. Uma matriarca dos tempos modernos. Gostei muito, Rita.
Esta foi a minha primeira experiência no 9 patch. Aqui, ainda inacabado, faz-me lembrar um azulejo holandês. Agora, para o acabar e pôr todas as ideias em prática tenho que me lembrar constantemente da professora, que dorme muito pouco e mesmo assim mantém um sorriso fácil e contagiante.
Ao trabalho!

do dia da mãe


E olha quem está no Jornal da Região!

Obrigada


Há novo avental aqui. Para os leitores do blog, os portes de envio ficam por minha conta.
Obrigada pelas palavras de ontem. Por vezes precisamos de um pouco da força dos outros. Ainda não tomei decisão nenhuma, mas o espírito idealista e combatente que não quero perder, acordou. Por agora, não vou deixar que as exigências do dia-a-dia me afastem do caminho e vou estar atenta aos sinais, ao mesmo tempo que quero cultivar em mim a serenidade, a paciência e a tolerância. Tenho andado afastada de mim.
Este sábado vou estar aqui. Ainda há vagas. Alguém interessado?

à Cátia e à Sara

Muitas vezes queria voltar àquele sofá,
sentar-me convosco
e ver isto,
isto,
e isto.
E mais este.

à procura do caminho

* Maria Keil



Eu vejo que anda cansado, desmotivado, parece-me triste. Vejo com olhos de mãe. Acho que mais ninguém vê o que vejo quando olho para ele, ninguém sente no sangue aquilo que o meu filho está a sentir. Antes que ele se perceba, já eu vi tudo.

Mas afasto os pensamentos. Não é assim tão grave. É normal. Ele até tem uma vida priveligiada em relação à maioria das crianças de hoje.

Está cansado. "Não me apetecia nada ir para a escola hoje... queria tanto ficar em casa." Digo-lhe que não pode ser. Penso que até podia. "Mentirosa", digo a mim própria.

São muitas as vezes que me diz que não gosta da escola. E quando o diz, sinto a sua tristeza, a sua alma vazia. Dói. Depois lá vem o dia em que o vou buscar e pede-me para ficar a brincar um pouco mais e o meu medo arrefece, fico mais descansada, afinal era coisa de miúdos.

Em casa, o ritual de sempre, nunca temos o tempo que era de esperar - dadas as circunstâncias. As circunstâncias que todos pensam saber e sobre as quais gostam de opinar. As circunstâncias tão priveligiadas para uns, tão assim-é-que-deve-ser para outros. Porque o privilégio de o meu filho vir almoçar a casa e às cinco e meia já estar de volta é o mínimo que eu lhe posso/devo dar, no meio de toda esta paranóia actual a que se chama normalidade. Sim, eu protejo o meu filho. E não, não sou a mãe perfeita, muito longe disso.

Continuo a achar os trabalhos de casa, depois de oito horas de trabalho, um exagero. Ele é esperto, faz tudo com uma perna às costas. Mas a vontade... a motivação... Essas competem-me a mim reinventar, não me parece que a escola as ache importantes.

Ainda não agradeci à professora o cartão que recebi no dia da mãe. Não sei bem como lhe dizer o bonito que estava a sua caligrafia, o seu coração recortado e o seu lindo texto. E agradecer o facto de ter deixado o meu filho copiar as suas palavras e enrolar os papelinhos. O M. deu-mo logo de manhã, o começo de um dia perfeito, devo dizer, explicando-me que foi a professora que fez aquilo, aquilo e aquilo. E que o texto foi mandado copiar, todos escreveram o mesmo.
A ver se não me esqueço de agradecer também a linda coroa de cartolina que veio para casa na Páscoa, onde o meu filho de seis anos e meio colou algodão no corpo da ovelhinha.... Podia jurar que foi buscar a ideia à sala da pré-escola.

Ainda na última reunião tinha dado a entender à professora que os trabalhos manuais fazem falta e deviam ser parte integrante do horário escolar, ao qual respondeu que isso já fazia parte das suas aulas e que os meninos faziam muita coisa... Sim, fazem desenhos de vez em quando. Sim, fazem o suposto presente naquelas datas. Onde estão os verdadeiros trabalhos?

Hoje, para além dos t.p.c., tinha que escrever várias vezes uma palavra que falhara no ditado. Em vez de duas linhas, escreveu uma linha. Achei suficiente para aprender a palavra. Vendo toda aquela desmotivação, olhando para um filho que tem tudo para ser brilhante e vendo-o triste, perguntei: " - Gostavas mais se a mãe fosse tua professora cá em casa, em vez de ires para a escola?" E nesse momento, os olhos dele brilharam como há muito eu não via, ficaram enormes, todo ele se iluminou. "- E podes?!"

Logo a seguir perguntou-me se podia fazer um ditado. Depressa o cansaço desapareceu e toda a sua força de leão veio ao de cima. Apanhei um livro dos meus, ditei duas frases, ele escreveu. Dei-lhe a ideia de ser ele próprio a verificar os erros e não eu. De seguida, pegou ele no livro, ditou-me duas frases, eu escrevi-as e ele, deliciado, corrigiu-as.

Acho que preciso de ajuda.

morreu mais um sonhador


Este senhor falava muito, muito - mas eu ouvia-o. Tinha uma voz calma, como quem contava histórias - de efeito hipnotizante, mesmo que não entendesse o que dizia.

Era sempre bem-vindo lá em casa, por mim e pelo meu bisavô que gostava tanto de desenhos animados quanto eu, de certo porque o entendia.

Tanto o meu bisavô como o Vasco Granja deixaram a sua marca na minha infância e naquilo que sou hoje.

Tenho a certeza que em cada boneco que faço fica um pouco deles também.


Até sempre e obrigada. Que falta fazes às crianças de hoje no nosso país!


um ramo


para todas as mães que por aqui passam!
Um feliz dia para nós!

avental


Gosto muito deste avental. Tive que o fotografar à pressa, antes que o sol se fosse. Foi mais ou menos a dança do gato e do rato, só que aqui os móveis tiveram que se arrastar, ajustar, colaborar.
Consegue ver-se melhor aqui.

Tocá Rufar

* foto de Gonçalo Romeiras - 2006

Eu sempre acreditei neste projecto. É a prova viva de muita coisa.

Ando com uma vontade enorme de inscrever o Miguel. E a mim. E à minha mãe.

Todos os domingos de manhã (no Seixal), para qualquer pessoa a partir dos 6 anos, GRÁ-TIS.