(...)

Hoje vi e revi. E não gostei de mim assim.
Chora-me o estômago mas as lágrimas não chegam cá acima.

E há sete anos atrás era eu ainda uma menina...

A caminho de Monsaraz IV



Segundo a Dª Ema, fiel depositária da chave da Igreja, quando esta se encontrava quase sempre fechada e os turistas eram raros " por baixo da Igreja há uma lagoa. No Inverno as pedras do chão cobrem-se de água e as pinturas das paredes são destruídas por causa da humidade. Além disso, há uns anos, esteve aqui um daqueles homens que adivinham onde há água e confirmou que existe um lago debaixo da Igreja."


Há muitos anos atrás participei na bienal Monsaraz Museu Aberto. Acompanhava a minha mãe, que muito sucesso teve com as suas peças de cerâmica minuciosamente pintadas, levando comigo algumas das minhas obras em barro, que tanto prazer me deram fazer. Os dias que lá passámos foram mágicos. Conheci artesãos talentosos, apaixonados pelas suas terras e heranças, gentes da terra cheios de cultura daquela que não se aprende em livros e única fonte de sabedoria real que poderá levar alguém um dia a tornar-se gente grande. Foram dias longe do mundo, embora o mundo viesse ter connosco, curiosos viajantes que de longe chegavam para visitar aquele belo evento. O então Presidente da República Jorge Sampaio veio ver-nos, apertou-me a mão demoradamente e mostrou-se interessado pelo meu trabalho, ficando por ali a olhar, fazendo perguntas e desejando-me sucesso. Gostei daquele homem, sensível e humilde. Assisti a um espectáculo de música celta no Castelo, debaixo de uma enorme lua cheia, tão grande como nunca voltei a ver. Foram dias importantes na minha descoberta de identidade. Talvez por isso Monsaraz seja tão importante para mim.
E agora, no cimo daquelas muralhas, a olhar o lago do Alqueva estendido até o horizonte, tudo o que sai da minha boca diz: que maravilha, que maravilha...! Foi o meu mantra por uns momentos.
Tentem guardar uns segundos para o silêncio. É lá que todos nós estamos. Encontrem-se. Eu vou tentar fazer o mesmo.


Bom fim-de-semana!

A caminho de Monsaraz III




Chegámos naquela hora em que o céu se despede por mais uma noite, deixando-nos um verdadeiro presépio dourado envolto em puro silêncio para desvendar. No ar, o cheiro das lareiras acesas convidava a ficar, a procurar quarto antes que outro se adiantasse. E porque também há dias em que tudo corre bem, conseguimos ficar com o quarto por apenas dez minutos de desencontros. Ficámos na Casa da D. Antónia, na Rua Direita, que recomendo vivamente. Pelo quarto simples mas confortável, pelo cheiro a lavado e a engomado da roupa de cama, pela simpatia dos que lá trabalham e pelo pequeno-almoço servido com gosto, o que sabe sempre bem.

É impressionante o espaço que aquelas casas escondem por trás da fachada. Perguntei à senhora que ali trabalha (tenho pena de não me lembrar do seu nome) se ainda consegue ver a beleza que nós vemos na paisagem ou se por ali viver desde sempre já não dá valor ao que tem. E fiquei contente com a resposta: sente-se muito feliz. E que as suas filhas adolescentes por enquanto também não querem sair de lá, mesmo conhecendo as grandes cidades. E eu pergunto-me como é que alguém conseguirá habituar-se a viver noutro lugar depois de ter todo aquele mundo à sua frente.

Enquanto a mãe conversava com a senhora que engomava os lençóis e prendia os botões às batas, o M. fotografava tudo o que via, entusiasmado com os momentos de posse da máquina. Já tenho uma colecção considerável de fotografias suas e um dia gostava de as partilhar. Dá-me muito prazer ver o meu filho descobrir-se perante o mundo... enfim, sou uma mãe babada.
ADIM- Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz

A caminho de Monsaraz II


Para além do Recinto Megalítico dos Almendres visitámos também o Menir dos Almendres, cuja localização está claramente relacionada com a do primeiro, uma vez que corresponde a uma direcção astronómica elementar: o menir, visto a partir do recinto, indica a posição do nascer do Sol, no dia maior do ano, o dia do Solstício de Verão.

O M. adorou correr por ali, livremente. Pensei que ficaria mais surpreso ao ver aquelas pedras enormes em pé mas depois percebi que o facto de ali estarem não é nada de outro mundo, visto que o Obélix também as carrega por todo o lado.
As cores douradas do fim da tarde encheram-nos os olhos. A mãe parecia mais criança que o filho. E a ansiedade de encontrar Monsaraz rodeado por água crescia em mim. Há mais de dez anos que lá não ia e o Alqueva era ainda um bicho-papão.


Alguns links muito interesantes sobre o tema:

GEMA - grupo de estudos do megalitismo alentejano - aqui e aqui
El laberinto atlántico - aqui
Fotoarch - Perspectiva fotográfica de experiências arqueológicas - aqui
Mounds for the dead? - the mesolithic shellmounds of the Tejo and Sado rivers - aqui
Eduardo Amarante - aqui

A caminho de Monsaraz I



A caminho de Monsaraz, uma das terras mais bonitas de todo o planeta, parámos nos arredores de Évora, no Recinto Megalítico dos Almendres. Assim que os meus pés pisaram aquela terra senti-me criança outra vez. Não é pela paisagem bonita, pelo contraste com o rebuliço da cidade, ou pelos milhares de anos de história que aquele lugar representa que eu adoro lá estar. Há algo de muito mais simples e directo que me liga àquele espaço, embora não saiba bem o quê. O espaço e o tempo parecem ser só um, com o ritmo certo, o ritmo natural ao qual o ser-humano pertence, o ritmo perfeito para que possa desenvolver a sua vida de forma saudável, produtiva, simples e profunda.
Mas como diz o povo, e bem, uma imagem vale mais que mil palavras e é isso mesmo que devo fazer: mostrar-vos o que vi. Preparem-se para uma semana cheia de Alentejo.

eu não digo



que os meus sacos vão mais longe que eu?

do fim-de-semana


Não me canso daquela terra. Deve ser das mais bonitas de todo o mundo. Um fim-de-semana apenas é tortura. Quero lá viver, naquela imensidão rica em silêncio nobre, silêncio que não dói, que nos enche a alma de vida.
Agora tenho mais de quinhentas fotografias para organizar e tantas para vos mostrar...!
Ora adivinhem lá onde estive! :)

para a loja


Acabei-o ontem à noite. A maior parte do trabalho foi feita à mão, demoradamente, mas deu-me muito gosto a fazer. Acho que é o primeiro de muitos. E os botões de madeira combinam na perfeição!
Agora, vamos fazer a mala e pôr o pé na estrada!

haja paciência

Não tenho emenda. Já não é a primeira vez que retiro a lista de links ao blog e passados uns dias reponho-os todos, um por um. Melhor ainda, acrescento ainda mais dos que já tinha.
E porque é que retiro a lista? Porque chego a um ponto em que já são tantos os blogs de que gosto que, se quiser ser honesta, o que quero sempre, tenho uma lista enorme do meu lado direito. E se não for acrescentando os que vou descobrindo e acompanhando e me restringir apenas aos primeiros, já a lista não será verdadeira, o que para mim não faz sentido. Além disso, tendo cada vez mais páginas interessantes a folhear, menos tempo consigo guardar para as minhas próprias páginas e linhas e ideias e rascunhos e coisas assim.
E porque é que volto a escrever os links dos blogs de que gosto, um por um? Porque sinto saudades desta família virtual, porque muitos já fazem parte dos meus dias, e estando longe ou perto, gosto de saber que ainda lá estão e porque sem eles o meu blog não parece o mesmo, fica meio manco, como um monólogo sem sentido.
E porque é que a lista aparece sempre mais longa? É para aprender. Para me deixar de coisas.
E pronto. Cá está ela. Como um braço direito. Assim já me sinto mais composta.
Bom fim-de-semana a todos!!!

a aerodinâmica do papel






Já há muito tempo que quero falar deste livro. Ofereci-o a pai e filho no Dia do Pai, para que juntos o descobrissem e, verdade seja dita, me dessem algum descanso... Todas as mães percebem bem o que quero dizer!


O Livro dos Aviões de Papel fala sobre assuntos que definitivamente não fazem parte do meu leque de interesses, como a História do Recorde Mundial dos aviões de papel, noções básicas de aerodinâmica, técnicas de lançamento, etc. mas a ideia de alguém se interessar tanto pelo tema ao ponto de publicar um livro fez com que o tirasse da prateleira da Bertrand. Ao folhear o livro, apaixonei-me. Para além de toda a informação (que é interessante) ensina a fazer 16 modelos diferentes, desde o avião básico do tipo dardo a uma reprodução de um vaivém espacial da NASA, tendo também uma tabela de registo de voo pessoal onde a criança pode registar o tempo de voo, a maior e menor distância, etc. dos vários tipos de avião que construiu. E no fim do livro, aquilo que na realidade me fez compra-lo: dezenas de folhas coloridas em papel de extrema qualidade para construir os 63 aviões prontos a montar.

Acho que foi um bom presente. De vez em quando lá se lembram do livro e vão brincar para a rua, o que na verdade é aquilo que as crianças precisam: brincar ao ar livre com os pais. E sim, consegui que me dessem dois minutos de descanso. :)
Ah! O preço, se bem me lembro, foi à volta de 6 euros!

de capulanas



Almofadas novas, no sítio do costume. Feitas com panos vindos de África, cheios de cor e simbolismo.
E o espírito natalício em mim decidiu baixar os preços das almofadas. Ora espreitem.

sombra





Adoro sombras. São reflexos do momento que jamais se repetirá, amostras de um mundo inatingível que nos acompanha mesmo quando não o vemos. Para mim, incurável sonhadora, são tão reais como o chão que vou pisando. Tornar-me sombra, de vez em quando, invisível e despercebida - e no entanto, estar lá sempre, vendo-os passar, do início ao fim. Porque não?


brincar com as letras





O homem que está no menino
dorme tão feliz lá dentro.
Não se acorde no menino
o homem que ele será.
Se voa, vai ser pardal?
Se corre, vai ser atleta?
Se briga, vai ser normal?
Se chora, vai ser poeta?
Que homem é que ele será?
O que é que o menino vai ser?


Nesta última visita à nossa biblioteca trouxemos, entre outros "A história do A", de Ziraldo. Achei o livro uma lufada de ar fresco, e o M., embora ainda pequeno para compreender a essência da mensagem, gostou muito do sentido de humor e da ilustração. Para a próxima visita trago " O joelho Juvenal", que me pareceu uma delícia.
" Os teus filhos não são teus filhos.
Eles habitam a mansão do Infinito, onde não podes penetrar nem mesmo em sonhos."
Gibran Kalil Gibran


com os meus botões




Gostei tanto dos botões de madeira que utilizei nas últimas peças que decidi tentar fazê-los em casa.

Pai e filho encarregaram-se de pôr mãos à obra e o resultado superou as minhas expectativas. São rústicos, únicos, cheios de vida, com o leve perfume da madeira de cedro. A partir de hoje, à venda na loja.

E as encomendas para o Natal começam finalmente a chegar... Espreitem as novidades!

da vila








Soube-me bem ver os sobreviventes dos bairros mais antigos e tive esperança que um dia voltassem a ver as suas ruas cheias de gente. Fiz uso da máquina fotográfica tal qual uma turista. Soube mesmo bem.
Pouco depois encontrei na esplanada a razão pela qual saio cada vez menos. Gente que olha com as narinas e não com os olhos (são as narinas que se levantam por baixo dos óculos que tapam a cara inteira), que me diz que ali é fantástico e socialmente muito bem aceite e baboseiras tais que passado uns minutos lembro-me que já sou crescidinha e posso levantar-me e ir embora.
Soube-me bem ir. Soube-me bem voltar.

dia do primeiro santo não mártir

As festas de celebração das colheitas e do fim do trabalho rural são muito antigas. Ainda São Martinho não sonhava sequer em nascer quanto mais se converter ao Cristianismo, já o povo provava o novo vinho e matava um animal por volta desta altura do ano. Eram dias exuberantes, onde homens e mulheres celebravam os prazeres da vida ao máximo pois que os quarenta dias seguintes até ao Natal seriam obrigatoriamente sóbrios.
Já na antiguidade os Romanos preparavam-se neste dia para a Festa da Luz, celebrada quarenta dias depois, a 25 de Dezembro em honra do Deus do Sol.
Com o tempo, este Carnaval sem máscaras foi sendo engolido pelo cristianismo, disfarçando-o com o dia do santo, outrora soldado romano, que viveu a vida exemplar após se converter à bondade e generosidade que encontrou em si mesmo.
Hoje em dia, entre o fim de Outubro e o início de Novembro, dá-se pão aos pobres, guloseimas aos menos pobres, lembram-se os mortos e comem-se os frutos que a terra dá.
Assim se celebra o ciclo da vida, seguindo o percurso da natureza.

Na Holanda, andam por esta hora as crianças a bater às portas com as suas lanternas feitas à mão, cantando cantigas e pedindo doces. E é rara a porta que não se abre.
Para os mais pequenos, descobrir sobre os soldados romanos aqui.


Para os interessados, novidades aqui.

aventuras agrícolas


O nosso à-vontade na agricultura é tal que ainda este fim-de-semana comi melancia e morangos. Como o conseguimos, não sei. As melancias, desta vez mais pequenas que uma bola de ténis, são sempre deliciosas. Acho até que é um achado. Quem não gostaria de levar pequenas melancias para a praia, para comer à colher?
E mais à esquerda, a laranjeira já cheira. Muitas laranjas já caídas no chão, outras a apodrecer nos ramos e outras, muitas e muitas à nossa espera para serem colhidas. Ainda não estão maduras mas sente-se já o doce que serão daqui a pouco tempo.


E num instante o fim-de-semana acabou e agora é lutar para que a semana não pareça ter só dois dias, pois que ultimamente poderia jurar que de segunda-feira passamos logo a sexta-feira.



Amanhã, novidades. Até lá!

Paz




no meu mundo.

VIVA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Este homem é um líder. Mais que um político, ele é um líder. Um líder que o mundo esperava há muito tempo. Que conhece a essência do ser humano e por isso sabe conquistá-la.


Devolvendo a esperança ao povo, ele devolveu-lhe a sua força. Porque ele sabe que tudo o que o ser-humano precisa é de inspiração.


Hoje chorei. Porque estou cá para assistir àquilo pelo qual tanto tenho esperado: o ser-humano inspirado, cheio de Deus.


Hoje estou inspirada. Inspirada pela grande essência que todos juntos somos.




YES WE CAN



enquanto espero o resultado


Amo-te Mil Milhões!!!

na Jamaica


Definitivamente, os meus sacos viajam mais que eu.
M., obrigada pela linda foto e fico muito feliz por teres gostado. É tão difícil tentar descodificar a personalidade de alguém e acertar nos seus gostos, que quando o consigo sinto-me completa. Devo dizer-te que este saco, apesar de tão simples, foi feito e desfeito várias vezes até achar que irias gostar.
Fico também muito feliz por saber que este blog vai servindo para matar as saudades de Portugal e espero que assim continue. Fica ainda mais completo ao receber comentários de quem está desse lado, porque embora seja um pouco íntimo, é um espaço aberto a todos que o gostam de espreitar.
Assim, estejam onde estiverem, a porta está aberta.

em directo de N.Y.


Desta vez no Guggenheim, em N.Y. Este saco não sabe a sorte que tem!

novo




Como prometido, novidades na loja. Espero agradar!

e já é Novembro...






Este ano o Natal vai ser mais verdadeiro. Muito pouco superficial, muito mais caseiro. A crise, esse novo vírus, pode ensinar a olhar para o que temos e a (re)criar a partir daí. Podemos desaprender a consumir e ensinar os nossos filhos o que representa realmente o Natal levando-os a sentir o que é partilhar, construir, aprender - tudo em conjunto com os mais velhos.